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Estância Turística: Eldorado

Publicado em 18 de abril de 2011
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A Estância Turística de Eldorado recebeu o projeto Museu em Rede nos dias 12 e 13 de Fevereiro e seus moradores compartilharam conosco suas histórias de vida que podem ser lidas e relidas aqui, e as imagens de uma cidade cheia de histórias você acompanha abaixo:

Às margens do Rio Ribeira

Bela Paisagem

Aldeia Cultural

Escola Profº Maria Aparecida

Gaspar Furquim

Dia da Água e participação da Juventude Eldoradense

Igreja Nossa Senhora da Guia

Joris Ferreira, Cabelereiro

Publicado em 29 de março de 2011
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Eu trabalhei em padaria, trabalhei em hotel, época de finados eu ia para cemitério limpar sepultura para as pessoas. Sempre me virei, sempre fiz as minhas coisas, vendia roupa, perfume, bijouteria. Sempre tava inventando alguma coisa.

Joris nos conta um pouco da sua trajetória profissional e também um pouco sobre a sua vida

João Ferreira, Artista Plástico

Publicado em 28 de março de 2011
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Eu fiz primeira comunhão, depois fui da cruzada eucarística da crianças e tinha a congragação mariana, os marianos. Eu fui também, depois de jovem. Não podia perder missa, tinha uma fichinha, amarela, quadriculada, a gente marcava os dias que ia. Quem não perdia carregava a bandeira na procissão.

João nos conta um pouco da sua trajetória dentro da igreja, também um pedaço da sua biografia e do carnaval de Iguape.

Neuza Gamba, Professora Aposentada

Publicado em 28 de março de 2011
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Minha mãe era professora leiga, porque não tinha faculdade nem ginásio aqui né. E ela dava aula em casa e a gente aprendia de ouvir ela ensinar. Quando abriram o ginásio minha irmã estudou, mas eu não pude porque minha mãe era doente, não podia as duas estudar.

Neuza conta sobre a sua vida acadêmica e um pouco sobre a sua biografia.

José Galvão, Artista Plástico

Publicado em 24 de março de 2011
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Frequentava a escola, o grupo escolar Vaz Caminha e a tarde era jogo de bola, brincadeiras. Brincava muito de mozinho, sabe? Assistia um filme de bang bang e fazia igual. A gente montava circo, mas não tinha nem lona, cada um fazia o que sabia, o trapezista subia num galho de árvore com uma corda, às vezes quebrava, caía e machucava, era esse tipo de brincadeira.

José Galvão nos conta as sua brincadeiras de infância e um pouco das suas atividades no carnaval

Maria de Lourdes

Publicado em 24 de março de 2011
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Eu estudava no grupo Vaz de Caminha, era o único que tinha. E só ia até a quarta série. Então minha mãe me fez repetir a terceira e a quarta série, senão eu saía muito nova da escola, e esquecia tudo. Era muito chato, eu já sabia tudo!

Maria de Lourdes conta um pouco sobre a sua educação e também sobre como era a cidade na sua infância

Desenhava o que não devia e ficava de castigo

Publicado em 22 de março de 2011
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João Ferreira de Moraes Junior
Iguape, 12/07/1931, artista plástico.

Na escola eu tinha uma professora que punha apelido nos alunos, eu era o João Minhoca porque eu cochilava e tinha preguiça de ir a lousa, desenhava o que não devia e ficava de castigo atrás da porta.

Fui da congregação Mariana e também fiz parte de coro. Nós tínhamos uma fichinha que marcava quando íamos à missa. Quem ia na missa, no fim do ano, ganhava presente do padre, brinquedos. E quem não fosse à missa não podia ir à matine de cinema.

Conheci a minha mulher no Carnaval porque eu fazia o carro alegórico. O carro alegórico era um harem. Arrumei quatro morenas de cabelo comprido, mas precisava de mais uma. A Tereza tinha acabado de chegar de Santos. Ficamos brincando de carnaval e até hoje estamos juntos. Naquele tempo tinha o lança perfume e a cerveja vinha num saco de linhagem, a gente enchia aquele saco. O depósito do bar ficava no sótão e na geladeira colocavam serragem para não derreter o gelo.

