Tag: Banana

Donizete de Oliveira

Publicado em 11 de março de 2011
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Os primeiros dias quando eu comecei a trabalhar nos escritório foi uma prisão. Sou acostumado com sítio, roçar, carregar banana no ombro. Então passar a ficar dentro de um escritório, só de vez em quando ir para a rua, foi uma adaptação difícil.

Vicente Braga

Publicado em 10 de março de 2011
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Meu pai veio para cá praticamente sem nada, e começou aqui a fábrica de banana passa, aquela banana seca. Eu vendia banana passa carregando nas costas, pedindo carona na beira da estrada. Vendia para todos os botecos da região

Vicente Braga nos conta um pouco da trajetória da fábrica do seu pai e um pouco da sua vida também

Jaime Alves

Publicado em 9 de março de 2011
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Caverna do Diabo em conheci todinha, de ponta-a-ponta. Fiz toda a travessia, todos os caminhos. eu cuidava do parque antes, aí fui me enturmando e acabei virando guia da caverna.

Jaime Alves conta como se tornou guia de turismo na Caverna do Diabo e um pouco da sua vida

Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Lauriano dos Santos
Nasceu em Registro em 22/10/1944. É político, aposentado.

Da parte da minha mãe as pessoas nasceram em Registro. Meu pai nasceu aqui, mas é de família turca. Eu nasci numa casa de pau a pique e vivi com toda a simplicidade que a pobreza impõe.

Eu tinha 10 anos quando cheguei na cidade. A praça chamava Dr. Benedito Martins Barbosa e não praça Jóia. A cidade começava ali. Eram ruas de terra e a energia acabava 10 horas da noite. Naquela época deveria ter 5.000 habitantes. Hoje devemos ter 70.000.

Era um bairro chamado Cerrinha, tinha uma comunidade negra. Era mais ou menos um Quilombo. A gente viveu ali. As pessoas de lá marcaram muito minha memória. Lembro do Nho Vitorino, Nho Maneco Balduíno. Uma vez fiquei doente e minha mãe falava que eu ia morrer. O Nho Maneco ficava segurando no meu braço. Nunca esqueci isso.

Tinha uns três quilômetros de distância da minha casa à escola. A gente ia a pé e descalço. Uma vez estava muito frio e eu não parava de tremer e minha professora Dona Ediviges me chamou e disse: “Venha à frente”. Eu fiquei com medo de tomar uma bronca porque estava tremendo. Aí ela chamou o filho dela: “Carlinhos venha à frente, dá esse casaco pra ele”. Ao término da aula fui devolver o casaco e ela disse: “Fique com o casaco”. Senti um calor humano, já contei isso em livros.

Trabalhei com chá. Aqui tinha o chá da Índia. A cultura do chá aqui em Registro foi marcada por isso, é um fator econômico importante para a cidade. Eu colhia o chá e depois trabalhei na fábrica. É uma forte companheira da babaneicultura. Depois com o avanço tecnológico de outros países acabou enfraquecendo a plantação aqui.

Naquela época era mais segregacional, os japoneses ficavam mais na deles. Depois isso mudou.

Eu tenho na marca da minha história de ter levantado o poste da primeira eletrificação rural do Brasil. Fui eletricista por um tempo. Depois prestei concurso e passei. Fui vereador, me reelegi e como eu queria ser um bom vereador, fui estudar. Até hoje sou considerado um dos melhores vereadores que teve na cidade, parece até falta de modéstia. Política para mim é o preço da consciência. Saí candidato a prefeito algumas vezes, mas não me elegi.

Tenho doze livros publicados. Mas não consigo guardar nada do que escrevo. Poesia para mim é aquele filho que você deixa no mundo. Tenho mil e tantos poemas escritos.

Eu amo o Rio Ribeira do Iguape e adoro o Bosque do Votupoca.

Estou com 66 anos e acho que meu sonho é viver bem. Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais.

Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Daniel Leandro Gomes
Nasceu 15/05/1959 em Caruaru, PE. Chegou em Registro em 1960 . É fotógrafo.

Meu pai e meus tios vieram para Registro em 1952. Toda a família chama Leandro Gomes. Eles são todos de Pernambuco. Sabendo de São Paulo, vieram para cá trabalhar em bananais. Vieram atrás de trabalho honesto. Como são todos honestos, todos tiveram trabalho aqui.

