Tag: família

Gaspar Furquim

Publicado em 3 de maio de 2011
0

Gaspar Furquim, 70 anos, morador da comunidade quilombola.

Meus pais sempre trabalharam na roça para nos criar, eram doze pessoas na família, depois que estavámos todos criados quem foi trabalhar na roça fomos nós.
Plantávamos feijão, milho, arroz, café e cana e vivíamos destas plantações. Depois de todos casados e com filhos, criamos todos com as mesmas tradições de nossos pais.

Rafael Ribeiro, Pescador

Publicado em 30 de março de 2011
0

Meu pai sempre trabalhou na pesca, mas eu era muito novo, e não lembro não. Me lembro em 89 que eu tive que pescar, motivo de eu descuidar mais dos estudos. E na pesca tem altos e baixos, uma safra é boa, uma safra não é. Aí fui como profissional mesmo, para ganhar dinheiro mesmo.

Rafael nos conta um pouco como foi sua trajetória como pescador e também um pouco da sua vida.

Neuza Gamba, Professora Aposentada

Publicado em 28 de março de 2011
0

Minha mãe era professora leiga, porque não tinha faculdade nem ginásio aqui né. E ela dava aula em casa e a gente aprendia de ouvir ela ensinar. Quando abriram o ginásio minha irmã estudou, mas eu não pude porque minha mãe era doente, não podia as duas estudar.

Neuza conta sobre a sua vida acadêmica e um pouco sobre a sua biografia.

Elias Teixeira, Vereador

Publicado em 28 de março de 2011
1

Meu pai teve comércio por 30 anos, minha mãe sempre foi dona de casa e meu pai foi comerciante. Hoje em dia é supermercado, é mercado, é sacolão, mas na época não, na época era Secos e Molhados.

Elias nos conta um pouco da vida da sua família e um pouco sobre seus sonhos.

André Mori, Funcionário Público e Produtor de Vídeo

Publicado em 25 de março de 2011
0

Ele era mecânico e dono de oficina, então às vezes ele largava a oficina porque estava numa lua boa e dando muito peixe. Ele pescava por lazer, mas a quantidade e o tipo de pesca que ele gostava de fazer, que era com rede, acabava que o companheiro dele vendia. Ele acabou vindo e ficou um tempo, mas foi embora. Eu digo que eu consegui hoje realizar o sonho do meu avô.

André nos conta um pouco das histórias de pesca dele e da sua relação com o avô.

Morei em um depósito de bebidas

Publicado em 23 de março de 2011
0

Natalino José Marques
25/12/1962, Santo Amaro, São Paulo, Pastor

Eu me tornei pastor por causa do meu irmão. Quando eu fui morar em Rondônia eu comecei a beber. Por causa do alcoolismo as pessoas tinham medo de mim, eu cheguei a morar nas ruas de Rondônia. A minha família sempre ficou aqui em Ilha Comprida. Eu voltei para Iguape e morei em um depósito de bebidas. Às vezes eu ficava com os mendigos na rua. Por isso meu irmão começou a me chamar para oração. Hoje, eu converso com os jovens que estão envolvidos com drogas e alcoolismo em Iguape, junto com outras igrejas.

Luiz Aparício

Publicado em 14 de março de 2011
0

Primeiro ele desceu no Peru em 1910 mais ou menos. De lá eles desceram pela Cordilheira para o Brasil, mas antes de chegar a Manaus os dois organizadores da expedição morreram, então o pessoal acabou desistindo de seguir viagem e preferiram ir para Buenos Aires… Eu sei que meu pai dizia que levou 9 anos para chegar a São Paulo.

Robert Ricardo

Publicado em 11 de março de 2011
0

Quando a gente é criança todo mundo pergunta o que quer ser quando crescer, o pessoal falava médico, advogado. eu sempre falei: professor de educação física. Por isso fui para Sorocaba, fazer faculdade lá. As primeiras semanas foi tudo tranquilo, depois de um mês eu fiquei louco para voltar para cá, vinha sempre que podia para visitar.

Robert Ricardo nos conta um poco da sua infância e também um pouco da história da sua família

Noel Castelo

Publicado em 4 de março de 2011
0

A gente morava numa casa que chamava casa grande. E era isso mesmo, uma casa grande. Morava a minha família e a família do meu pai, meus tios. Tinha divisórias dentro da casa e a gente dividia a cozinha.

