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Silvio Rodrigues, Artesão

Publicado em 29 de março de 2011
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Despraiada hoje em dia é uma terra muito bonita, muito linda. Eu tenho orgulho de dizer que sou de lá. Nós temos um sítio lá, é nosso e não é. A gente não pensa em vender, o governo nem quer pagar. É muito sofrido lá, porque hoje em dia não term serviço.

Silvio Rodrigues nos conta um pouco das mudanças em sua vida com a transformação da região em santuário ecológico. trabalho de artesão.

Nosso sítio em Toledo tem mais de 50% de mata virgem

Publicado em 2 de março de 2011
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Silvio Fernando Rodrigues
Nasceu em 23/10/1970 em Pedro de Toledo. É artesão.

Saí do sítio porque era sofrido. Hoje o meio ambiente cai em cima, tem que ter jogo de cintura. Pra vender meu artesanato tinha que vir pra cidade. Meu pai era gameleiro, aprendeu enfermo, quando era picado por cobra. Fazia colher de pau, pilão, mas fazia quando estava se tratando, nunca pra ganhar dinheiro. Poucos da minha família se dedicaram ao artesanato, mas tinha carpinteiro, canoeiro, rabequeiro.

Também faço cesto de palha, pra carregar o peixe. Aprendi a fazer o cesto pra não carregar o peixe no saco plástico. Mas é muito difícil de arrumar o cipó. Aprende a fazer depois que apanha. Por mais que digam como é, tem que ser na prática.

Toledo era uma região boa, com futuro, era difícil querer sair de lá. Quando a estação ecológica foi pra lá, acabou-se. Dá tristeza, foi tão preservado pelos moradores, hoje tá tudo abandonado. Não tem mais morador. Não podia plantar, ia viver do que? Quem cuidou de lá foram os moradores. Nosso sitio tem mais de 50% de mata virgem. Não éramos empresários, fazíamos para o sustento. Não ia fazer pastagem, era pra sobrevivência. A briga é incansável, a gente não queria sair de lá. Quem está lá precisa sobreviver.

Registro é grande

Publicado em 19 de fevereiro de 2011
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Zenilda Souza Ferreira
Nasceu eu Registro em 22 de dezembro de 1975. Faz salgados e doces para fora.

Minha família é toda de Registro. Tenho origem portuguesa e de índios. É uma mistura
de cor lá em casa. Lembro das comidas, pirão, o cuscuz, do arroz, o bolinho de roda. A gente tenta trazer para nós pra não esquecer. Brincadeiras que não tem mais hoje. Eu gostava de brincar de coisas de menino, mas meus pais não gostavam. Hoje é tudo internet. Eu gostava de jogar futebol e de pipa.

A cidade de Registro era pouco desenvolvida. O que comandava aqui era o chá e a banana. Hoje em dia tem mais fábricas. Tá começando a melhorar.

Tinha muito baile. Era a única diversão que a gente tinha. Músicas alegres. Esperava amanhecer para voltar.

A gente via muito pouco meu pai. Ele trabalhava numa firma fora. Fui conviver com meu pai mesmo com 11 anos. Se não fosse por ele não estaríamos bem como estamos hoje. Quando ele saiu do serviço ele foi para a pesca. Hoje é o ganho dele. Vendemos filé de manjuba.

Tinha o bosque que a gente sempre ia. Era muito alegre, tinha bastante bicho. A praça que hoje está meio esquecida. As mães traziam os filhos. Hoje vem pouca gente aqui. Era um ponto turístico, não sei o que aconteceu.

Adoro trabalhar fazendo e vendendo doces e salgados. Comecei a fazer um curso disso e eu e minha irmã começamos a pensar: não tem trabalho, vamos então a meter a mão na massa. Fazia salgado pela manhã, vendia a tarde, cinco horas não tinha mais nada.

Meu sonho é pequeno. Gostaria de montar um negócio, um comércio no centro para vender os doces e salgados. As pessoas não dão valor para a coisa artesanal.

Esse projeto é bom porque as pessoas vão conhecer a nossa cidade. Registro é grande…

Na época já tinha invasão…

Publicado em 19 de fevereiro de 2011
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João Pereira
Nasceu em 03/06/42, em Jacupiranga. É artesão.

Minha mãe era neta de índio. Rodrigues vem dos Guarani. O avô dela era índio mesmo. Pereira é do meu pai, vem dos portugueses. Meu pai era lavorista. Ele tinha 10 alqueires de terra. Na época era fácil adquirir terra. Ele trocava terra por animais. Ele plantava mandioca, arroz, milho, feijão, cará, nhame, taiá. Nós criávamos porco, carneiro. Meu pai teve dez filhos, cinco homens e cinco mulheres. Trabalhamos na roça até certa idade. Quando ficamos mais velhos fomos saindo. Uma das minhas irmãs foi para São Paulo e me levou.

A minha escola era no Guarau. Minha primeira professora chamava Teresinha Groti, lembro dela até hoje. Andávamos de quatro a cinco quilômetros a pé todo dia para chegar na escola. Cheguei até a terceira série, sai da escola com 12 anos. Aí fui para São Paulo, fiquei uns oito anos. Mudei pra São Paulo e voltei para Registro umas três vezes.

Eu virei funcionário através do Feliciano Batista Canto. Eles estavam reconhecendo a área de Guarau. Trabalhei uns anos com ele lá. Eu era PO, operário para obras. Funcionário do Estado. Depois pedi transferência para São Paulo e me casei. Tive duas filhas lá. Depois voltei, trabalhei no escritório de Pariquera Açu, fiscalizava perímetros. Na época já tinha invasão de terras, vinha muito gente de fora, de São Paulo mesmo. Nunca teve uma fiscalização rígida para permitir que essas terras fossem patrimônio do Estado. Mas as pessoas plantavam. Eu fazia um relatório para dizer quando o sujeito entrou e o que ele fazia. Nunca soube o que eles faziam com aquele papel. Nunca vi uma retirada de família. Mas eu pensava que essas pessoas estavam certas, estavam lá plantando, criando os filhos, não tinham onde morar. Fazer o quê?

Aqui na região não tem mais terra do Estado. É tudo área invadida, o pessoal tem o direito de posse. Ou alguém fez a posse e vendeu para eles, ou eles mesmo se apossaram. Aí, em 1994, eu já estava cansado e me aposentei. Saiu a lei que poderia se aposentar pela proporcional. Daí eu pedi a contagem de tempo. Estava cansado desse trabalho, não tinha apoio.

Eu faço artesanato hoje, faço cestaria. Meu pai já fazia balaio, cesta para pesca e eu aprendi com ele. Depois de 80 para cá, eu comecei a entrar na coisa. Comecei a fazer coisas mais sofisticadas. Eu faço cesto de roupa, fruteira, chapéu. Eu faço da minha cabeça, só lembrando do passado.

Eu gostaria de achar um mercado que pudesse vender mais, é um sonho meu. Queria montar uma lojinha de artesanato.

A artesã

Publicado em 11 de fevereiro de 2011
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Maria José de Oliveira Silva

Maria José de Oliveira Silva
Nasceu em Amparo, Paraíba, em 14 de março de 1937. Mudou-se para Sete Barras em 1966. É artesã.

Hoje eu bordo, pinto e vendo. Tenho uma banquinha de doce e artesanato aqui em Sete Barras. Gosto muito de trabalhar, apesar de estar com idade. Não gosto de ficar parada.