Eu cresci em Cedro, Juquiá, um município daqui de Registro. Mamãe cavava rama de mandioca, num sítio pequeno que nós tínhamos e nós trabalhávamos na roça com ela, enquanto papai trabalhava nos bananais. Depois de um ano papai saiu no trabalho de diário e passou a plantar mandioca, não precisou mais trabalhar para ninguém. Dentro da própria terra da mandioca pode plantar milho, feijão, quiabo, abóbora, melancia, couve, alfa, cará, nhame, batata doce. Chegava noite de lua meu pai pegava o enxadão ele arava as terras para ficar fofa para dar uma boa plantação.

Aquele tempo não é igual a hoje. Nós trabalhávamos e tinha aquela roupinha para ir para escola. Andava dois quilômetros para chegar lá. O diretor tinha prazer em dizer para minha mãe que nós éramos bons alunos.

Tinha muito japonês na minha escola. Os japoneses gostavam muito de trabalhar e quando encontrava alguém que gostava de trabalhar eles davam sementes, plantas e ficavam amigos da gente.

Tinha um senhor, Paulo Alves de Oliveira, que começou a aprender a arte de fazer um monoclinho para vender. Ele passou essa arte para nós. Eu fazia isso em Juquiá e Registro. Olympus Pen, é uma máquina japonesa que eu usava. Dá meio quadro de um filme. Tirava fotos na festa de Reis e em todas as cidades crescentes. Fazia fila para tirar foto.

Nesta praça dos Expedicionários eu tirava muitas fotos. O povo vinha passear aqui de dia e de noite, casais de namorados. Eu tirava fotos e depois ia entregar na casa das pessoas. Na época cada monoclinho custava R$ 0, 50 e depois passou para R$ 1,00.

Geralmente eu batia na casa e oferecia para as pessoas. Até de casamento eu tirava foto de monoclinho. Eu não gostava de fazer isso, mas tirava foto de monoclinho até de morto. Hoje não se faz mais issso.

Casais de namorados tiravam muita foto de monoclinho. Desfile na cidade, 7 de setembro, aniversário da cidade. Todo mundo comprava com boa vontade, porque era uma lembrança gostosa. As pessoas queriam aparecer nas fotos.

Um sujeito tipo fazendeiro chegou para um amigo meu e pediu pra tirar umas fotos. Meu amigos desconfiaram, achando que o cara não iria pagar, tirou várias fotos só com flashes. Aí o cara falou: “Quanto custa?”. Ele chutou: “R$50,00“. E pagou adiantado. Ai ele sem saber o que fazer perguntou: “Colorida ou preta e branco?”, “ Colorida, eu estou tão bonito. “ Ai ele disse: “Deixa eu colocar cor na foto”. E bateu tudo de novo. Deu certo, né?

Eu estou vivendo ainda hoje disso. E olha que todo mundo tem máquina digital. Uma pessoa perguntou para mim: “Como você está vivendo? Deve estar passando fome, todo mundo tem máquina hoje. “ Eu respondi: “Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel.” Eu não vou dizer que não diminuiu, mas tenho que ter mais prudência.

Eu casei tive filhos, todos bem criados. Me separei. Eu tenho três filhas.

Meu sonho é ver uma Registro melhor. Gente sorrindo uma para outra e falando: “Vou te ajudar”.

Registro é grande

Publicado em 19 de fevereiro de 2011
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Zenilda Souza Ferreira
Nasceu eu Registro em 22 de dezembro de 1975. Faz salgados e doces para fora.

Minha família é toda de Registro. Tenho origem portuguesa e de índios. É uma mistura
de cor lá em casa. Lembro das comidas, pirão, o cuscuz, do arroz, o bolinho de roda. A gente tenta trazer para nós pra não esquecer. Brincadeiras que não tem mais hoje. Eu gostava de brincar de coisas de menino, mas meus pais não gostavam. Hoje é tudo internet. Eu gostava de jogar futebol e de pipa.

A cidade de Registro era pouco desenvolvida. O que comandava aqui era o chá e a banana. Hoje em dia tem mais fábricas. Tá começando a melhorar.

Tinha muito baile. Era a única diversão que a gente tinha. Músicas alegres. Esperava amanhecer para voltar.

A gente via muito pouco meu pai. Ele trabalhava numa firma fora. Fui conviver com meu pai mesmo com 11 anos. Se não fosse por ele não estaríamos bem como estamos hoje. Quando ele saiu do serviço ele foi para a pesca. Hoje é o ganho dele. Vendemos filé de manjuba.