Organizei um livro sobre a cidade

Publicado em 22 de março de 2011
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Carlos Alberto Pereira Junior
Nasceu em 08 de agosto de 1973 na cidade de Iguape. É Gestor de Cultura

Eu sempre estava dentro da igreja, ajudava a buscar flores no mato para enfeitá-la e limpava os bancos. Pela manhã, eu ia à Igreja Presbiteriana com a minha avó materna e, depois do almoço, a minha avó paterna me levava pra Igreja Católica. O rito da Igreja Católica me chamava mais a atenção.

A baladinha de Iguape na época era no Clube Alvorada que tinha uma danceteria onde rolava muito rock nacional e eu também ia aos bailes de Fandango. A festa da Reiada sempre passava na casa da minha avó paterna e eu sempre ia atrás. A primeira vez que eu fui a uma apresentação de Fandango, o Dauro que me levou. O Fandango era um baile de ajutório na época da colheita. Eles dançavam a saudação pra São Gonçalo e eu aprendi que o passadinho é uma dança separada de homens e mulheres e que a dança também faz parte da percussão. Foi quando eu vi que tinha uma organização social.

Na festa de São João, eles andam em cima da brasa descalços, eu vi aquilo e queria passar também. Sentei e fiquei olhando para criar coragem, veio uma menininha e eu perguntei se não iria me queimar, ela disse que se eu acreditasse não me queimaria. Eu passei e não queimou.

Há cinco anos, uma professora quis que eu ensinasse aos seus alunos a história da cidade, eu levei o grupo à Basílica, eles não conheciam a Igreja e eu percebi que eles não conheciam a história da própria cidade. Então eu decidi organizar um livro, reuni materiais para ajudar os professores a trabalharem em sala de aula. A partir daí, as pessoas mudaram a relação delas com a cidade.

Rubens Takeshi Shimizu

Publicado em 21 de março de 2011
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Da minha casa até a escola tinha 4 quilômetros, estrada de barro, descalço, com o dedão de fora. Dia de fora era uma tristeza. Minha mãe preparava um lanchinho, um bolinho de arroz ou um pedaço de carne seca ou um ovo frito. A gente ia debaixo de uma árvore que tinha para fazer o lanche.

Rubens nos conta um pouco sobre sua educação e um pouco sobre a sua vida

Selma de Araújo Torres Omuro

Publicado em 21 de março de 2011
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Quando começou a colonização aqui a região estava abandonada, praticamente não tinham escolas e a colônia tinha essa preocupação. Então muitas das escolas acabaram que a colônia construía o prédio e o estado pagava o professor.

Selma nos conta um pouco sobre a formação da região e também sobre a colonização japonesa

João Rodrigues Pereira

Publicado em 18 de março de 2011
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Sai do sítio e fui trabalhar na CCB, a companhia que fez a BR 116. Deixei de estudar e vim trabalhar na companhia. Quando ia fazer a vistoria, ia com um jipe 54, ele não andava 3 quilômetros e quebrava, só que a gente tinha que andar 10, 15, 20 25 quilômetros. Aí a gente ia a pé, atravessando brejo, rio, pegando canoa, carona, o que fosse.

Jão Rodrigues nos conta um pouco da sua trajetória profissional e da história da sua família

Lauriano dos Santos

Publicado em 14 de março de 2011
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Aos 8 anos eu brigava no caminho da escola pelo meu candidato a prefeito. Eu entrei na política para combater a corrupção. Fui eleito vereador, fui reeleito, fui nomeado Diretor Regional da Secretaria do Interior no Governo Montoro…

Robert Ricardo

Publicado em 11 de março de 2011
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Quando a gente é criança todo mundo pergunta o que quer ser quando crescer, o pessoal falava médico, advogado. eu sempre falei: professor de educação física. Por isso fui para Sorocaba, fazer faculdade lá. As primeiras semanas foi tudo tranquilo, depois de um mês eu fiquei louco para voltar para cá, vinha sempre que podia para visitar.

