Tag: casamento

Masakazu Nishidate, Produtor Rural

Publicado em 29 de março de 2011
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Eu casei com 27 anos, em 1948. Naquela tempo era o sistema japonês, mulher era dificil de conhecer. Tinha gente que fazia o meio. Sem conhecer, sem fazer nada, tem que casar. Não dá para acreditar agora, mas não sentia nada no começo.

Masakazu nos conta como se casou com sua mulher e como foi a vida a dois.

Eu a amava e deveria ter dito isso a ela

Publicado em 23 de março de 2011
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Masakazu Nishidate
Nasceu em Asahikawa Hokkaido, Japão. Produtor rural e pescador aposentado.

Quando vim para o Brasil, eu sei que a situação era ruim para viver no Japão. Meus pais vieram contratados, obrigados a trabalhar em uma fazenda de café, trabalharam lá durante um ano e depois viemos para Iguape.peixe
Antes trabalharam em uma fazenda em Sete Barras e não gostaram, pois era no morro e as pessoas que estavam lá se queixavam. A família Nakamura nos chamou para ir para a colônia Jipovura, bairro onde se formou a primeira colônia de japoneses. Eles tiveram que trabalhar mais de um ano. Eu tinha 10 ou 11 anos.
Quando chegamos à colônia eles falavam mais português que japonês, logo eu entrei na escola da fazenda e a maioria era japonês na sala e só falam em japonês, a professora era brasileira e ficava brava. Como eu tinha estudado no Japão eu já sabia fazer conta.

Quando o meu irmão do meio morreu, eu fui trabalhar com o meu pai com a máquina de feitoria de arroz e tive que deixar a escola. Nessa época nós compramos um lote para plantar arroz. Em 1938 o meu irmão mais velho também morreu, ele teve problema de pulmão e para fazer tratamento ele foi pra Campos de Jordão e pra pagar o tratamento nos perdemos o nosso lote. Nós compramos também a fábrica de pinga Bandeirantes, naquele tempo moía a cana com cavalo, comprávamos garrafas vazias e os rótulos, engarrafávamos e colocávamos o rotulo. Compramos um trator pra ajudar na plantação de arroz, depois plantamos verdura que era vendida através da cooperativa. Por último em 1963 começamos a pescar manjuba e continuamos até 1975.

Eu comprei uma fabrica de pesca e passamos a depender da pesca, porque a plantação de arroz ficou abandonada, pois dava muito trabalho e ninguém queria cuidar dela. Eu passei a fornecer material para os pescadores e nós ficávamos com a produção, os peixes eram vendidos para o CEASA tanto o fresco como o salgado, antigamente tinha muito consumo de peixe, hoje em dia o peixe está muito caro.
Casei-me com 27 anos através do sistema japonês, tinha uma pessoa que fazia o intermédio nakado, e nós conhecíamos a noiva no dia do casamento, era muito difícil. Ela trabalhava na casa. Eu tive 7 filhos, 4 homens 3 mulheres. Os casamentos na colônia japonesa não deveriam ser como antigamente, as pessoas casavam sem se conhecer, por causa desse jeito de casar eu achava que não amava a minha esposa, mas agora que ela morreu eu sei que eu a amava e deveria ter dito isso a ela, para ela ter morrido mais feliz.

Lucia Vieira

Publicado em 10 de março de 2011
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A gente se conhecia da escola, desde o prezinho. Aí eu namorava, terminei o namoro, ele namorava e terminou também. Aí fomos chorar as mágoas um para outro, fomos conversando, fomos nos aproximando. E estamos juntos.

Lucia Vieira nos conta como começou a namorar se marido, um pouco do seu casamento e um pouco da sua infância

César Gomes

Publicado em 9 de março de 2011
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Na noite que cheguei, lembro bem que estava com um terno branco bem bonito. Era uma festa de São João. Ali tinha 6 moças querendo me paquerar e eu não sabia com quem ficava. Eu fiz um plano “Eu vou ficar com aquela que ficar a noite comigo”. Porque as mulheres aqui vão indo embora cedo, Aí foi saindo uma, outra, e ficou a minha esposa, Maria das Dores Gomes, com quem estou até hoje.

César Gomes nos conta como foi que acabou se casando com sua esposa e também um pouco da sua trajetória na cidade.

Lélis Ribeiro

Publicado em 4 de março de 2011
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Começou em 1995, na praça. A gente começou a ficar, na época já podia ficar. E quem casou a gente foi a enchente, na verdade. A minha casa ficou alagada, o acesso a casa dela também.