Tinha o bosque que a gente sempre ia. Era muito alegre, tinha bastante bicho. A praça que hoje está meio esquecida. As mães traziam os filhos. Hoje vem pouca gente aqui. Era um ponto turístico, não sei o que aconteceu.

Adoro trabalhar fazendo e vendendo doces e salgados. Comecei a fazer um curso disso e eu e minha irmã começamos a pensar: não tem trabalho, vamos então a meter a mão na massa. Fazia salgado pela manhã, vendia a tarde, cinco horas não tinha mais nada.

Meu sonho é pequeno. Gostaria de montar um negócio, um comércio no centro para vender os doces e salgados. As pessoas não dão valor para a coisa artesanal.

Esse projeto é bom porque as pessoas vão conhecer a nossa cidade. Registro é grande…

Restaurante

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Nair de Almeida Bonilho
Nasceu em Eldorado, 28/10/1952. É cozinheira.

Todos os meus avôs já eram daqui de Eldorado. Eles moravam na zona rural, mexiam com banana, milho, pesca…Eu também vivi na zona rural até os 8 anos de idade. Os meus pais trabalhavam na roça e eu os ajudava, cuidando dos meus irmãos. Mas era muito duro, muito, que eu até apaguei da minha memória.

Depois mais tarde eu mudei para a cidade de Eldorado. Com 14 anos eu fui morar em São Paulo, onde morei por muito tempo. Eu fui trabalhar lá em São Paulo pra ajudar a família e lá no bairro da Vila Mariana eu fiquei por 19 anos. Eu lembro que quando eu cheguei lá eu chorava muito de vontade de vir embora. Mas a vida aqui era muita miséria, então acabei me acostumando.

E foi lá que eu conheci o meu marido. Ele trabalhava numa casa de massas e morava perto de mim. Foi numa praça que eu o conheci. Mas foi uma amiga que me apresentou a ele, e ela também tinha interesse nele! Eu tinha 22 anos quando me casei e fomos morar com os pais dele por uns 3 anos. Logo depois conseguimos uma casinha nossa e fomos trabalhando e melhorando um pouco de vida. Tivemos 5 filhos, 2 deles adotados.

E uma das coisas que me fez vir embora era pagar o aluguel todo mês. E também a casa de massa onde trabalhava meu marido era sempre assaltada, muita violência. Mas teve também a saudade. Eu tinha muita saudade da minha terra. Eu queria criar meus filhos livres, porque em São Paulo era tudo preso. Então voltei pra cá.

Eu já passei necessidade aqui. Já pedi esmola. E quando eu trabalhava em São Paulo, o prato de comida que a patroa dava era muito pequeno e eu passava fome. Então fui aprender a cozinhar para comer melhor. E aí fui aprendendo, lendo revistas e aprendi.

Aí eu trabalhei quase 8 anos na cozinha do dono do mercado. Na época eu comecei a ficar doente por conta do calor do forno, de outras coisa do trabalho, e fiz um acordo e peguei um dinheiro. Aí com esse dinheiro eu investi no restaurante. Agora todos os meus filhos me ajudam, também o meu marido, que é o melhor homem do mundo, e já estou com o restaurante Shalom há mais de 7 anos. Dizem que depois de 5 é porque deu certo, e eu já estou com 7!

Com 12 anos, já cozinhava

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Maria Benedita da Costa
Nasceu em Eldorado, 15/02/1955. É comerciante.

Desde pequena eu morava com os meus pais num sítio aqui de Eldorado, em Bananal Pequeno. A gente plantava arroz, feijão, essas coisas de roça. Nós éramos em 12 irmãos. O que eu gostava de fazer era subir na goiabeira e não deixar a minha irmã subir pra ela ficar debaixo gritando, com medo dos porcos bravos que a gente tinha. Era esse tipo de brincadeira que eu fazia.

Mesmo a cidade de Eldorado era bem barrenta, meio deserta. Não tinha estrada pra vir pra cá. A gente vinha pra cá a cavalo mesmo. Mas com 12 anos uma senhora foi na casa da minha mãe dizendo que tinha uma pessoa em São Paulo que precisava de alguém pra cozinhar, lavar e fazer comida e minha mãe me mandou. Então fui pra São Paulo, mas eu nem saía muito porque morava com a patroa e eu era muito nova ainda.

