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Walter de Lima, Pescador e Produtor Rural

Publicado em 29 de março de 2011
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O fandango é uma coisa muito interessante e naquela época para nós ele funcionava da seguinte coindição: era uma diversão, um tipo de uma festa para a gente brincar e ele fazia parte do nosso trabalho também.

Walter nos conta como os pescadores tiravam as canoas da mata e como virou luthier

Maria das Neves Rocha Silva, Dona de Casa

Publicado em 24 de março de 2011
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Eu comecei fazendo os bailes em casa, tirei os móveis, botei uma mesa com batida caiçara na porta. Logo o pessoal reclamou que estava pequeno, então a gente mudou para o antigo depósito de bebidas do meu marido, que fechou depois que ele faleceu. E o pessoal reclamou que estava ficando pequeno, apertado. Aí eu comecei a derrubar parede, todo mês derrubava uma parede.

Maria nos conta sobre como começou seu salão de baile e também da história do fandango

Robert Ricardo

Publicado em 11 de março de 2011
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Quando a gente é criança todo mundo pergunta o que quer ser quando crescer, o pessoal falava médico, advogado. eu sempre falei: professor de educação física. Por isso fui para Sorocaba, fazer faculdade lá. As primeiras semanas foi tudo tranquilo, depois de um mês eu fiquei louco para voltar para cá, vinha sempre que podia para visitar.

Robert Ricardo nos conta um poco da sua infância e também um pouco da história da sua família

Em Iguape tinha quatro carros e dois semáforos

Publicado em 26 de fevereiro de 2011
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Jose Galvão de Aguiar
Nasceu em 03/04/53 em Pariquera. Chegou em Iguape em 1956. Artista Plástico.

Era uma vida difícil, a minha casa era de chão batido, tinha casa de farinha, moenda de cana. As enchentes que acontecem aqui em Iguape são milenares. Nunca houve um remanejo da população ribeirinha para outro local. Iguape não tinha calçamento, poucos carros. Aliás, tinha quatro carros e dois semáforos.

Eu frequentava escola, Grupo Escolar Vaz Caminha. A gente montava circo e o mais interessante era que o ingresso eram três palitos de fósforo. Para que três palitos? Até hoje me pergunto pra que aquilo. Futebol também jogava muito.

Eu comecei a faturar cedo em desenho, trouxe a habilidade do desenho comigo. E sou espírita, já passei aqui várias vezes.

O mais importante que fiz foi colocar uma tela em Salão de Arte. Fui classificado em 100 trabalhos. Quando fui na vernissage, falei: “ Sou fera”. Era um salão de arte que envolvia artistas de todo o país. A partir daí eu perdi o medo.

Eu faço decoração de carnaval, carros alegóricos e participo de tudo que é coisa aqui na cidade. Tínhamos uma escola de samba chamada de 55, mas não tínhamos grana. Tínhamos um carro alegórico que chamava Bento Martins que tinha dois pavimentos e nos não tínhamos dinheiro para fazer o assoalho do primeiro pavimento. Meu amigo chegou em casa de madrugada e ficou pensando: “Como é que vamos fazer?”. Não teve dúvida foi lá e tirou o piso do quarto da filha dele. Na época era assim, na garra.

Iguape é uma cidade histórica que recebe turistas, mas hoje está detonada.

Se eu tivesse que voltar no tempo voltaria para os anos 70 e 80. Os bailes, as músicas, o rock, as festas, os porres. Eu peguei com 17 anos para frente. A minha turma tinha aproximadamente 50 pessoas. Se convidava um vinha 50 para qualquer evento. Inventava festinha americana que algum levava uma bebida, comida. Curtia Chico Buarque, Caetano Veloso, aquilo era uma cultura musical. Hoje mudou muito.

Da minha turma a maioria foi embora e não se renovou. Como na região não tinha faculdade o pessoal saiu fora para estudar.

Eu não consegui sair daqui, terminei um colegial, prestei vestibular e não passei. Aí procurei arranjar uma namorada, casar e me estabelecer. Sou casado há 33 anos.

Abre a porta Sagrada que nós vamos entrar

Publicado em 26 de fevereiro de 2011
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Maria das Neves Rocha Silva
Nasceu em Iguape em 16 de outubro de 1940. Dona de casa.