Roberto Lélis é biólogo e nos contou um pouco sobre o seu casamento e sua infância

José Milton Galindo

Publicado em 4 de março de 2011
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Passei primeira vez pela região em 1972, via cidade e fiquei horrorizado. Mal sabia eu que dez anos depois eu voltaria para morar. Vim para ficar seis meses e acabei ficando.

José nos conta sua chegada na cidade, um pouco da sua infância e como conheceu a sua esposa

Abre a porta Sagrada que nós vamos entrar

Publicado em 26 de fevereiro de 2011
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Maria das Neves Rocha Silva
Nasceu em Iguape em 16 de outubro de 1940. Dona de casa.

O meu pai era, por incrível que pareça, africano. Minha avó por parte de mãe, era descendente de italiano. Meus bisavôs apanharam muito, foram chicoteados. Os pais da minha mãe, que eram italianos, vieram para cá de navio se esconder da guerra.

Eu nasci aqui, mas me criei no bairro do Retiro, na zona rural, trabalhava na lavoura. A cidade para mim era novidade. Não via a hora de chegar as festas. A gente demorava seis horas de canoa para chegar aqui.

Fandango eu comecei alugado num tio meu. Depois resolvi fazer em casa, coloquei os móveis pro lado de fora, fazia batida caiçara que é amendoim com leite condensado. O meu fandango sempre aumenta, cada vez mais ia aparecendo mais gente. A turma fala que é porque eu sou muito comunicativa.

Nós dançamos quadrilha caiçara, são 45 minutos de dança. Faz com noiva, cavalo, padrinho. Tem um moço que ensaia a gente.

Tem o baile, a fogueira e nesse meio tem a Folia de Reis. Faz 26 anos que eu estou fazendo a Folia de Reis. É tudo parte do Fandango. Eles dançam das onze às quatro horas da madrugada. Quero começar a ensaiar os menores para deixar no lugar da gente.

Sai muito casamento. Durante três anos fizemos 18 casamentos. O homem chega lá viúvo já conhece uma pessoa e começa a namorar. Tem um banco de cada lado do salão. Mulher de um lado e homem do outro. O cavaleiro tem que tirar a dama.

Fandango começou pela zona rural. O pessoal fazia o baile e ganhava a comida. Com 8 anos já aprendia o fandango. Os violeiros moraram do outro lado do rio seu Beneditinho, na rabeca. São seis instrumentos.

No fim do ano fiz um grupo de Reisada. Apaga a luz à noite, para nas casas e canta. A gente avisa antes que vai acontecer isso. Aí falamos: “Abre a porta Sagrada que nos vamos entrar”. Aí abrem a porta , a gente entra come, apresenta três musicas do Fandango e sai. Daí vai para outra casa e o pessoal vem acompanhando a gente. Neste ano acho que tinha umas 500 pessoas.

Aqui tem a festa de Bom Jesus, depois São Benedito, Espírito Santo, Corpus Christi que enfeita a rua. Depois na Zona Rural, são quatro comunidades.

A festa de São Jesus é a maior, são oito dias de festa. Foram os portugueses que jogaram São Benedito na água que veio parar lá no alto do Rio Verde. Os pescadores acharam ele lá. Lavaram ele na cachoeira, pois ele estava todo sujo na areia e aí iam levar para Cananéia, mas ficava pesado, depois escolheram outro lugar e não conseguiram porque ficava pesado. Quando disse que ia deixar em Iguape levantaram o santo e conseguiram erguer. Ele ficou junto com a Nossa Senhora das Neves que é a padroeira da cidade. Ainda hoje se comemora a data dos dois santos.

O Rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Antonio Rodrigues de Souza
Nasceu em Iguape em 07/09/1940. Chegou em Registro em 1979. Funcionário público, aposentado.

Minha família é de origem portuguesa e espanhola. Tive três irmãos que faleceram, vivo só resta eu e minha irmã. Eu morava no sítio, não era uma terra muito boa. Criava galinha, porco e plantava. Comecei a trabalhar com meu pai com a idade de 7 anos.

Um tempo freqüentei a Escola Municipal, depois ela fechou. Eu lembro de uma professora, a Dona Maria Aranha, a filha dela também estudava lá. Ela era brava e mansa. Naquela época a professora era uma segunda mãe da gente. Quando chegava a hora do recreio você oferecia voluntariamente para encher as vasilhas da professora. Para a professora tomar banho e fazer comida. A professora morava num puxadinho do lado da escola. A escola ficava uns 8 Kms de casa, eu ia à pé, demorava uma hora e meia para chegar. Quando eu chegava em casa eu ia comer alguma coisa e o pai já chamava a gente para trabalhar na roça.