Robert Ricardo nos conta um poco da sua infância e também um pouco da história da sua família

Lucia Vieira

Publicado em 10 de março de 2011
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A gente se conhecia da escola, desde o prezinho. Aí eu namorava, terminei o namoro, ele namorava e terminou também. Aí fomos chorar as mágoas um para outro, fomos conversando, fomos nos aproximando. E estamos juntos.

Lucia Vieira nos conta como começou a namorar se marido, um pouco do seu casamento e um pouco da sua infância

No sítio a gente não sente gente

Publicado em 2 de março de 2011
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Perolina Alves de Oliveira
Nasceu em 10/03/1939 em Barra de São Francisco. Produtora rural.

Nunca fui na escola, não tinha onde estudar. Ninguém sabia pra poder ensinar o outro. Eu conheço todas as letras, o ruim é juntar pra dizer o nome lá na frente. Quando o nome é curto, eu digo, como o arroz, açúcar, o café, banco. Não sendo nome grande, eu leio.

Em casa trabalho na roça, capinando mandioquinha. Hoje não planto quase nada por causa da idade. É tudo pago. É gente nova que planta tudo. A minha casa é bem arrumadinha, mas queria morar no meio de gente, mais perto de gente. No sítio a gente não sente gente.

O Rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Antonio Rodrigues de Souza
Nasceu em Iguape em 07/09/1940. Chegou em Registro em 1979. Funcionário público, aposentado.

Minha família é de origem portuguesa e espanhola. Tive três irmãos que faleceram, vivo só resta eu e minha irmã. Eu morava no sítio, não era uma terra muito boa. Criava galinha, porco e plantava. Comecei a trabalhar com meu pai com a idade de 7 anos.

Um tempo freqüentei a Escola Municipal, depois ela fechou. Eu lembro de uma professora, a Dona Maria Aranha, a filha dela também estudava lá. Ela era brava e mansa. Naquela época a professora era uma segunda mãe da gente. Quando chegava a hora do recreio você oferecia voluntariamente para encher as vasilhas da professora. Para a professora tomar banho e fazer comida. A professora morava num puxadinho do lado da escola. A escola ficava uns 8 Kms de casa, eu ia à pé, demorava uma hora e meia para chegar. Quando eu chegava em casa eu ia comer alguma coisa e o pai já chamava a gente para trabalhar na roça.

Matraca tem duas argolas e é feita de madeira. A gente usava para plantar arroz, feijão e milho. Esta região do Vale do Ribeira foi o maior produtor de arroz. Foi até representante em Milão. Ali onde é o KKK ficava a máquina de beneficiar o arroz. O vapor Bento Martins fazia o transporte do arroz.

Eu saí do Município de Iguape e fui morar no sítio da família da minha esposa, mas era muito pequeno lá e morava muita gente. Fui desgostando daquilo e eu disse para minha mulher: Vou embora para a cidade. Daí viemos para Registro.

Conheci minha mulher no vapor. Minha esposa já tinha me visto com outra moça numa festa em Itapetininga. Aí eu vim para Registro e minha esposa perguntou: “Você já casou?”. Eu disse: “Não, aquele namorinho é bobagem”. E ela: “Olha me fale a verdade”. Daí começamos a namorar.

Fiz concurso para prefeitura e passei. Era encarregado de pessoal. Depois tinha lá a parte que era do Ministério do Trabalho e me chamaram para trabalhar no lugar de uma moça do que ficou doente. Mas eu não sabia nada daquilo, mas o chefe gostou de mim e não me deixaram mais sair. Fui substituir por oito meses fiquei dezoito anos. Aprendi tudo.

Registro agora é a capital do Vale do Ribeira, antes era a capital do Chá.

Eu gostava de ir na beira rio. Uma enchente é bonita, o problema é que faz estrago. O rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha. Quando o vapor grande portava, punha uma prancha grande para a gente descer. Diminuiu muito o volume de água.

