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Sou do tempo que Registro tinha poucas residências

Publicado em 18 de abril de 2011
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José Barduco, nasceu em Pariquera-Açú, comarca de Jacupiranga em 08/03/1919. Eletricista aposentado.

Sou de origem italiana. Meus avós paternos chegaram no vapor BEARN em 1887, em Santos com 8 filhos. Meu pai estava com 7 anos, meus avós maternos chegaram a Santos em 1889 com 4 filhos entre eles minha mãe com 8 anos. Instalaram-se em Pariquera-Açú, num bairro denominado Nova Italia.

Meus pais se casaram no Brasil e tiveram 9 filhos, além de trabalharem na lavoura, tiveram criações de porcos, que era a base da alimentação dos italianos. Lembro de uma passagem pitoresca: quando matavam boi, tocava o sino da igreja matriz de Pariquera-Açú para avisar que nos açougues tinha carne de boi para que o povo soubesse.

Em Pariquera-Mirim, um bairro de Pariquera-Açú, meu pai, Giovanni Massimiliano Barduco teve um alambique. Sempre vinha passar temporada em Pariquera um maestro chamado Guido Roque de SP, que por influência dele, formaram a primeira banda e meu pai fazia parte dela. Mais tarde outra banda formou-se, da qual também fiz parte com 11 anos, tocando tarola (caixinha). Com 19 anos, tirei minha carteira de motorista e com o caminhão do Senhor Ivo Zanella, ajudei a melhorar as estradas da região, e na época quem era o Governador era Dr. Ademar de Barros.

Em Porto Cubatão, bairro de cananéia ajudei a aterrar mangue para fazer o porto atual com 300 metros para travessia de ferry-boat, o porto anterior era de 800 metros. Vim morar em Registro onde casei com Alice Cardoso, moradora do bairro Guavirúva. Iniciei como eletricista com a ajuda dela e muitas vezes ficávamos até de madrugada desmanchando gerador (dínamo) para aprender como enrolava e assim tivemos êxito. Tudo que consegui em minha vida foi trabalhando como eletricista, a minha última oficina ficava as margens da BR-116, quase em frente a ponte que atravessa o Rio Ribeira de Iguape. Meus fregueses eram principalmente caminhoneiros dos estados do Sul. Ensinei minha esposa a dirigir, sendo ela a primeira mulher a dirigir em Registro.

Tenho 5 filhos, sendo 4 mulheres e 1 homem. Com a ajuda do meu amigo Alberto Bertelli, fui de avião para consertar um motor de luz, aterrissando na praia de Ariri onde peguei um bote, atravessei para Ararapira onde o motor que não funcionava fornecia energia para o lugar. Em outra ocasião com o Bertelli descemos na praia da Juréia, chamado prelado para consertar um caminhão Ford 46, de onde voltei de canoa à motor até Iguape e depois para Registro.

Lembrando da época que fui motorista, trabalhei em Registro em um carro de aluguel do meu primo Meraldo Prévidi, levando passageiros até Juquiá para embarcar no trem para Santos. Trabalhei para o Senhor Amaya, levando chá para São Paulo com caminhão movido a gasogênio (carvão) pela falta da gasolina na época. Em Pariquera Açú, levava arroz até Subauma um bairro localizado entre Pariquera/Iguape, para embarcar no vapor Apolo 1º. Os donos dos armazéns de Subauma eram Fernando Fragoso, Jorge Faria e Miguel Faria, dos quais me lembro.

Voltando a falar de Registro, participei da banda São Francisco Xavier, em 1955, onde tocava clarineta e o maestro era Alexandre Agenor de Morais tendo como outros componentes Querino Nunes (trombone), Deco Marques (trombone), Mitsuko Nakamoto (clarineta), Paulo Aby-Azar (saxofone), José Santana (clarineta), Oscar Ventura (clarineta), Valdemar Ferreira (trompete), José Grossi (clarineta), João Colaço (sax harmonia), Acácio (prato), Simião Marques (clarineta) Idalicio (baixo), Benevides Teixeira (baixo), Vicente Firmino (bumbo), Benjamin Gonçalves (tarola). Seu Firmino recebeu o apelido de “”tique-fuque”", porque faltou em um ensaio e ao perguntarem ele disse: “”minha mulher teve um tique-fuque”". Eu compus um dobrado, música para banda, que meu neto Claudio Augusto esta fazendo a partitura para todos os instrumentos que compõem uma banda musical.