Matraca tem duas argolas e é feita de madeira. A gente usava para plantar arroz, feijão e milho. Esta região do Vale do Ribeira foi o maior produtor de arroz. Foi até representante em Milão. Ali onde é o KKK ficava a máquina de beneficiar o arroz. O vapor Bento Martins fazia o transporte do arroz.

Eu saí do Município de Iguape e fui morar no sítio da família da minha esposa, mas era muito pequeno lá e morava muita gente. Fui desgostando daquilo e eu disse para minha mulher: Vou embora para a cidade. Daí viemos para Registro.

Conheci minha mulher no vapor. Minha esposa já tinha me visto com outra moça numa festa em Itapetininga. Aí eu vim para Registro e minha esposa perguntou: “Você já casou?”. Eu disse: “Não, aquele namorinho é bobagem”. E ela: “Olha me fale a verdade”. Daí começamos a namorar.

Fiz concurso para prefeitura e passei. Era encarregado de pessoal. Depois tinha lá a parte que era do Ministério do Trabalho e me chamaram para trabalhar no lugar de uma moça do que ficou doente. Mas eu não sabia nada daquilo, mas o chefe gostou de mim e não me deixaram mais sair. Fui substituir por oito meses fiquei dezoito anos. Aprendi tudo.

Registro agora é a capital do Vale do Ribeira, antes era a capital do Chá.

Eu gostava de ir na beira rio. Uma enchente é bonita, o problema é que faz estrago. O rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha. Quando o vapor grande portava, punha uma prancha grande para a gente descer. Diminuiu muito o volume de água.

Aqui teve ouro. Tiravam daqui e deixavam registrado aqui o valor que ia para Portugal.

Quem trouxe o progresso aqui foi a BR 116.

Eu tenho o sonho de viver mais um pouco, ter saúde. E que meus netos tenham uma situação melhor. Eu já passei cada situação difícil.

Éramos unidos

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Janice Valquiria de Azevedo
Nasceu em Registro em 14/03/1977. É comerciante e dona de casa.

Minha família é toda de Registro. Meus pais se conheceram aqui e foram morar no Morro São João. Foi lá que eu nasci. Somos em nove irmãos. Eu sempre brincava em turma. Éramos unidos. Brincava de bolinha de gude, pipa, pegava lata de óleo vazia as outras amigas vinham e faziam de conta que estavam comprando, pedras eram sacos de arroz.

Minha casa tinha sete cômodos e um barzinho na frente. Meu pai tinha uma banca de peixe no mercado. Minha mãe era lavadeira do hospital São João. Enquanto ela estava trabalhando meu irmão olhava o bar. A tarde meu pai que tomava conta.

A juventude eu não curti muito. Quando fiz quinze anos minha mãe faleceu de derrame. Ai eu casei com essa idade, e tive três filhos. Hoje eu sou pai e mãe dos meus filhos. Ser mãe deu mais responsabilidade para mim.

Eu comecei vender lingerie e comecei a guardar tudo o que vendi e abri um mini comércio na minha casa. Meu negócio é ser vendedora. Daí precisei vender a loja, fechei e voltei para Registro. Fui morar em casa de aluguel na casa em São Francisco. Logo que eu cheguei minha casa pegou fogo. Perdi tudo, mas eu consegui salvar meus filhos.

A dificuldade que temos aqui são as enchentes. Quando você acha que conseguiu alguma coisa você perde tudo, pois vem a chuva e leva tudo. Comigo não aconteceu, mas já aconteceu com vários amigos meus. Geralmente acontece isso todo ano. Esse ano já avisaram a gente para desocupar a área.

Meu segundo filho chama John Lenonn Kaiek de Azevedo, porque eu sou muito fã dos Beatles. Os outros chamam: se Jhil Everton Patrick de Azevedo e o outro Jheniffer Estefkini de Azevedo.

Teve um concurso gospel aqui na cidade que eu participei e desde esse dia me convidaram para sair cantando nas igrejas. Hoje eu vou três vezes por semana.

Meu sonho hoje é ter a casa própria e dos meus filhos também.

Ave bonita quando morre deixa pena, onça bonita deixa o couro, e gente? Gente deixa o nome

Publicado em 19 de fevereiro de 2011
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Yoneco Seimaru
Nasceu em Registro em 23 de outubro de 1933. Comerciante de pastéis, aposentada.