Aqui teve ouro. Tiravam daqui e deixavam registrado aqui o valor que ia para Portugal.

Quem trouxe o progresso aqui foi a BR 116.

Eu tenho o sonho de viver mais um pouco, ter saúde. E que meus netos tenham uma situação melhor. Eu já passei cada situação difícil.

Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Lauriano dos Santos
Nasceu em Registro em 22/10/1944. É político, aposentado.

Da parte da minha mãe as pessoas nasceram em Registro. Meu pai nasceu aqui, mas é de família turca. Eu nasci numa casa de pau a pique e vivi com toda a simplicidade que a pobreza impõe.

Eu tinha 10 anos quando cheguei na cidade. A praça chamava Dr. Benedito Martins Barbosa e não praça Jóia. A cidade começava ali. Eram ruas de terra e a energia acabava 10 horas da noite. Naquela época deveria ter 5.000 habitantes. Hoje devemos ter 70.000.

Era um bairro chamado Cerrinha, tinha uma comunidade negra. Era mais ou menos um Quilombo. A gente viveu ali. As pessoas de lá marcaram muito minha memória. Lembro do Nho Vitorino, Nho Maneco Balduíno. Uma vez fiquei doente e minha mãe falava que eu ia morrer. O Nho Maneco ficava segurando no meu braço. Nunca esqueci isso.

Tinha uns três quilômetros de distância da minha casa à escola. A gente ia a pé e descalço. Uma vez estava muito frio e eu não parava de tremer e minha professora Dona Ediviges me chamou e disse: “Venha à frente”. Eu fiquei com medo de tomar uma bronca porque estava tremendo. Aí ela chamou o filho dela: “Carlinhos venha à frente, dá esse casaco pra ele”. Ao término da aula fui devolver o casaco e ela disse: “Fique com o casaco”. Senti um calor humano, já contei isso em livros.

Trabalhei com chá. Aqui tinha o chá da Índia. A cultura do chá aqui em Registro foi marcada por isso, é um fator econômico importante para a cidade. Eu colhia o chá e depois trabalhei na fábrica. É uma forte companheira da babaneicultura. Depois com o avanço tecnológico de outros países acabou enfraquecendo a plantação aqui.

Naquela época era mais segregacional, os japoneses ficavam mais na deles. Depois isso mudou.

Eu tenho na marca da minha história de ter levantado o poste da primeira eletrificação rural do Brasil. Fui eletricista por um tempo. Depois prestei concurso e passei. Fui vereador, me reelegi e como eu queria ser um bom vereador, fui estudar. Até hoje sou considerado um dos melhores vereadores que teve na cidade, parece até falta de modéstia. Política para mim é o preço da consciência. Saí candidato a prefeito algumas vezes, mas não me elegi.

Tenho doze livros publicados. Mas não consigo guardar nada do que escrevo. Poesia para mim é aquele filho que você deixa no mundo. Tenho mil e tantos poemas escritos.

Eu amo o Rio Ribeira do Iguape e adoro o Bosque do Votupoca.

Estou com 66 anos e acho que meu sonho é viver bem. Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais.

Quero ser médico legista. Sou siderado pelos seriados CSI

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Giulliano Salvatore de Vita Lima

Nasceu em 1994 em Campinas, veio para Registro em 1996. É de origem italiana e estudante.

Nasci em Campinas. Fiquei até 1996, quando vim para Registro. Depois fui para Campinas, em 2000, quando minha irmã nasceu e fiquei lá por 3 anos. Depois voltei para Registro.

Fomos para Itália passear e visitar a família da minha mãe. E foi muito bom.

Em 1996 fomos para Pariquera. Não me lembro bem o motivo porque eu era bem pequeno. Viemos para cá pois uma parte da família da minha mãe era daqui. Minha irmã nasceu com problemas. Quando ela nasceu, ela perdeu a mobilidade. Ela não sente nada da cintura para baixo. Esse é o único problema de minha irmã. Mas nos damos muito bem.