Noel Castelo nos conta os hábitos de sua infância e um pouco das histórias que seu pai contava

Lélis Ribeiro

Publicado em 4 de março de 2011
0

Começou em 1995, na praça. A gente começou a ficar, na época já podia ficar. E quem casou a gente foi a enchente, na verdade. A minha casa ficou alagada, o acesso a casa dela também.

Roberto Lélis é biólogo e nos contou um pouco sobre o seu casamento e sua infância

Criaram a estação ecológica e acabaram com tudo

Publicado em 2 de março de 2011
1

Dauro Marcos do Padro
Nasceu em 13/07/1964 na Juréia. Pescador e monitor ambiental.

Na minha comunidade, a maioria, era parente. A gente vivia junto trabalhando na pesca, agricultura e extrativismo. Nossa casa era de tábua, éramos em 10 irmãos. Tinha uma sala grande que dormia todo mundo junto. Brincávamos na floresta, no mato, de subir e brincar de pega pega em cima da árvore.

Eu acompanhava meu pai pra catar timporoba, para fazer balaio, rede, cesto… a taquara pra fazer a peneira. Ia na floresta, fazia armadilha pra pegar caça. Pegava pau de canoa pra pescar.

Fiquei nisso até terminar o ensino primário, depois fui crescendo. Trabalhava na roça, na pesca… Comecei junto com meu pai. Não puxava rede, mas segurava o cesto. Ficava ali, olhando. Uma canoa, rede, tarrafa. Rede dava robalo, tainha, cação… uma parte minha mãe salgava e deixava em cima do fogo pra não estragar, a outra ela salgava e vendia.

Criaram a estação ecológica e acabaram com tudo. Não podia caçar, pescar. Não permitiam a presença humana. A comunidade começou passar fome. Não tinha mandioca, não tinha o peixe. Pegamos as comunidades que viviam da pesca, do fandango, passando fome. O vizinho dividia a caça, a farinha com o outro. Queríamos mudar a lei para uma comunidade de reserva e de desenvolvimento sustentável.

A minha casa era uma casa de festa

Publicado em 22 de fevereiro de 2011
3

Nilton José Hirota da Silva
Nasceu em 17 de Março de 1958 em Pariquera Açu. Professor e supervisor de ensino.

Eu tenho duas origens, sou mestiço. O meu avó por parte do pai é português da Ilha da Madeira, e da mãe, japonês. Eu tive influência das duas famílias. Minha família japonesa era menos numerosa que a portuguesa. Não sei porque eles vieram para o Brasil, vieram para morar em Iguape e fixaram residência ali mesmo. Ele foi dos primeiros açougueiros na região.

Meu avô veio para São Paulo, e acabou sendo encaminhado para cá. Ele teve a missão de separar as terras e a área territorial de Registro, trabalhava na colonização, no KKKK. Ele não se adaptou a São Paulo e quando apareceu essa oportunidade, ele aceitou. Ele também fazia tradução, regularizava os registros de imigração. E ainda, ele foi o primeiro japonês a casar-se com uma brasileira aqui em Registro.

Meu tio foi um grande playboy, faleceu muito cedo, infelizmente, num acidente. Mas ele tinha um jeep, era galã conquistador.

Quando as pessoas se interessavam em vir para o Brasil, recebiam uma cota de terras. Então quem administrava essa distribuição era meu avô. Ele analisava os contratos e fazia a divisão. Já chegamos a ter 80% da população formada por japoneses aqui.

Meu avô morava perto da Praça dos Expedicionários, depois moramos onde hoje é o banco na avenida principal, e depois começamos a nos afastar.

Meus pais se conheceram em tempos de escola, não sei muito bem como, minha mãe era mestiça mas o preconceito já era mais tranquilo. Mas quando eu era mais novo, em 74, 75, namorei uma japonesa, a família dela não aceitava muito a relação. Tinha que ser meio escondido mesmo, pular a janela. E era emocionante por isso também. Teve até tiro pro alto, pra me assustar.