Sou do tempo que Registro tinha poucas residências, a casa Matarazzo, que era um posto que recebia casulos para secagem em forno a lenha, sendo gerente o Senhor Lourenço Frank de São Paulo. A árvore guaracui ficava onde atualmente é a loja de calçados Kallan, mais à frente tinham muitos pés de palmito. Por algum tempo fui examinador de auto-escola na época do Delegado Giusepe Grancheli. Deixando de trabalhar como eletricista, começei a trabalhar na lavoura com plantação de milho e arroz moti, usado muito na culinária japonesa; criei gado leiteiro e de corte, em um sítio de minha propriedade, a margem direita da estrada que liga Registro a Sete Barras.

Esta é a minha história de vida.

O primeiro instrumento que fiz foi uma viola

Publicado em 23 de março de 2011
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Walter Alves de Lima
Nasceu em 23/12/1947 na Juréia. É pescador e produtor rural.

Meu pai era lavrador, nós plantávamos pra sobreviver, a única lavoura que ajudava a pagar o consumo da casa, a roupa e o calçado das crianças era a de arroz. Nós só comprávamos café e açúcar. Os adultos trabalhavam com a enxada e eu passava semeando, uns ajudavam aos outros e no meio disso entrava o Fandango. Eu tinha uns 6 ou 7 anos.

Eu ai ajudar na lavoura e o Fandango era como uma diversão, uma festa para brincar e fazia parte do meu trabalho. O meu pai fazia canoa para gente pescar e ficava muito pesada pra tirar da mata, então ele montava uma demão, chamava uns 20 ou 30 homens e todos ajudavam até a canoa chegar em casa. Aí o pagamento era com o Fandango. As mulheres carpiam a roça e a noite dava a janta para todo mundo e depois a turma começava a dançar. Juntavam a rabeca, viola e cavaquinho. Meia noite tinha o café e quando amanhecia já marcava o Fandango para o outro sábado.

A Juréia não tinha barulho nem devastamento, nós mantínhamos a natureza. Começaram a falar que viria uma lei e que não poderíamos viver lá, foi então que nos mudamos para Icapara. Eu mudei com 12 anos e comecei a fazer rabeca e viola com o meu pai e o meu avô. O primeiro instrumento que eu fiz foi uma viola, eu fiz com o meu avô e então não parei mais. A forma que eu uso até hoje era a dele.

O meu avô fazia instrumento de encomenda e para vender deixava numa lojinha. Hoje em dia os turistas começaram a comprar direto conosco. Fazer uma viola é difícil, a pior parte é juntar as madeiras que tem diferentes texturas. A madeira é a caxeta ou o cedro, antigamente fazia com cola do mato, essa cola dava muito trabalho, tinha que misturar com a goma da mandioca e colocar o sumbaré no fogo.
A Reiada, uma folia de rei, é uma romaria que representa a visita dos reis magos quando foram visitar o Cristo, e nós vamos visitando as casas uma por uma. Começa no dia 01 de janeiro e acaba no dia 06, que é o dia de Reis.

Eu a amava e deveria ter dito isso a ela

Publicado em 23 de março de 2011
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Masakazu Nishidate
Nasceu em Asahikawa Hokkaido, Japão. Produtor rural e pescador aposentado.

Quando vim para o Brasil, eu sei que a situação era ruim para viver no Japão. Meus pais vieram contratados, obrigados a trabalhar em uma fazenda de café, trabalharam lá durante um ano e depois viemos para Iguape.peixe
Antes trabalharam em uma fazenda em Sete Barras e não gostaram, pois era no morro e as pessoas que estavam lá se queixavam. A família Nakamura nos chamou para ir para a colônia Jipovura, bairro onde se formou a primeira colônia de japoneses. Eles tiveram que trabalhar mais de um ano. Eu tinha 10 ou 11 anos.
Quando chegamos à colônia eles falavam mais português que japonês, logo eu entrei na escola da fazenda e a maioria era japonês na sala e só falam em japonês, a professora era brasileira e ficava brava. Como eu tinha estudado no Japão eu já sabia fazer conta.