O que me lembro de minha infância são algumas brincadeiras. Brincava de pega pega, polícia e ladrão, essas coisas. Entrei na escola já aqui em Registro. Agora estou no terceiro ano do ensino médio, no Paula Souza. O que me lembro é do meu primeiro dia de aula, inesquecível. Aquela choradeira, os pais vão embora… mas depois a gente se acostuma.

Alguns professores me marcaram. Uma professora me marcou ainda lá em Campinas Ela tinha uma descedência francesa.

Eu queria ser várias coisas quando criança… Mas agora estou pensando se vou mesmo fazer faculdade de medicina ou biologia.

Aqui em Registro gosto de passear, ir ao cinema, dar uma volta. Por aqui não tem muito o que fazer. Pariquera tem uma praça, Jacupiranga tem uma pista de skate, são as cidades que vou.

Na escola fiz curso técnico de administração. É bom ter uma visão mais ampla. Fiz administração por que estava faltando. por isso optei por administração. Eu queria uma boa capacitação profissional.

Nunca pensei em ser médico, até pelos problemas que minha irmã teve. Mas agora estou pensando nisso. Ou biologia forense. Sou siderado pelos seriados CSI, essas coisas. Mas é interessante. Acho que seria legal ser médico legista.

Tenho também um sonho de montar uma banda, com alguns amigos em Suzano. Uma banda de Rock. Essa ideia começou com meu pai. Ele era baixista e ele deu o instrumento para mim. Isso me deu vontade de tocar. Estou buscando isso.

O dia a dia aqui varia bastante. Quando eu fazia o técnico era super corrido. Mas agora consigo sair mais com os amigos. Tem alguns lugares legais de ir, mesmo sendo uma cidade pequena.

O que marca aqui em Registro, acho, é o KKKK. Essa história é legal. Tem um mito que se você entrar no Ribeira você pode acabar encontrando ouro dos navios que passaram por aqui.

É legal contar minha história, é bom relembrar. A gente pensa que não, mas o tempo voa. A gente nem vê.

Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Daniel Leandro Gomes
Nasceu 15/05/1959 em Caruaru, PE. Chegou em Registro em 1960 . É fotógrafo.

Meu pai e meus tios vieram para Registro em 1952. Toda a família chama Leandro Gomes. Eles são todos de Pernambuco. Sabendo de São Paulo, vieram para cá trabalhar em bananais. Vieram atrás de trabalho honesto. Como são todos honestos, todos tiveram trabalho aqui.

Eu cresci em Cedro, Juquiá, um município daqui de Registro. Mamãe cavava rama de mandioca, num sítio pequeno que nós tínhamos e nós trabalhávamos na roça com ela, enquanto papai trabalhava nos bananais. Depois de um ano papai saiu no trabalho de diário e passou a plantar mandioca, não precisou mais trabalhar para ninguém. Dentro da própria terra da mandioca pode plantar milho, feijão, quiabo, abóbora, melancia, couve, alfa, cará, nhame, batata doce. Chegava noite de lua meu pai pegava o enxadão ele arava as terras para ficar fofa para dar uma boa plantação.

Aquele tempo não é igual a hoje. Nós trabalhávamos e tinha aquela roupinha para ir para escola. Andava dois quilômetros para chegar lá. O diretor tinha prazer em dizer para minha mãe que nós éramos bons alunos.

Tinha muito japonês na minha escola. Os japoneses gostavam muito de trabalhar e quando encontrava alguém que gostava de trabalhar eles davam sementes, plantas e ficavam amigos da gente.

Tinha um senhor, Paulo Alves de Oliveira, que começou a aprender a arte de fazer um monoclinho para vender. Ele passou essa arte para nós. Eu fazia isso em Juquiá e Registro. Olympus Pen, é uma máquina japonesa que eu usava. Dá meio quadro de um filme. Tirava fotos na festa de Reis e em todas as cidades crescentes. Fazia fila para tirar foto.

Nesta praça dos Expedicionários eu tirava muitas fotos. O povo vinha passear aqui de dia e de noite, casais de namorados. Eu tirava fotos e depois ia entregar na casa das pessoas. Na época cada monoclinho custava R$ 0, 50 e depois passou para R$ 1,00.