O meu pai era, por incrível que pareça, africano. Minha avó por parte de mãe, era descendente de italiano. Meus bisavôs apanharam muito, foram chicoteados. Os pais da minha mãe, que eram italianos, vieram para cá de navio se esconder da guerra.

Eu nasci aqui, mas me criei no bairro do Retiro, na zona rural, trabalhava na lavoura. A cidade para mim era novidade. Não via a hora de chegar as festas. A gente demorava seis horas de canoa para chegar aqui.

Fandango eu comecei alugado num tio meu. Depois resolvi fazer em casa, coloquei os móveis pro lado de fora, fazia batida caiçara que é amendoim com leite condensado. O meu fandango sempre aumenta, cada vez mais ia aparecendo mais gente. A turma fala que é porque eu sou muito comunicativa.

Nós dançamos quadrilha caiçara, são 45 minutos de dança. Faz com noiva, cavalo, padrinho. Tem um moço que ensaia a gente.

Tem o baile, a fogueira e nesse meio tem a Folia de Reis. Faz 26 anos que eu estou fazendo a Folia de Reis. É tudo parte do Fandango. Eles dançam das onze às quatro horas da madrugada. Quero começar a ensaiar os menores para deixar no lugar da gente.

Sai muito casamento. Durante três anos fizemos 18 casamentos. O homem chega lá viúvo já conhece uma pessoa e começa a namorar. Tem um banco de cada lado do salão. Mulher de um lado e homem do outro. O cavaleiro tem que tirar a dama.

Fandango começou pela zona rural. O pessoal fazia o baile e ganhava a comida. Com 8 anos já aprendia o fandango. Os violeiros moraram do outro lado do rio seu Beneditinho, na rabeca. São seis instrumentos.

No fim do ano fiz um grupo de Reisada. Apaga a luz à noite, para nas casas e canta. A gente avisa antes que vai acontecer isso. Aí falamos: “Abre a porta Sagrada que nos vamos entrar”. Aí abrem a porta , a gente entra come, apresenta três musicas do Fandango e sai. Daí vai para outra casa e o pessoal vem acompanhando a gente. Neste ano acho que tinha umas 500 pessoas.

Aqui tem a festa de Bom Jesus, depois São Benedito, Espírito Santo, Corpus Christi que enfeita a rua. Depois na Zona Rural, são quatro comunidades.

A festa de São Jesus é a maior, são oito dias de festa. Foram os portugueses que jogaram São Benedito na água que veio parar lá no alto do Rio Verde. Os pescadores acharam ele lá. Lavaram ele na cachoeira, pois ele estava todo sujo na areia e aí iam levar para Cananéia, mas ficava pesado, depois escolheram outro lugar e não conseguiram porque ficava pesado. Quando disse que ia deixar em Iguape levantaram o santo e conseguiram erguer. Ele ficou junto com a Nossa Senhora das Neves que é a padroeira da cidade. Ainda hoje se comemora a data dos dois santos.

A minha casa era uma casa de festa

Publicado em 22 de fevereiro de 2011
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Nilton José Hirota da Silva
Nasceu em 17 de Março de 1958 em Pariquera Açu. Professor e supervisor de ensino.

Eu tenho duas origens, sou mestiço. O meu avó por parte do pai é português da Ilha da Madeira, e da mãe, japonês. Eu tive influência das duas famílias. Minha família japonesa era menos numerosa que a portuguesa. Não sei porque eles vieram para o Brasil, vieram para morar em Iguape e fixaram residência ali mesmo. Ele foi dos primeiros açougueiros na região.

Meu avô veio para São Paulo, e acabou sendo encaminhado para cá. Ele teve a missão de separar as terras e a área territorial de Registro, trabalhava na colonização, no KKKK. Ele não se adaptou a São Paulo e quando apareceu essa oportunidade, ele aceitou. Ele também fazia tradução, regularizava os registros de imigração. E ainda, ele foi o primeiro japonês a casar-se com uma brasileira aqui em Registro.

Meu tio foi um grande playboy, faleceu muito cedo, infelizmente, num acidente. Mas ele tinha um jeep, era galã conquistador.

