Tag: fandango

Carlos Alberto, Gestor de Cultura

Publicado em 29 de março de 2011
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Quem me levou a primeira vez de verdade a um baile de fandango foi o Dauro. Dauro é um mateiro aqui de iguape, é um morador de comunidade tradicional e eu o conheci a um tempo atrás e a cultura tradicional caiçara se abriu para mim quando eu conheci Dauro.

Carlos nos conta como foi a sua descoberta da cultura tradicional da região e um pouco da sua trajetória profissional como gestor cultural

Walter de Lima, Pescador e Produtor Rural

Publicado em 29 de março de 2011
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O fandango é uma coisa muito interessante e naquela época para nós ele funcionava da seguinte coindição: era uma diversão, um tipo de uma festa para a gente brincar e ele fazia parte do nosso trabalho também.

Walter nos conta como os pescadores tiravam as canoas da mata e como virou luthier

O primeiro instrumento que fiz foi uma viola

Publicado em 23 de março de 2011
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Walter Alves de Lima
Nasceu em 23/12/1947 na Juréia. É pescador e produtor rural.

Meu pai era lavrador, nós plantávamos pra sobreviver, a única lavoura que ajudava a pagar o consumo da casa, a roupa e o calçado das crianças era a de arroz. Nós só comprávamos café e açúcar. Os adultos trabalhavam com a enxada e eu passava semeando, uns ajudavam aos outros e no meio disso entrava o Fandango. Eu tinha uns 6 ou 7 anos.

Eu ai ajudar na lavoura e o Fandango era como uma diversão, uma festa para brincar e fazia parte do meu trabalho. O meu pai fazia canoa para gente pescar e ficava muito pesada pra tirar da mata, então ele montava uma demão, chamava uns 20 ou 30 homens e todos ajudavam até a canoa chegar em casa. Aí o pagamento era com o Fandango. As mulheres carpiam a roça e a noite dava a janta para todo mundo e depois a turma começava a dançar. Juntavam a rabeca, viola e cavaquinho. Meia noite tinha o café e quando amanhecia já marcava o Fandango para o outro sábado.

A Juréia não tinha barulho nem devastamento, nós mantínhamos a natureza. Começaram a falar que viria uma lei e que não poderíamos viver lá, foi então que nos mudamos para Icapara. Eu mudei com 12 anos e comecei a fazer rabeca e viola com o meu pai e o meu avô. O primeiro instrumento que eu fiz foi uma viola, eu fiz com o meu avô e então não parei mais. A forma que eu uso até hoje era a dele.

O meu avô fazia instrumento de encomenda e para vender deixava numa lojinha. Hoje em dia os turistas começaram a comprar direto conosco. Fazer uma viola é difícil, a pior parte é juntar as madeiras que tem diferentes texturas. A madeira é a caxeta ou o cedro, antigamente fazia com cola do mato, essa cola dava muito trabalho, tinha que misturar com a goma da mandioca e colocar o sumbaré no fogo.
A Reiada, uma folia de rei, é uma romaria que representa a visita dos reis magos quando foram visitar o Cristo, e nós vamos visitando as casas uma por uma. Começa no dia 01 de janeiro e acaba no dia 06, que é o dia de Reis.

Não danço, mas toco

Publicado em 22 de março de 2011
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Flôrencio Franco
07/11/1937, Pedreira, produtor rural

Hoje eu faço viola, rabeca, cavaquinho e violão. Eu aprendi com meu tio, que aprendeu com o bisavô dele. Eles tocavam e faziam a rabeca. O instrumento é feito de madeira caxeta. Com a serra a gente tira a madeira e põe na forma. Demora uns 15 dias pra fazer uma rabeca.

Meus instrumentos são todos feitos a mão. Mas hoje em dia eu compro a madeira. Antigamente eu tirava a da mata.

Toco no Fandango, que é uma festa que junta bastante gente. Ajudo a tocar o cavaquinho e o violão. No fandango tem o pandeiro, o cavaquinho e a viola. Todos esses instrumentos eu faço. Não danço, mas toco todos.

Abre a porta Sagrada que nós vamos entrar

Publicado em 26 de fevereiro de 2011
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Maria das Neves Rocha Silva
Nasceu em Iguape em 16 de outubro de 1940. Dona de casa.

O meu pai era, por incrível que pareça, africano. Minha avó por parte de mãe, era descendente de italiano. Meus bisavôs apanharam muito, foram chicoteados. Os pais da minha mãe, que eram italianos, vieram para cá de navio se esconder da guerra.

Eu nasci aqui, mas me criei no bairro do Retiro, na zona rural, trabalhava na lavoura. A cidade para mim era novidade. Não via a hora de chegar as festas. A gente demorava seis horas de canoa para chegar aqui.

Fandango eu comecei alugado num tio meu. Depois resolvi fazer em casa, coloquei os móveis pro lado de fora, fazia batida caiçara que é amendoim com leite condensado. O meu fandango sempre aumenta, cada vez mais ia aparecendo mais gente. A turma fala que é porque eu sou muito comunicativa.

Nós dançamos quadrilha caiçara, são 45 minutos de dança. Faz com noiva, cavalo, padrinho. Tem um moço que ensaia a gente.

Tem o baile, a fogueira e nesse meio tem a Folia de Reis. Faz 26 anos que eu estou fazendo a Folia de Reis. É tudo parte do Fandango. Eles dançam das onze às quatro horas da madrugada. Quero começar a ensaiar os menores para deixar no lugar da gente.

Sai muito casamento. Durante três anos fizemos 18 casamentos. O homem chega lá viúvo já conhece uma pessoa e começa a namorar. Tem um banco de cada lado do salão. Mulher de um lado e homem do outro. O cavaleiro tem que tirar a dama.

Fandango começou pela zona rural. O pessoal fazia o baile e ganhava a comida. Com 8 anos já aprendia o fandango. Os violeiros moraram do outro lado do rio seu Beneditinho, na rabeca. São seis instrumentos.

No fim do ano fiz um grupo de Reisada. Apaga a luz à noite, para nas casas e canta. A gente avisa antes que vai acontecer isso. Aí falamos: “Abre a porta Sagrada que nos vamos entrar”. Aí abrem a porta , a gente entra come, apresenta três musicas do Fandango e sai. Daí vai para outra casa e o pessoal vem acompanhando a gente. Neste ano acho que tinha umas 500 pessoas.

Aqui tem a festa de Bom Jesus, depois São Benedito, Espírito Santo, Corpus Christi que enfeita a rua. Depois na Zona Rural, são quatro comunidades.

A festa de São Jesus é a maior, são oito dias de festa. Foram os portugueses que jogaram São Benedito na água que veio parar lá no alto do Rio Verde. Os pescadores acharam ele lá. Lavaram ele na cachoeira, pois ele estava todo sujo na areia e aí iam levar para Cananéia, mas ficava pesado, depois escolheram outro lugar e não conseguiram porque ficava pesado. Quando disse que ia deixar em Iguape levantaram o santo e conseguiram erguer. Ele ficou junto com a Nossa Senhora das Neves que é a padroeira da cidade. Ainda hoje se comemora a data dos dois santos.