A relação com o meu avó era muito especial, meu avô era muito conhecido aqui. Chamava-se Heiro Costa e ele era um companheiro de quase todos os dias, aprendi a jogar xadrez com ele. Ganhei um tabuleiro de um tio meu, e quando acabava minha aula às 11:30, chegava na casa dele e ele estava lá me esperando. Meu avô realmente foi muito importante na minha formação. Ele que me incentivou a entrar para a política, por exemplo.

Aqui era tudo diferente, os parentes moravam todos na mesma avenida, mas hoje em dia é só comércio. Na minha memória já fugiu um pouco como era a cidade, brincávamos de pegar amora silvestre, jogar futebol na rua com colegas de escola ou de rua mesmo.

Cheguei a ser vice campeão do Estado de xadrez, aos 13 anos. Até os 16 anos joguei muito xadrez. Hoje sou professor de xadrez, ensino muito a molecada.

Nos seis anos que morei em São Paulo, se eu fiquei três fins de semana lá foi muito. Vinha todo o fim de semana para cá. Fui pra São Paulo para estudar.

Tinha muita festa aqui. A minha casa era uma casa de festa. Meus pais foram muito festeiros, fazíamos baile com luz negra e cuba libre. Depois passei a ser DJ, fiz isso cinco, seis anos. Eu e meu irmão trouxemos os primeiros shows da região, trouxemos o Ira, Roupa Nova, que deu 100% de lucro. Foi muito bom enquanto durou. Depois do Roupa Nova a gente se separou e eu fiz o Paralamas só com a minha esposa.

Teve época que chegamos a fazer três bailes por dia. Três equipes de som em três lugares diferentes. Eu ficava no Vale do Chá.

Depois comecei a ser professor e gostei. Hoje sou professor de professor. O Chico Mané, que tem um cursinho para concurso aqui do lado, me convidou para ajudar. Eu comecei e foi aumentando a turma.

Eu tive também experiência de cinco anos de locutor de rádio. Depois me elegi vereador, já era conhecido na cidade. Fui vereador quatro vezes, agora sou suplente de vereador. O que me motiva é ajudar a cidade, passei toda a minha vida aqui.

Os diários do meu avô são um referência aqui na cidade. Nesse centenário da imigração japonesa de Registro, pretendemos traduzir a obra completa. É um diário muito revelador da nossa história. Ele era muito minucioso e observador. Falava até de um terremoto que teve aqui na região, da temperatura. Ele participou da divisão de terras aqui da região. Ele era uma espécie de jornalista.

O Rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
0

Antonio Rodrigues de Souza
Nasceu em Iguape em 07/09/1940. Chegou em Registro em 1979. Funcionário público, aposentado.

Minha família é de origem portuguesa e espanhola. Tive três irmãos que faleceram, vivo só resta eu e minha irmã. Eu morava no sítio, não era uma terra muito boa. Criava galinha, porco e plantava. Comecei a trabalhar com meu pai com a idade de 7 anos.

Um tempo freqüentei a Escola Municipal, depois ela fechou. Eu lembro de uma professora, a Dona Maria Aranha, a filha dela também estudava lá. Ela era brava e mansa. Naquela época a professora era uma segunda mãe da gente. Quando chegava a hora do recreio você oferecia voluntariamente para encher as vasilhas da professora. Para a professora tomar banho e fazer comida. A professora morava num puxadinho do lado da escola. A escola ficava uns 8 Kms de casa, eu ia à pé, demorava uma hora e meia para chegar. Quando eu chegava em casa eu ia comer alguma coisa e o pai já chamava a gente para trabalhar na roça.

Matraca tem duas argolas e é feita de madeira. A gente usava para plantar arroz, feijão e milho. Esta região do Vale do Ribeira foi o maior produtor de arroz. Foi até representante em Milão. Ali onde é o KKK ficava a máquina de beneficiar o arroz. O vapor Bento Martins fazia o transporte do arroz.

Eu saí do Município de Iguape e fui morar no sítio da família da minha esposa, mas era muito pequeno lá e morava muita gente. Fui desgostando daquilo e eu disse para minha mulher: Vou embora para a cidade. Daí viemos para Registro.