Quando o meu irmão do meio morreu, eu fui trabalhar com o meu pai com a máquina de feitoria de arroz e tive que deixar a escola. Nessa época nós compramos um lote para plantar arroz. Em 1938 o meu irmão mais velho também morreu, ele teve problema de pulmão e para fazer tratamento ele foi pra Campos de Jordão e pra pagar o tratamento nos perdemos o nosso lote. Nós compramos também a fábrica de pinga Bandeirantes, naquele tempo moía a cana com cavalo, comprávamos garrafas vazias e os rótulos, engarrafávamos e colocávamos o rotulo. Compramos um trator pra ajudar na plantação de arroz, depois plantamos verdura que era vendida através da cooperativa. Por último em 1963 começamos a pescar manjuba e continuamos até 1975.

Eu comprei uma fabrica de pesca e passamos a depender da pesca, porque a plantação de arroz ficou abandonada, pois dava muito trabalho e ninguém queria cuidar dela. Eu passei a fornecer material para os pescadores e nós ficávamos com a produção, os peixes eram vendidos para o CEASA tanto o fresco como o salgado, antigamente tinha muito consumo de peixe, hoje em dia o peixe está muito caro.
Casei-me com 27 anos através do sistema japonês, tinha uma pessoa que fazia o intermédio nakado, e nós conhecíamos a noiva no dia do casamento, era muito difícil. Ela trabalhava na casa. Eu tive 7 filhos, 4 homens 3 mulheres. Os casamentos na colônia japonesa não deveriam ser como antigamente, as pessoas casavam sem se conhecer, por causa desse jeito de casar eu achava que não amava a minha esposa, mas agora que ela morreu eu sei que eu a amava e deveria ter dito isso a ela, para ela ter morrido mais feliz.

Antonio Rodrigues

Publicado em 14 de março de 2011
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Ali onde hoje é o KKKK era a máquina de beneficiar o arroz. Essa região do Vale do Ribeira era a maior produtora de arroz do estado de São Paulo, Registro e Iguape foram. Iguape até foi representar a produção em Milão, na Itália!

Antonio Rodrigues conta sobre o ciclo de produção de arroz no Vale do Ribeira e um pouco da sua tragetória de vida

No Icapara falar a casa é aficuada é igual falar que a casa é limpa

Publicado em 26 de fevereiro de 2011
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Paulo Fortes Filho
Nasceu em Iguape, em 19 de maio de 1932. Foi vereador. Professor aposentado.

Os Fortes vieram de Portugal para cá me 1660, eram três irmãos, um foi para Recife, outro para Porto Alegre e outro para Iguape.

A vida de criança de antigamente era mais comedida, tinha horário para chegar em casa. Era uma vida calma, alegre e de certa forma, gostosa. Tinha mais respeito pelos mais velhos. Eu não sei se eu era mais bonito ou mais feio, mas minha avó me dava um tratamento especial, o melhor pedaço do peixe, a melhor parte do frango.

A gente estudava aqui até a quarta série. Depois fui para Araraquara, preparatório para admissão ao ginásio. Depois fui fazer ginásio em Santos, no colégio Canadá. Eu tinha quatorze anos. Depois mudei de ares fui fazer normal em Sorocaba. A minha vontade era ser advogado igual ao meu avô, mas não deu, família pobre.

Me formei e vim dar aula em Iguape. Conheço todas as escolas da região. Voltei e comecei a dar aula no Vaz Caminha, no colégio que estudei. Depois dei aula em Registro. Depois fui para o Porto da Ribeira. Depois fui fazer pedagogia em Itapetininga.

Nós tínhamos uma professora de sociologia, muito rigorosa. A gente quase não tinha tempo de estudar. Resolvemos dar um agradinho para a professora de vez em quando. Um dia chegamos em Itapetininga e um colega comprou lá a pedra de Bom Jesus. É a pedra lavado do Bom Jesus. Até hoje a mulher guarda essa pedra. Camus colocou no livro dele essa lenda: é a pedra que cresce.

O Icapara me deu elementos para escrever o livro que escrevi sobre caiçaras. Fiquei curisoso para saber o significado de várias palavras. Tinha um vocabulário todo próprio. Virou o tema da minha tese.

O falar caiçara é um falar diferente. O caiçara é o morador do sul do Rio de Janeiro ao litoral do norte do Paraná. No Icapara falar, a casa é aficuada é igual a falar que a casa é limpa.