Meu pai saiu do Japão, porque a província onde ele morava era bem pequena. Ele trabalhava com pesca. Ele queria vida melhor, foi para o Peru, Lima. Ele não sabia que lá não chovia. Ele plantava e não dava. O sonho dele era ganhar dinheiro, como não deu certo ele procurou outro país. Foi para a Bolívia, trabalhou na construção da Estrada de Ferro, mas tinha problema de droga. Aí ele procurou o Chile, lá deu certo com a pescaria, mas não tinha quem comprasse.

Aí inventaram de vir para o Brasil. Vieram a pé, tinha carabina, facão e rede para dormir. A única coisa que ele tinha medo a noite era de cobra, índio e onça. Assim conseguiu chegar em Belém do Pará. Lá tinha um engenheiro japonês e ele começou a trabalhar com picadão. Aí foi para Manaus trabalhar com pimenta do reino e depois foi trabalhar com borracha. Daí ele pegou doença e quase morreu. Aí ele desceu para São Paulo. Trabalhou na Sorocabana, depois veio para Registro na colônia japonesa. Demorou quinze anos para chegar aqui. E a minha mãe esperando no Japão. Ele não tinha mais contato com ela quase. Ele voltou lá para buscá-la. Os filhos não aceitaram e nem a minha mãe. Mas depois todos aceitaram. Aí aconteceu a Guerra Mundial e eles nunca mais voltaram para lá.

Lembro da Guerra. Os soldados entravam nas casas e nos sítios aqui em Registro para achar livros e algumas cartas do Japão. Meus pais quando escutavam barulhos de cavalo, corriam para a mata. Só deixavam eu e minha irmã. Eles perguntavam: “Cadê papai? “ A gente respondia: “Papai não está”. Eu tremia que nem louca. Procuravam coisas dentro de casa e não achavam. Aí iam embora.

Eu pedi muito para meu pai para estudar. Meu pai nunca deixou, ele achava que não precisava. Depois que acabou a guerra ficou mais calmo. Criaram-se as associações. Aí a gente começou a conhecer os jovens.

Quando chegava a época de casar, os pais falavam: “Fulana de tal é boa”. Aí arrumava um padrinho e ele que falava com o pai da noiva sobre o fulano. Era tudo combinado dos dois lados. Eu queria estudar não queria casar. Meu pai falou: “As meninas não podem estudar, tem que arrumar família”. Mesmo depois que tive filhos pensei em estudar. Depois de sessenta e oito anos fui aprender japonês. Depois fiz um monte de coisas, como: ikebana e dança japonesa.

Meu marido mandava muitos jovens para o Japão e quando terminava de fazer a papelada ele falava: “Vocês não podem esquecer três frases: “Ave bonita quando morre deixa pena, onça bonita deixa o couro e gente? Gente deixa o nome”.

Meu sonho é viajar. Já viajei o Brasil inteiro. Adoro. Eu penso em ir para a Itália. Eu acho que vou conseguir.

Eu sempre tive um sonho de ser professora

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Odete dos Santos Sátiro
Nasceu em Eldorado, 30/03/1937. É professora.

Eu nasci no bairro Carvão, no município de Eldorado. Eu nasci em casa mesmo. Naquele tempo não havia nem mesmo meios para que o pessoal fosse pra cidade. Os partos eram feitos em casa com as mãezinhas, as parteiras.

Enquanto nós éramos em 6 irmãos, eu morava com eles. Depois meu pai me trouxe pra cidade quando eu tinha 5 anos de idade pra morar com um casal de idosos. Meu pai era canoeiro, e numa das entregas numa loja eles pediram se não tinha uma menina pra fazer companhia para eles. Eu pedi para meu pai me levar e acabei vindo pra cidade de Xiririca, como era chamada antigamente Eldorado. E esse casal de idosos me criou como filha. Fui muito bem criada e tive boa educação, que era uma coisa que a minha madrinha queria.

Quando eu estava com 17 anos, o meu padrinho ficou com câncer e foi se tratar em São Paulo. Ele ficou na casa dos filhos dele durante 2 anos e eu ficava só com a minha madrinha. Pouco depois disso eu me casei, tinha 20 anos e fui morar onde eu moro até hoje. Tive 4 filhos.