Geralmente eu batia na casa e oferecia para as pessoas. Até de casamento eu tirava foto de monoclinho. Eu não gostava de fazer isso, mas tirava foto de monoclinho até de morto. Hoje não se faz mais issso.

Casais de namorados tiravam muita foto de monoclinho. Desfile na cidade, 7 de setembro, aniversário da cidade. Todo mundo comprava com boa vontade, porque era uma lembrança gostosa. As pessoas queriam aparecer nas fotos.

Um sujeito tipo fazendeiro chegou para um amigo meu e pediu pra tirar umas fotos. Meu amigos desconfiaram, achando que o cara não iria pagar, tirou várias fotos só com flashes. Aí o cara falou: “Quanto custa?”. Ele chutou: “R$50,00“. E pagou adiantado. Ai ele sem saber o que fazer perguntou: “Colorida ou preta e branco?”, “ Colorida, eu estou tão bonito. “ Ai ele disse: “Deixa eu colocar cor na foto”. E bateu tudo de novo. Deu certo, né?

Eu estou vivendo ainda hoje disso. E olha que todo mundo tem máquina digital. Uma pessoa perguntou para mim: “Como você está vivendo? Deve estar passando fome, todo mundo tem máquina hoje. “ Eu respondi: “Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel.” Eu não vou dizer que não diminuiu, mas tenho que ter mais prudência.

Eu casei tive filhos, todos bem criados. Me separei. Eu tenho três filhas.

Meu sonho é ver uma Registro melhor. Gente sorrindo uma para outra e falando: “Vou te ajudar”.

O negro do Vale do Ribeira está perdendo a identidade

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Juceli Carla Silva de Oliveira
Nasceu em Cananéia em 24/04/1978. Chegou em Registro em 1983. É professora de educação infantil.

Minha família é natural de Eldorado. Meu pai trabalhava na CESP e foi transferido para Cananéia onde eu nasci. Eu tinha cinco anos quando chegamos em Registro. A gente brincava muito em família, não era muito de freqüentar a casa dos vizinhos.

Eu me lembro de Registro com algumas enchentes ainda. Em época de enchente às vezes virava uma brincadeira, a gente acaba brincando nas beiras do rio.

Aqui as novidades das cidades grande chegavam bem depois.

Quando cheguei aqui comecei a freqüentar a escola. As carteiras ainda eram de madeira. O piso ainda era de taco. Até hoje ainda tem muita coisa da época que eu estudei lá.

Naquela época eu queria fazer direito, mas como não tinha, fiz magistério. E depois fiz pedagogia e depois fiz o curso de pós-graduação em psicopedagogia. Logo que me formei comecei a dar aula.

O Centro de Cultura Afro Brasileiro foi fundado em 5 de novembro de 2010. Sentimos a necessidade de resgatar a nossa cultura. Hoje não vemos aqui em Registro nada que trata da cultura afro brasileira. Nosso intuito foi unir grupos que faziam outras atividades: congo, maculele, samba de raiz, capoeira, etc e juntar no Centro de Cultura. Esse ano vamos fazer o primeiro Afoxé em Registro. Afoxé tem a função de abrir o carnaval para pedir a paz para os festejos. Dia 26 de fevereiro vamos batizar o nosso Afoxé, vem um grupo de Praia Grande fazer o batismo. O negro aqui no Vale do Ribeira sinceramente está perdendo a identidade. Meus avós tinham uma máquina de moer farinha, hoje ninguém sabe o que era isso. Até nos Quilombos eles não sabem a origem deles. Isso é preocupante.

Os trabalhos que meu pai e meu tio faziam foram marcantes para mim. Eles tocam músicas tradicionais e contavam histórias dos negros. Isso que me move para fazer os trabalhos que faço hoje no Centro de Cultura.

Nos temos o jornal Eparrei (o que se espalha como vento), minha filha de doze anos que edita. Ela é bem envolvida na causa.

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