Quando as pessoas se interessavam em vir para o Brasil, recebiam uma cota de terras. Então quem administrava essa distribuição era meu avô. Ele analisava os contratos e fazia a divisão. Já chegamos a ter 80% da população formada por japoneses aqui.

Meu avô morava perto da Praça dos Expedicionários, depois moramos onde hoje é o banco na avenida principal, e depois começamos a nos afastar.

Meus pais se conheceram em tempos de escola, não sei muito bem como, minha mãe era mestiça mas o preconceito já era mais tranquilo. Mas quando eu era mais novo, em 74, 75, namorei uma japonesa, a família dela não aceitava muito a relação. Tinha que ser meio escondido mesmo, pular a janela. E era emocionante por isso também. Teve até tiro pro alto, pra me assustar.

A relação com o meu avó era muito especial, meu avô era muito conhecido aqui. Chamava-se Heiro Costa e ele era um companheiro de quase todos os dias, aprendi a jogar xadrez com ele. Ganhei um tabuleiro de um tio meu, e quando acabava minha aula às 11:30, chegava na casa dele e ele estava lá me esperando. Meu avô realmente foi muito importante na minha formação. Ele que me incentivou a entrar para a política, por exemplo.

Aqui era tudo diferente, os parentes moravam todos na mesma avenida, mas hoje em dia é só comércio. Na minha memória já fugiu um pouco como era a cidade, brincávamos de pegar amora silvestre, jogar futebol na rua com colegas de escola ou de rua mesmo.

Cheguei a ser vice campeão do Estado de xadrez, aos 13 anos. Até os 16 anos joguei muito xadrez. Hoje sou professor de xadrez, ensino muito a molecada.

Nos seis anos que morei em São Paulo, se eu fiquei três fins de semana lá foi muito. Vinha todo o fim de semana para cá. Fui pra São Paulo para estudar.

Tinha muita festa aqui. A minha casa era uma casa de festa. Meus pais foram muito festeiros, fazíamos baile com luz negra e cuba libre. Depois passei a ser DJ, fiz isso cinco, seis anos. Eu e meu irmão trouxemos os primeiros shows da região, trouxemos o Ira, Roupa Nova, que deu 100% de lucro. Foi muito bom enquanto durou. Depois do Roupa Nova a gente se separou e eu fiz o Paralamas só com a minha esposa.

Teve época que chegamos a fazer três bailes por dia. Três equipes de som em três lugares diferentes. Eu ficava no Vale do Chá.

Depois comecei a ser professor e gostei. Hoje sou professor de professor. O Chico Mané, que tem um cursinho para concurso aqui do lado, me convidou para ajudar. Eu comecei e foi aumentando a turma.

Eu tive também experiência de cinco anos de locutor de rádio. Depois me elegi vereador, já era conhecido na cidade. Fui vereador quatro vezes, agora sou suplente de vereador. O que me motiva é ajudar a cidade, passei toda a minha vida aqui.

Os diários do meu avô são um referência aqui na cidade. Nesse centenário da imigração japonesa de Registro, pretendemos traduzir a obra completa. É um diário muito revelador da nossa história. Ele era muito minucioso e observador. Falava até de um terremoto que teve aqui na região, da temperatura. Ele participou da divisão de terras aqui da região. Ele era uma espécie de jornalista.

Celso Santana de França, Aposentado e Presidente da Banda de Sete Barras.

Publicado em 16 de fevereiro de 2011
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Quem fundou o Hospital aqui foi eu com o primeiro Prefeito, Sebastião Madaleno de Souza. Quer dizer, eu e a Banda, que fizemos o baile de carnaval para financiar a construção do Hospital.

Celso Santana de França fala também sobre a festa de São João Batista.

Celso Santana de França

Banda de Sete Barras

Publicado em 6 de fevereiro de 2011
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Celso Santana de França
Nasceu em Sete Barras, em 12 de Outubro de 1930. É aposentado e presidente da Banda de Sete Barras.

Todo mundo vinha de canoa para a festa de São João Batista. Aos 15 anos eu tinha acabado de entrar na banda, toquei subindo o morro inteiro, nunca estudei música, aprendi com meu padrinho.