E eu, com 12 anos, já cozinhava, fazia tudo na cozinha. Eu sempre fui assim, tudo o que eu pego, com ou sem receita, eu faço. E nesse primeiro emprego eu fui pra uma outra casa e depois voltei pra trabalhar aqui em Eldorado. Ainda voltei pra lá de novo, mas acabei retornando pra cá, pra minha cidade natal. Eu cansei de São Paulo, cansei da poluição. Eu tenho muita alergia e às vezes eu precisava levantar no meio da noite pra pingar colírio. Aí resolvi voltar.

Aí na volta eu passei um bom tempo pagando o aluguel. Mas chegou um momento que eu acertei 6 pontos e ganhei um dinheirinho! Foi quando eu dei entrada na minha casa. Daí pra frente eu comecei a trabalhar como vendedora. Faço produtos culinários, vendo. Também trabalho com moda íntima. Tudo eu vendo. E faz 3 anos que eu represento a cidade de Eldorado no projeto Revelando, onde eu mostro um pouco da culinária da região pra outras cidades.

Fábrica de banana passa

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Vicente de Paulo Braga
Nasceu em Eldorado, 19/07/1945. É aposentado.

Eu ainda nasci em Xiririca, que virou Eldorado em 1947. Meus pais também são daqui. Meu pai perdeu os pais quando criança, foi pra Santos, ficou no meio na rua, mas conseguiu virar bombeiro e, mais tarde, quando desistiu da profissão, voltou pra Eldorado. Aliás, meus avós também eram de Xiririca. Uma parte veio na época do café e acabaram ficando por aqui.

A minha casa de infância ficava do lado da Igreja Matriz. Lá eu nasci e vivi até os 15 anos. Era uma casa de uma tia minha, onde vivia meus pais, eu e mais 7 irmãos. Tinha também um tio que morava lá. Era uma casa grande, dessas de sair correndo da porta da frente e chegar só 10 minutos na porta dos fundos. Mas essas casas antigas de Eldorado estão acabando.

Como na época não existia muito trabalho aqui em Eldorado, meu pai inventou de começar a fazer aquela banana seca, a banana passa. Já tinha uma fábrica na região, mas aqui na cidade meu pai iniciou. Eu tenho a primeira nota da venda dessas bananas. Eu colocava nas costas e saía pra vender aqui na região. Eu era molecão, e saía pelas cidades pra distribuir. Mas o meu pai, acho que por inocência, não sei, por excesso de confiança, assinou um contrato em que perdeu tudo o que tinha.

Eu ia pra escola a pé, fazendo 4 quilômetros todo dia com qualquer tempo. Mas a infância era bem divertida. Pegava lata de sardinha, enfiava num pedaço de pau e já era um tratorzinho. E depois na adolescência tinha o carnaval, os bailes, mas nada com drogas. Depois de certo horário já as mulheres tinham ido embora. As vezes as pessoas queriam encerar as casas, passava a cera e no baile as pessoas poliam, raspando o pé!

Depois da fábrica de banana com o meu pai, fui ser mecânico. Eu fui mecânico por um bom tempo aqui. Fiz isso até quando eu me aposentei. Na época a minha esposa foi fazer uma check up em Registro e não sei bem até hoje como, assim que ela entrou pra fazer o check up, entrou em coma! Ai abandonei a mecânica, hoje faço as minhas coisas, vou me virando. Com essas coisas a gente sai um pouco de órbita.

Sete Barras

Publicado em 1 de fevereiro de 2011
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Sete Barras é um município do estado de São Paulo, localizado na região do vale do Ribeira e com população estimada de cerca de 13 mil habitantes.

Diz a lenda que o nome Sete Barras deve-se a sete barras de ouro enterradas por um explorador espanhol, que ainda estão sob o solo em alguma parte do município. O ouro foi enterrado em uma tentativa de evitar o pagamento de impostos ao governo português. O explorador nunca mais encontrou tais barras de ouro e essa história posteriormente deu nome à cidade.

Sete Barras tem como atividade econômica principal a agricultura. O principal produto é a banana, usada principalmente para exportação. As atividades comerciais e industriais giram ao redor da produção de banana. Também explora-se o palmito pupunha em menor proporção. Além disso, o parque Carlos Botelho é uma opção de turismo na cidade (foto abaixo).

Mapa com localização de Sete Barras

Crédito do mapa: imagem extraída da Wikipédia, sob licença CC BY-SA 3.0, de autoria de Raphael Lorenzeto de Abreu.

Crédito das fotos: Imprensa/ Prefeitura