Conheci minha mulher no vapor. Minha esposa já tinha me visto com outra moça numa festa em Itapetininga. Aí eu vim para Registro e minha esposa perguntou: “Você já casou?”. Eu disse: “Não, aquele namorinho é bobagem”. E ela: “Olha me fale a verdade”. Daí começamos a namorar.

Fiz concurso para prefeitura e passei. Era encarregado de pessoal. Depois tinha lá a parte que era do Ministério do Trabalho e me chamaram para trabalhar no lugar de uma moça do que ficou doente. Mas eu não sabia nada daquilo, mas o chefe gostou de mim e não me deixaram mais sair. Fui substituir por oito meses fiquei dezoito anos. Aprendi tudo.

Registro agora é a capital do Vale do Ribeira, antes era a capital do Chá.

Eu gostava de ir na beira rio. Uma enchente é bonita, o problema é que faz estrago. O rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha. Quando o vapor grande portava, punha uma prancha grande para a gente descer. Diminuiu muito o volume de água.

Aqui teve ouro. Tiravam daqui e deixavam registrado aqui o valor que ia para Portugal.

Quem trouxe o progresso aqui foi a BR 116.

Eu tenho o sonho de viver mais um pouco, ter saúde. E que meus netos tenham uma situação melhor. Eu já passei cada situação difícil.

Quero ser médico legista. Sou siderado pelos seriados CSI

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
0

Giulliano Salvatore de Vita Lima

Nasceu em 1994 em Campinas, veio para Registro em 1996. É de origem italiana e estudante.

Nasci em Campinas. Fiquei até 1996, quando vim para Registro. Depois fui para Campinas, em 2000, quando minha irmã nasceu e fiquei lá por 3 anos. Depois voltei para Registro.

Fomos para Itália passear e visitar a família da minha mãe. E foi muito bom.

Em 1996 fomos para Pariquera. Não me lembro bem o motivo porque eu era bem pequeno. Viemos para cá pois uma parte da família da minha mãe era daqui. Minha irmã nasceu com problemas. Quando ela nasceu, ela perdeu a mobilidade. Ela não sente nada da cintura para baixo. Esse é o único problema de minha irmã. Mas nos damos muito bem.

O que me lembro de minha infância são algumas brincadeiras. Brincava de pega pega, polícia e ladrão, essas coisas. Entrei na escola já aqui em Registro. Agora estou no terceiro ano do ensino médio, no Paula Souza. O que me lembro é do meu primeiro dia de aula, inesquecível. Aquela choradeira, os pais vão embora… mas depois a gente se acostuma.

Alguns professores me marcaram. Uma professora me marcou ainda lá em Campinas Ela tinha uma descedência francesa.

Eu queria ser várias coisas quando criança… Mas agora estou pensando se vou mesmo fazer faculdade de medicina ou biologia.

Aqui em Registro gosto de passear, ir ao cinema, dar uma volta. Por aqui não tem muito o que fazer. Pariquera tem uma praça, Jacupiranga tem uma pista de skate, são as cidades que vou.

Na escola fiz curso técnico de administração. É bom ter uma visão mais ampla. Fiz administração por que estava faltando. por isso optei por administração. Eu queria uma boa capacitação profissional.

Nunca pensei em ser médico, até pelos problemas que minha irmã teve. Mas agora estou pensando nisso. Ou biologia forense. Sou siderado pelos seriados CSI, essas coisas. Mas é interessante. Acho que seria legal ser médico legista.

Tenho também um sonho de montar uma banda, com alguns amigos em Suzano. Uma banda de Rock. Essa ideia começou com meu pai. Ele era baixista e ele deu o instrumento para mim. Isso me deu vontade de tocar. Estou buscando isso.

O dia a dia aqui varia bastante. Quando eu fazia o técnico era super corrido. Mas agora consigo sair mais com os amigos. Tem alguns lugares legais de ir, mesmo sendo uma cidade pequena.

O que marca aqui em Registro, acho, é o KKKK. Essa história é legal. Tem um mito que se você entrar no Ribeira você pode acabar encontrando ouro dos navios que passaram por aqui.

É legal contar minha história, é bom relembrar. A gente pensa que não, mas o tempo voa. A gente nem vê.

O negro do Vale do Ribeira está perdendo a identidade

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
0

Juceli Carla Silva de Oliveira
Nasceu em Cananéia em 24/04/1978. Chegou em Registro em 1983. É professora de educação infantil.