O caiçara não é agressivo, é irônico. O sorriso é a arma dele. O sorriso faz com que as pessoas entendam aquela maneira de se comunicar. O fato da gente ser caiçara e a curiosidade que me levaram a estudar a sua cultura. O caiçara pesca pouco porque planta. E planta pouco porque pesca.

O arroz é colhido em cachos. E é escolhido no chão da sala. Os moços e as moças dançam em cima do arroz. Quando amanhece o arroz está todo solto. É o Jongo estlizado. Tem várias músicas que animam a noite toda. Os moços tomam pinga e as moças tomam vinho. Depois o arroz é ensacado. O Camus fala dessa dança do arroz no Clube XV.

Em 1920 tinha uma agremiação que chamava As violetas. Era um clube organizado pelas mulheres. Existiam vários outros clubes. Hoje clube já não existe mais, naquele sentido de organizar as pessoas.

Contar a minha história me remoça!

O Rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Antonio Rodrigues de Souza
Nasceu em Iguape em 07/09/1940. Chegou em Registro em 1979. Funcionário público, aposentado.

Minha família é de origem portuguesa e espanhola. Tive três irmãos que faleceram, vivo só resta eu e minha irmã. Eu morava no sítio, não era uma terra muito boa. Criava galinha, porco e plantava. Comecei a trabalhar com meu pai com a idade de 7 anos.

Um tempo freqüentei a Escola Municipal, depois ela fechou. Eu lembro de uma professora, a Dona Maria Aranha, a filha dela também estudava lá. Ela era brava e mansa. Naquela época a professora era uma segunda mãe da gente. Quando chegava a hora do recreio você oferecia voluntariamente para encher as vasilhas da professora. Para a professora tomar banho e fazer comida. A professora morava num puxadinho do lado da escola. A escola ficava uns 8 Kms de casa, eu ia à pé, demorava uma hora e meia para chegar. Quando eu chegava em casa eu ia comer alguma coisa e o pai já chamava a gente para trabalhar na roça.

Matraca tem duas argolas e é feita de madeira. A gente usava para plantar arroz, feijão e milho. Esta região do Vale do Ribeira foi o maior produtor de arroz. Foi até representante em Milão. Ali onde é o KKK ficava a máquina de beneficiar o arroz. O vapor Bento Martins fazia o transporte do arroz.

Eu saí do Município de Iguape e fui morar no sítio da família da minha esposa, mas era muito pequeno lá e morava muita gente. Fui desgostando daquilo e eu disse para minha mulher: Vou embora para a cidade. Daí viemos para Registro.

Conheci minha mulher no vapor. Minha esposa já tinha me visto com outra moça numa festa em Itapetininga. Aí eu vim para Registro e minha esposa perguntou: “Você já casou?”. Eu disse: “Não, aquele namorinho é bobagem”. E ela: “Olha me fale a verdade”. Daí começamos a namorar.

Fiz concurso para prefeitura e passei. Era encarregado de pessoal. Depois tinha lá a parte que era do Ministério do Trabalho e me chamaram para trabalhar no lugar de uma moça do que ficou doente. Mas eu não sabia nada daquilo, mas o chefe gostou de mim e não me deixaram mais sair. Fui substituir por oito meses fiquei dezoito anos. Aprendi tudo.

Registro agora é a capital do Vale do Ribeira, antes era a capital do Chá.

Eu gostava de ir na beira rio. Uma enchente é bonita, o problema é que faz estrago. O rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha. Quando o vapor grande portava, punha uma prancha grande para a gente descer. Diminuiu muito o volume de água.

Aqui teve ouro. Tiravam daqui e deixavam registrado aqui o valor que ia para Portugal.

Quem trouxe o progresso aqui foi a BR 116.

Eu tenho o sonho de viver mais um pouco, ter saúde. E que meus netos tenham uma situação melhor. Eu já passei cada situação difícil.

Naquela época professor era muito rigoroso

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Kazuo Ono
Nasceu em Iguape , em 06 de julho de 1928. Agricultor aposentado.

Minha família chegou em 1924 do Japão para cá. Desde moço meu pai era apaixonado pelo Brasil. Eu não sei muita coisa como foi a viagem dele para cá. Ele veio para Registro atrás de um loteamento. Ele ficou trabalhando quatro anos como colono.

