Meu pai e meus tios vieram para Registro em 1952. Toda a família chama Leandro Gomes. Eles são todos de Pernambuco. Sabendo de São Paulo, vieram para cá trabalhar em bananais. Vieram atrás de trabalho honesto. Como são todos honestos, todos tiveram trabalho aqui.
Eu cresci em Cedro, Juquiá, um município daqui de Registro. Mamãe cavava rama de mandioca, num sítio pequeno que nós tínhamos e nós trabalhávamos na roça com ela, enquanto papai trabalhava nos bananais. Depois de um ano papai saiu no trabalho de diário e passou a plantar mandioca, não precisou mais trabalhar para ninguém. Dentro da própria terra da mandioca pode plantar milho, feijão, quiabo, abóbora, melancia, couve, alfa, cará, nhame, batata doce. Chegava noite de lua meu pai pegava o enxadão ele arava as terras para ficar fofa para dar uma boa plantação.
Aquele tempo não é igual a hoje. Nós trabalhávamos e tinha aquela roupinha para ir para escola. Andava dois quilômetros para chegar lá. O diretor tinha prazer em dizer para minha mãe que nós éramos bons alunos.
Tinha muito japonês na minha escola. Os japoneses gostavam muito de trabalhar e quando encontrava alguém que gostava de trabalhar eles davam sementes, plantas e ficavam amigos da gente.
Tinha um senhor, Paulo Alves de Oliveira, que começou a aprender a arte de fazer um monoclinho para vender. Ele passou essa arte para nós. Eu fazia isso em Juquiá e Registro. Olympus Pen, é uma máquina japonesa que eu usava. Dá meio quadro de um filme. Tirava fotos na festa de Reis e em todas as cidades crescentes. Fazia fila para tirar foto.
Nesta praça dos Expedicionários eu tirava muitas fotos. O povo vinha passear aqui de dia e de noite, casais de namorados. Eu tirava fotos e depois ia entregar na casa das pessoas. Na época cada monoclinho custava R$ 0, 50 e depois passou para R$ 1,00.
Geralmente eu batia na casa e oferecia para as pessoas. Até de casamento eu tirava foto de monoclinho. Eu não gostava de fazer isso, mas tirava foto de monoclinho até de morto. Hoje não se faz mais issso.
Casais de namorados tiravam muita foto de monoclinho. Desfile na cidade, 7 de setembro, aniversário da cidade. Todo mundo comprava com boa vontade, porque era uma lembrança gostosa. As pessoas queriam aparecer nas fotos.
Um sujeito tipo fazendeiro chegou para um amigo meu e pediu pra tirar umas fotos. Meu amigos desconfiaram, achando que o cara não iria pagar, tirou várias fotos só com flashes. Aí o cara falou: “Quanto custa?”. Ele chutou: “R$50,00“. E pagou adiantado. Ai ele sem saber o que fazer perguntou: “Colorida ou preta e branco?”, “ Colorida, eu estou tão bonito. “ Ai ele disse: “Deixa eu colocar cor na foto”. E bateu tudo de novo. Deu certo, né?
Eu estou vivendo ainda hoje disso. E olha que todo mundo tem máquina digital. Uma pessoa perguntou para mim: “Como você está vivendo? Deve estar passando fome, todo mundo tem máquina hoje. “ Eu respondi: “Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel.” Eu não vou dizer que não diminuiu, mas tenho que ter mais prudência.
Eu casei tive filhos, todos bem criados. Me separei. Eu tenho três filhas.
Meu sonho é ver uma Registro melhor. Gente sorrindo uma para outra e falando: “Vou te ajudar”.