Na década de 70 eu já trabalhava de dia e estudava a noite porque queria me formar. Assim que me formei, passei a dar aulas, virei professora. Eu me formei em 82, e naquela época havia muito preconceito porque eu estudei de mais velha. Mas eu continuei e dei aula até me aposentar. Eu nunca me senti menor porque eu era negra, mesmo com o preconceito. Eu sempre tive um sonho de ser professora. Não deu quando eu era mais nova, então resolvi ser depois. E fui. Nunca é tarde pra pessoa conseguir o que se quer.

Restaurante

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Nair de Almeida Bonilho
Nasceu em Eldorado, 28/10/1952. É cozinheira.

Todos os meus avôs já eram daqui de Eldorado. Eles moravam na zona rural, mexiam com banana, milho, pesca…Eu também vivi na zona rural até os 8 anos de idade. Os meus pais trabalhavam na roça e eu os ajudava, cuidando dos meus irmãos. Mas era muito duro, muito, que eu até apaguei da minha memória.

Depois mais tarde eu mudei para a cidade de Eldorado. Com 14 anos eu fui morar em São Paulo, onde morei por muito tempo. Eu fui trabalhar lá em São Paulo pra ajudar a família e lá no bairro da Vila Mariana eu fiquei por 19 anos. Eu lembro que quando eu cheguei lá eu chorava muito de vontade de vir embora. Mas a vida aqui era muita miséria, então acabei me acostumando.

E foi lá que eu conheci o meu marido. Ele trabalhava numa casa de massas e morava perto de mim. Foi numa praça que eu o conheci. Mas foi uma amiga que me apresentou a ele, e ela também tinha interesse nele! Eu tinha 22 anos quando me casei e fomos morar com os pais dele por uns 3 anos. Logo depois conseguimos uma casinha nossa e fomos trabalhando e melhorando um pouco de vida. Tivemos 5 filhos, 2 deles adotados.

E uma das coisas que me fez vir embora era pagar o aluguel todo mês. E também a casa de massa onde trabalhava meu marido era sempre assaltada, muita violência. Mas teve também a saudade. Eu tinha muita saudade da minha terra. Eu queria criar meus filhos livres, porque em São Paulo era tudo preso. Então voltei pra cá.

Eu já passei necessidade aqui. Já pedi esmola. E quando eu trabalhava em São Paulo, o prato de comida que a patroa dava era muito pequeno e eu passava fome. Então fui aprender a cozinhar para comer melhor. E aí fui aprendendo, lendo revistas e aprendi.

Aí eu trabalhei quase 8 anos na cozinha do dono do mercado. Na época eu comecei a ficar doente por conta do calor do forno, de outras coisa do trabalho, e fiz um acordo e peguei um dinheiro. Aí com esse dinheiro eu investi no restaurante. Agora todos os meus filhos me ajudam, também o meu marido, que é o melhor homem do mundo, e já estou com o restaurante Shalom há mais de 7 anos. Dizem que depois de 5 é porque deu certo, e eu já estou com 7!

O pessoal de Eldorado é muito acolhedor

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Valéria Guimarães Gomes França
Nasceu em São Paulo, 13/08/1981. Mudou-se para Eldorado em 1999/2000. Está atualmente desempregada.

A minha infância foi muito humilde, mas bacana. Sempre brinquei muito com o meu irmão, conversava muito com os meus pais. Fui uma criança saudável, de brincar de pipa, pega pega, essas coisas. Isso lá em São Paulo.

Dessa época eu lembro que eu ia muito mal no colégio e cheguei a mudar pra outro colégio. Mas antes de terminar o colégio, eu casei e tive a minha filha. O meu marido não deixava eu trabalhar, então eu fiquei em casa durante os 4 anos que estivesse com ele. A minha família já tinha um sítio por esses lados de Eldorado. Quando meu pai ficou desempregado, ele veio para cá e arranjou trabalho por aqui. Aí, quando eu me separei, vim pra cá e abri uma lanchonete na rodoviária. Foi mesmo o meu primeiro trabalho, que foi aqui em Eldorado.

Mas as minhas primeiras impressões aqui fora péssimas. Eu estava tão acostumada com o ritmo correndo de São Paulo, que eu ficava louca pra ir embora porque aqui tinha tudo um ritmo mais lento. Eu ia na padaria pedir o pão e demorava. Depois me acostumei e acontece que eu fico alguns anos aqui e outros em São Paulo, e mesmo quando eu estou lá, qualquer feriadinho eu venho pra cá. O pessoal daqui é muito acolhedor. Mesmo eu que não sou daqui, fui sempre muito bem recebida.