Quando eu estava com cinco anos minha mãe faleceu. Lembro muito bem da sepultura da minha mãe. Sentei em cima do caixão na carroça e a vizinha me chamou a atenção. O cemitério era bem longe, região de brejo. Papai sozinho criou nós.

Em 1929 meu pai conseguiu comprar um terreno e plantou café, arroz e criou galinha. Com sete anos fui na escola primária e já ia no cafezal ajudar a colher café. Eu estudei na Escola Luis Guimarães de Almeida, tinha muito japonês estudando lá. Professor naquela época era muito rigoroso, ganhei muita reguada. Menino não podia conversar com menina.

Com treze anos eu lembro muito bem que na época da Guerra queriam expulsar a colônia de japoneses de Registro. Durante esse período faltava querosene, sal, açúcar. Havia distribuição desses produtos uma vez por mês. A gente tinha que entrar na fila para receber.

Papai criou galinha até morrer quando eu tinha 25 anos. Casei nesse ano e depois comecei a plantar chá. Em 1960 começou todo mundo plantar chá. Ai montei uma fábrica de esteira e chinelinho.

Com 12 anos, já cozinhava

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Maria Benedita da Costa
Nasceu em Eldorado, 15/02/1955. É comerciante.

Desde pequena eu morava com os meus pais num sítio aqui de Eldorado, em Bananal Pequeno. A gente plantava arroz, feijão, essas coisas de roça. Nós éramos em 12 irmãos. O que eu gostava de fazer era subir na goiabeira e não deixar a minha irmã subir pra ela ficar debaixo gritando, com medo dos porcos bravos que a gente tinha. Era esse tipo de brincadeira que eu fazia.

Mesmo a cidade de Eldorado era bem barrenta, meio deserta. Não tinha estrada pra vir pra cá. A gente vinha pra cá a cavalo mesmo. Mas com 12 anos uma senhora foi na casa da minha mãe dizendo que tinha uma pessoa em São Paulo que precisava de alguém pra cozinhar, lavar e fazer comida e minha mãe me mandou. Então fui pra São Paulo, mas eu nem saía muito porque morava com a patroa e eu era muito nova ainda.

E eu, com 12 anos, já cozinhava, fazia tudo na cozinha. Eu sempre fui assim, tudo o que eu pego, com ou sem receita, eu faço. E nesse primeiro emprego eu fui pra uma outra casa e depois voltei pra trabalhar aqui em Eldorado. Ainda voltei pra lá de novo, mas acabei retornando pra cá, pra minha cidade natal. Eu cansei de São Paulo, cansei da poluição. Eu tenho muita alergia e às vezes eu precisava levantar no meio da noite pra pingar colírio. Aí resolvi voltar.

Aí na volta eu passei um bom tempo pagando o aluguel. Mas chegou um momento que eu acertei 6 pontos e ganhei um dinheirinho! Foi quando eu dei entrada na minha casa. Daí pra frente eu comecei a trabalhar como vendedora. Faço produtos culinários, vendo. Também trabalho com moda íntima. Tudo eu vendo. E faz 3 anos que eu represento a cidade de Eldorado no projeto Revelando, onde eu mostro um pouco da culinária da região pra outras cidades.

Os primeiros depoimentos de Sete Barras

Publicado em 5 de fevereiro de 2011
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Os primeiros depoimentos de Sete Barras já foram colhidos. O trabalho só está começando pois o Museu em Rede ficará na cidade todo o fim de semana, na coreto da Praça Rua José Carlos Toledo. Veja o perfil dos moradores que falaram com o Museu em Rede. Em breve vídeos.

Francisco Teixeira de Oliveira
Nascido em 12/12/1926 no Quilombo de Sete Brarras, agricultor.

No século XVI já se plantava arroz na capitania de São Vicente. Um dos primeiros produtos de exportação do Brasil saiu do Vale do Ribeira, o arroz, para a Europa. Antes era tudo arroz. Foi a época boa da região. Quando faliu o arroz, a agricultura ficou negativa.

Ana Maria Rosa dos Santos
Nasceu em Sete Barras em 11 de abril de 1959, é secretária de assistência social de Sete Barras.

Uma das lembranças mais lindas que eu tenho da minha infância em Sete Barras eram as bonecas feitas de palha, palha de milho. Eram os presentes mais lindos que eu ganhava que uma pessoa podia ganhar.