Tag: enchente

Moisés Moreira

Publicado em 26 de abril de 2011
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Moisés Moreira, nascido em Eldorado, 42 anos.

Sempre aconteciam enchetes por aqui, e a primeira vila da cidade foi tomada pela água da enchente e então mudaram a vila para o alto. Com isso houve a miscigenação cultural que existe hoje, moradores passaram a viver da produção de artesanato, os quilombolas, mantendo seus costumes, lendas e tradições.

Noel Castelo

Publicado em 4 de março de 2011
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A gente morava numa casa que chamava casa grande. E era isso mesmo, uma casa grande. Morava a minha família e a família do meu pai, meus tios. Tinha divisórias dentro da casa e a gente dividia a cozinha.

Noel Castelo nos conta os hábitos de sua infância e um pouco das histórias que seu pai contava

Lélis Ribeiro

Publicado em 4 de março de 2011
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Começou em 1995, na praça. A gente começou a ficar, na época já podia ficar. E quem casou a gente foi a enchente, na verdade. A minha casa ficou alagada, o acesso a casa dela também.

Roberto Lélis é biólogo e nos contou um pouco sobre o seu casamento e sua infância

José Milton Galindo

Publicado em 4 de março de 2011
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Passei primeira vez pela região em 1972, via cidade e fiquei horrorizado. Mal sabia eu que dez anos depois eu voltaria para morar. Vim para ficar seis meses e acabei ficando.

José nos conta sua chegada na cidade, um pouco da sua infância e como conheceu a sua esposa

O Rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Antonio Rodrigues de Souza
Nasceu em Iguape em 07/09/1940. Chegou em Registro em 1979. Funcionário público, aposentado.

Minha família é de origem portuguesa e espanhola. Tive três irmãos que faleceram, vivo só resta eu e minha irmã. Eu morava no sítio, não era uma terra muito boa. Criava galinha, porco e plantava. Comecei a trabalhar com meu pai com a idade de 7 anos.

Um tempo freqüentei a Escola Municipal, depois ela fechou. Eu lembro de uma professora, a Dona Maria Aranha, a filha dela também estudava lá. Ela era brava e mansa. Naquela época a professora era uma segunda mãe da gente. Quando chegava a hora do recreio você oferecia voluntariamente para encher as vasilhas da professora. Para a professora tomar banho e fazer comida. A professora morava num puxadinho do lado da escola. A escola ficava uns 8 Kms de casa, eu ia à pé, demorava uma hora e meia para chegar. Quando eu chegava em casa eu ia comer alguma coisa e o pai já chamava a gente para trabalhar na roça.

Matraca tem duas argolas e é feita de madeira. A gente usava para plantar arroz, feijão e milho. Esta região do Vale do Ribeira foi o maior produtor de arroz. Foi até representante em Milão. Ali onde é o KKK ficava a máquina de beneficiar o arroz. O vapor Bento Martins fazia o transporte do arroz.

Eu saí do Município de Iguape e fui morar no sítio da família da minha esposa, mas era muito pequeno lá e morava muita gente. Fui desgostando daquilo e eu disse para minha mulher: Vou embora para a cidade. Daí viemos para Registro.

Conheci minha mulher no vapor. Minha esposa já tinha me visto com outra moça numa festa em Itapetininga. Aí eu vim para Registro e minha esposa perguntou: “Você já casou?”. Eu disse: “Não, aquele namorinho é bobagem”. E ela: “Olha me fale a verdade”. Daí começamos a namorar.

Fiz concurso para prefeitura e passei. Era encarregado de pessoal. Depois tinha lá a parte que era do Ministério do Trabalho e me chamaram para trabalhar no lugar de uma moça do que ficou doente. Mas eu não sabia nada daquilo, mas o chefe gostou de mim e não me deixaram mais sair. Fui substituir por oito meses fiquei dezoito anos. Aprendi tudo.

Registro agora é a capital do Vale do Ribeira, antes era a capital do Chá.

Eu gostava de ir na beira rio. Uma enchente é bonita, o problema é que faz estrago. O rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha. Quando o vapor grande portava, punha uma prancha grande para a gente descer. Diminuiu muito o volume de água.

Aqui teve ouro. Tiravam daqui e deixavam registrado aqui o valor que ia para Portugal.

Quem trouxe o progresso aqui foi a BR 116.

Eu tenho o sonho de viver mais um pouco, ter saúde. E que meus netos tenham uma situação melhor. Eu já passei cada situação difícil.

O negro do Vale do Ribeira está perdendo a identidade

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Juceli Carla Silva de Oliveira
Nasceu em Cananéia em 24/04/1978. Chegou em Registro em 1983. É professora de educação infantil.

Minha família é natural de Eldorado. Meu pai trabalhava na CESP e foi transferido para Cananéia onde eu nasci. Eu tinha cinco anos quando chegamos em Registro. A gente brincava muito em família, não era muito de freqüentar a casa dos vizinhos.

Eu me lembro de Registro com algumas enchentes ainda. Em época de enchente às vezes virava uma brincadeira, a gente acaba brincando nas beiras do rio.