Minha família é natural de Eldorado. Meu pai trabalhava na CESP e foi transferido para Cananéia onde eu nasci. Eu tinha cinco anos quando chegamos em Registro. A gente brincava muito em família, não era muito de freqüentar a casa dos vizinhos.

Eu me lembro de Registro com algumas enchentes ainda. Em época de enchente às vezes virava uma brincadeira, a gente acaba brincando nas beiras do rio.

Aqui as novidades das cidades grande chegavam bem depois.

Quando cheguei aqui comecei a freqüentar a escola. As carteiras ainda eram de madeira. O piso ainda era de taco. Até hoje ainda tem muita coisa da época que eu estudei lá.

Naquela época eu queria fazer direito, mas como não tinha, fiz magistério. E depois fiz pedagogia e depois fiz o curso de pós-graduação em psicopedagogia. Logo que me formei comecei a dar aula.

O Centro de Cultura Afro Brasileiro foi fundado em 5 de novembro de 2010. Sentimos a necessidade de resgatar a nossa cultura. Hoje não vemos aqui em Registro nada que trata da cultura afro brasileira. Nosso intuito foi unir grupos que faziam outras atividades: congo, maculele, samba de raiz, capoeira, etc e juntar no Centro de Cultura. Esse ano vamos fazer o primeiro Afoxé em Registro. Afoxé tem a função de abrir o carnaval para pedir a paz para os festejos. Dia 26 de fevereiro vamos batizar o nosso Afoxé, vem um grupo de Praia Grande fazer o batismo. O negro aqui no Vale do Ribeira sinceramente está perdendo a identidade. Meus avós tinham uma máquina de moer farinha, hoje ninguém sabe o que era isso. Até nos Quilombos eles não sabem a origem deles. Isso é preocupante.

Os trabalhos que meu pai e meu tio faziam foram marcantes para mim. Eles tocam músicas tradicionais e contavam histórias dos negros. Isso que me move para fazer os trabalhos que faço hoje no Centro de Cultura.

Nos temos o jornal Eparrei (o que se espalha como vento), minha filha de doze anos que edita. Ela é bem envolvida na causa.

Éramos unidos

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
2

Janice Valquiria de Azevedo
Nasceu em Registro em 14/03/1977. É comerciante e dona de casa.

Minha família é toda de Registro. Meus pais se conheceram aqui e foram morar no Morro São João. Foi lá que eu nasci. Somos em nove irmãos. Eu sempre brincava em turma. Éramos unidos. Brincava de bolinha de gude, pipa, pegava lata de óleo vazia as outras amigas vinham e faziam de conta que estavam comprando, pedras eram sacos de arroz.

Minha casa tinha sete cômodos e um barzinho na frente. Meu pai tinha uma banca de peixe no mercado. Minha mãe era lavadeira do hospital São João. Enquanto ela estava trabalhando meu irmão olhava o bar. A tarde meu pai que tomava conta.

A juventude eu não curti muito. Quando fiz quinze anos minha mãe faleceu de derrame. Ai eu casei com essa idade, e tive três filhos. Hoje eu sou pai e mãe dos meus filhos. Ser mãe deu mais responsabilidade para mim.

Eu comecei vender lingerie e comecei a guardar tudo o que vendi e abri um mini comércio na minha casa. Meu negócio é ser vendedora. Daí precisei vender a loja, fechei e voltei para Registro. Fui morar em casa de aluguel na casa em São Francisco. Logo que eu cheguei minha casa pegou fogo. Perdi tudo, mas eu consegui salvar meus filhos.

A dificuldade que temos aqui são as enchentes. Quando você acha que conseguiu alguma coisa você perde tudo, pois vem a chuva e leva tudo. Comigo não aconteceu, mas já aconteceu com vários amigos meus. Geralmente acontece isso todo ano. Esse ano já avisaram a gente para desocupar a área.

Meu segundo filho chama John Lenonn Kaiek de Azevedo, porque eu sou muito fã dos Beatles. Os outros chamam: se Jhil Everton Patrick de Azevedo e o outro Jheniffer Estefkini de Azevedo.