Aqui as novidades das cidades grande chegavam bem depois.

Quando cheguei aqui comecei a freqüentar a escola. As carteiras ainda eram de madeira. O piso ainda era de taco. Até hoje ainda tem muita coisa da época que eu estudei lá.

Naquela época eu queria fazer direito, mas como não tinha, fiz magistério. E depois fiz pedagogia e depois fiz o curso de pós-graduação em psicopedagogia. Logo que me formei comecei a dar aula.

O Centro de Cultura Afro Brasileiro foi fundado em 5 de novembro de 2010. Sentimos a necessidade de resgatar a nossa cultura. Hoje não vemos aqui em Registro nada que trata da cultura afro brasileira. Nosso intuito foi unir grupos que faziam outras atividades: congo, maculele, samba de raiz, capoeira, etc e juntar no Centro de Cultura. Esse ano vamos fazer o primeiro Afoxé em Registro. Afoxé tem a função de abrir o carnaval para pedir a paz para os festejos. Dia 26 de fevereiro vamos batizar o nosso Afoxé, vem um grupo de Praia Grande fazer o batismo. O negro aqui no Vale do Ribeira sinceramente está perdendo a identidade. Meus avós tinham uma máquina de moer farinha, hoje ninguém sabe o que era isso. Até nos Quilombos eles não sabem a origem deles. Isso é preocupante.

Os trabalhos que meu pai e meu tio faziam foram marcantes para mim. Eles tocam músicas tradicionais e contavam histórias dos negros. Isso que me move para fazer os trabalhos que faço hoje no Centro de Cultura.

Nos temos o jornal Eparrei (o que se espalha como vento), minha filha de doze anos que edita. Ela é bem envolvida na causa.

Alcidinéia dos Santos Leduc, Assistente Social

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
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Quando eu cheguei em Sete Barras para visitar uma fazenda de um amigo meu, eu fiquei assustada porque por onde você passava tinha marca de enchente, tinha gente reclamando, falando que queria ir embora. Isso era em 1997, e esse meu amigo então me ofereceu a fazenda, e então começou meu trabalho social na cidade.

Alcidinéia conta como começou seu projeto social e como trabalha com seu bloco hoje em dia

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Caverna do Diabo

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Jaime Alves
Nasceu em Eldorado, 06/06/1943. É aposentado/ guia turístico.

Meu pai era de Iguape e praticamente se criou aqui; e minha mãe, de Itapiuna, cidade vizinha daqui. Os meus pais se conheceram em Eldorado, por causa da Igreja Batista. Tiveram 4 filhos, 3 meninos e 1 menina, sendo eu o mais velho.

Na época a gente sofreu muito porque a minha mãe pegou uma tuberculose. Então tivemos que levar ela pra São Paulo. Meu pai só podia visitá-la 1 vez por ano, porque não tinha condições. Ele vendeu tudo pra ir visitá-la e deixar dinheiro pra ela. Quando meu pai viu que ela não teria cura, trouxe pra casa. Ela viveu mais um ano e faleceu. Ele ficou viúvo até morrer, com 90 anos.

A infância aqui em Eldorado era assim: a gente ia pela trilha para ir para escola, caminhando. Chegando na escola a gente via o pessoal com mais condições comendo e a gente passando fome. Depois voltava os 6 quilômetros, com chuva e tudo, com medo do mato, e às vezes quando voltava não tinha nem pra comer. Nesse caminho até o colégio tinha muitas coisas que a gente via.

Uma vez eu vi um vulto que parecia um boi. Quando cheguei perto já não era um boi, era um burro. Quando cheguei pertinho, esse negócio saiu da estrada e já não era um burro, era um porco. E não me deixava passar. Isso eu não esqueço, além de outros barulhos, outras coisas estranhas que aconteciam. Só não sei dizer o que era.

No mesmo sítio que eu morava de pequeno, casei, morei lá. É um sítio grande. Em 97, quando deu aquela enchente, inundou tudo até ali perto de casa. Eu estava voltando pra casa e fui nadando, os bichos me mordendo, e eu fui por entre o bananal para encontrar o meu pai. Cheguei lá e o meu pai estava tranqüilo, sentado. A água estava pertinho, mas não tinha chegado até a casa. Só que perdi todo o bananal que eu estava plantando.

Trabalhei cuidando do parque da Caverna do Diabo. Eu fui fazendo contato com os turistas que desciam dos ônibus e aos poucos o pessoal foi me incentivando a ser guia turístico das cavernas da região. Eu pedi autorização e me deixaram. Virei guia. Da Caverna do Diabo eu conheci tudo, percorri tudo, de ponta a ponta.

Uma vez um pessoal entrou lá e passou do limite permitido aos turistas. Foi passando o tempo e eles não voltavam. Achavam que eles estavam perdidos no mato, mas eu achava que eles estavam na caverna. Passados 3 dias, eu consegui uma equipe para ir buscá-los. Achamos as pessoas, estava com as pernas machucadas de nadar entre as pedras. Ajudamos as pessoas a saírem, e já tinha bombeiros para resgatá-los. Eu trabalhei 26 anos lá e essa foi a maior coisa que fiz.