Teve um concurso gospel aqui na cidade que eu participei e desde esse dia me convidaram para sair cantando nas igrejas. Hoje eu vou três vezes por semana.

Meu sonho hoje é ter a casa própria e dos meus filhos também.

Nilce Ayako Miashita, Prefeita

Publicado em 18 de fevereiro de 2011
1

Meus pais vieram para cá para trabalhar na roça, e eles trabalhavam muito. Eram daqueles que achavam ruim quando anoitecia, porque queriam trabalhar mais. Mas a educação que eles deram pros filhos, o orgulho que eles sentiam dos filhos era também muito grande.

Nilce Ayako conta sobre a chegada dos seus pais a Sete Barras e também um pouco da sua própria trajetória.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

José Lourenço de Souza, Secretário do Governo

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
1

Política é algo que vem de gerações. Meu pai era primo do grande prefeito Joaquim Manoel de Souza. E assim nós acabamos entrando no mundo da política e fazemos aquilo que gostamos.

José Lourenço de Souza conta um pouco da saga de sua família em Sete Barras e também se orgulha da retomada de uma antiga tradição

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Benedita Aparecida de Azevedo, Professora e Vice-Diretora

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
0

Eles iam nas casas cantando, encantando e anunciando a chegada do menino Jesus. Na frente ia o timoneiro, que preparava o espaço e o pouso. E na hora de ir embora as pessoas ficavam emocionadas, não queriam devolver as bandeiras, não queriam deixar eles irem. Acredito que isso ficou na memória de todos nós.

Benedita Aparecida de Azevedo conta como é a Folia de Reis e um pouco da história de seu pai, o ultimo folião.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Era uma outra vida

Publicado em 13 de fevereiro de 2011
2

Maria Aparecida Mendes Pinto
Nasceu em Eldorado, 05/10/1943. Está aposentada.

Eu nasci em Eldorado mesmo, mas na zona rural. Meu pai deve ter uma origem portuguesa porque os portugueses desciam ali em Cananéia e meu pai veio de lá. E a família da minha mãe é daqui também. Agora a família Mendes, que era uma família grande, já está espalhada pela região.

Então eu nasci nesse sítio chamado Abobral. Quando eu nasci não existia o hospital regional. Eu nasci de parteira, a última de 8 irmãos. E o meu contato com os irmãos foi grande, porque os mais velhos tomavam conta dos mais novos. Minha irmã conta que como a gente não comprava as coisas, tudo o que precisava tinha. Era uma outra vida; às vezes parece até que eu estou em uma outra vida hoje em dia.

Quando eu vim pra cidade, ainda criança, vim pra uma casa antiga, de pau a pique. Mas a gente não brincava dentro de casa. Era na rua. Principalmente de noite, o que é o contrário de hoje em dia. O que eu mais gostava era sentar na calçada e contar histórias. E tinha também aquela de passa anel. Tinha também as brincadeiras do colégio, que eram as brincadeiras de roda e a aula de canto, mas eles só pegavam as meninas que tinham voz boa. Eu nunca fui chamada! Até hoje sou frustrada e não canto nada!

Já na época do ginásio meu pai me colocou em um colégio interno em São Paulo. Lá eu só chorava. Então me colocaram em um colégio em Registro e eu fui voltar pra São Paulo pra fazer curso técnico em Contabilidade. Aí eu gostei da cidade, fui conhecer melhor São Paulo. Mas eu fiquei em São Paulo só pra estudar, porque eu sou muito apegada aos familiares. Então, eu voltei pra cá pra trabalhar na prefeitura como contadora, onde eu trabalhei até 77. Mesmo aposentada, ainda trabalhei mais 7 anos na Câmara Municipal. Então sempre trabalhei aqui, vivi aqui. Por eu ser muito apegada aos familiares, nunca me acostumaria a outro lugar.

Durante esse tempo de trabalho, eu comecei a me interessar pela história de Eldorado. Eu vi que não tinha quase livros sobre a cidade. Então fiquei de 2004 a 2007 pesquisando sobre a história de Eldorado. Aí elaborei o livro e na comemoração do aniversário da cidade o livro foi lançado. A prefeitura depois distribuiu o livro e os alunos hoje usam na escola. O meu objetivo não era ganhar dinheiro, era que as pessoas soubessem da nossa história.