Tag: imigração japonesa

Magda Oki

Publicado em 27 de abril de 2011
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Magda Oki, recepcionista do Memorial da Imigração Japonesa, Registro.

Meu interesse pela cultura japonesa é muito grande por ser neta de japoneses e pelo fato de meu avô ter sido um dos primeiros imigrantes a vir para Registro. Eu quero criar projetos para melhorar o museu e manter a história de nossos antepassados.

Registro: “Capital do Chá”

Publicado em 19 de abril de 2011
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A cidade de Registro recebeu o projeto Museu em Rede nos dias 19 e 20 de Fevereiro, e você pode ter acesso aos depoimentos colhidos na cidade clicando aqui, além de conferir imagens da “Capital do Chá” logo abaixo:

Arco Japonês

Memorial da Imigração Japonesa em Registro

Ferramentas em exposição

Marina Oki - Registro

Material em exposição

Selma de Araújo Torres Omuro

Publicado em 21 de março de 2011
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Quando começou a colonização aqui a região estava abandonada, praticamente não tinham escolas e a colônia tinha essa preocupação. Então muitas das escolas acabaram que a colônia construía o prédio e o estado pagava o professor.

Selma nos conta um pouco sobre a formação da região e também sobre a colonização japonesa

A minha casa era uma casa de festa

Publicado em 22 de fevereiro de 2011
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Nilton José Hirota da Silva
Nasceu em 17 de Março de 1958 em Pariquera Açu. Professor e supervisor de ensino.

Eu tenho duas origens, sou mestiço. O meu avó por parte do pai é português da Ilha da Madeira, e da mãe, japonês. Eu tive influência das duas famílias. Minha família japonesa era menos numerosa que a portuguesa. Não sei porque eles vieram para o Brasil, vieram para morar em Iguape e fixaram residência ali mesmo. Ele foi dos primeiros açougueiros na região.

Meu avô veio para São Paulo, e acabou sendo encaminhado para cá. Ele teve a missão de separar as terras e a área territorial de Registro, trabalhava na colonização, no KKKK. Ele não se adaptou a São Paulo e quando apareceu essa oportunidade, ele aceitou. Ele também fazia tradução, regularizava os registros de imigração. E ainda, ele foi o primeiro japonês a casar-se com uma brasileira aqui em Registro.

Meu tio foi um grande playboy, faleceu muito cedo, infelizmente, num acidente. Mas ele tinha um jeep, era galã conquistador.

Quando as pessoas se interessavam em vir para o Brasil, recebiam uma cota de terras. Então quem administrava essa distribuição era meu avô. Ele analisava os contratos e fazia a divisão. Já chegamos a ter 80% da população formada por japoneses aqui.

Meu avô morava perto da Praça dos Expedicionários, depois moramos onde hoje é o banco na avenida principal, e depois começamos a nos afastar.

Meus pais se conheceram em tempos de escola, não sei muito bem como, minha mãe era mestiça mas o preconceito já era mais tranquilo. Mas quando eu era mais novo, em 74, 75, namorei uma japonesa, a família dela não aceitava muito a relação. Tinha que ser meio escondido mesmo, pular a janela. E era emocionante por isso também. Teve até tiro pro alto, pra me assustar.

A relação com o meu avó era muito especial, meu avô era muito conhecido aqui. Chamava-se Heiro Costa e ele era um companheiro de quase todos os dias, aprendi a jogar xadrez com ele. Ganhei um tabuleiro de um tio meu, e quando acabava minha aula às 11:30, chegava na casa dele e ele estava lá me esperando. Meu avô realmente foi muito importante na minha formação. Ele que me incentivou a entrar para a política, por exemplo.

Aqui era tudo diferente, os parentes moravam todos na mesma avenida, mas hoje em dia é só comércio. Na minha memória já fugiu um pouco como era a cidade, brincávamos de pegar amora silvestre, jogar futebol na rua com colegas de escola ou de rua mesmo.

Cheguei a ser vice campeão do Estado de xadrez, aos 13 anos. Até os 16 anos joguei muito xadrez. Hoje sou professor de xadrez, ensino muito a molecada.

Nos seis anos que morei em São Paulo, se eu fiquei três fins de semana lá foi muito. Vinha todo o fim de semana para cá. Fui pra São Paulo para estudar.

Tinha muita festa aqui. A minha casa era uma casa de festa. Meus pais foram muito festeiros, fazíamos baile com luz negra e cuba libre. Depois passei a ser DJ, fiz isso cinco, seis anos. Eu e meu irmão trouxemos os primeiros shows da região, trouxemos o Ira, Roupa Nova, que deu 100% de lucro. Foi muito bom enquanto durou. Depois do Roupa Nova a gente se separou e eu fiz o Paralamas só com a minha esposa.

Teve época que chegamos a fazer três bailes por dia. Três equipes de som em três lugares diferentes. Eu ficava no Vale do Chá.

Depois comecei a ser professor e gostei. Hoje sou professor de professor. O Chico Mané, que tem um cursinho para concurso aqui do lado, me convidou para ajudar. Eu comecei e foi aumentando a turma.

Eu tive também experiência de cinco anos de locutor de rádio. Depois me elegi vereador, já era conhecido na cidade. Fui vereador quatro vezes, agora sou suplente de vereador. O que me motiva é ajudar a cidade, passei toda a minha vida aqui.

Os diários do meu avô são um referência aqui na cidade. Nesse centenário da imigração japonesa de Registro, pretendemos traduzir a obra completa. É um diário muito revelador da nossa história. Ele era muito minucioso e observador. Falava até de um terremoto que teve aqui na região, da temperatura. Ele participou da divisão de terras aqui da região. Ele era uma espécie de jornalista.

Naquela época professor era muito rigoroso

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Kazuo Ono
Nasceu em Iguape , em 06 de julho de 1928. Agricultor aposentado.

Minha família chegou em 1924 do Japão para cá. Desde moço meu pai era apaixonado pelo Brasil. Eu não sei muita coisa como foi a viagem dele para cá. Ele veio para Registro atrás de um loteamento. Ele ficou trabalhando quatro anos como colono.

Quando eu estava com cinco anos minha mãe faleceu. Lembro muito bem da sepultura da minha mãe. Sentei em cima do caixão na carroça e a vizinha me chamou a atenção. O cemitério era bem longe, região de brejo. Papai sozinho criou nós.

Em 1929 meu pai conseguiu comprar um terreno e plantou café, arroz e criou galinha. Com sete anos fui na escola primária e já ia no cafezal ajudar a colher café. Eu estudei na Escola Luis Guimarães de Almeida, tinha muito japonês estudando lá. Professor naquela época era muito rigoroso, ganhei muita reguada. Menino não podia conversar com menina.

Com treze anos eu lembro muito bem que na época da Guerra queriam expulsar a colônia de japoneses de Registro. Durante esse período faltava querosene, sal, açúcar. Havia distribuição desses produtos uma vez por mês. A gente tinha que entrar na fila para receber.

Papai criou galinha até morrer quando eu tinha 25 anos. Casei nesse ano e depois comecei a plantar chá. Em 1960 começou todo mundo plantar chá. Ai montei uma fábrica de esteira e chinelinho.

Os japoneses se enganaram com o Vale do Ribeira

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Luiz Aparicio Aguemi
Nasceu em Sete Barras em 27 de janeiro de 1931. Dono de fábrica de pão embalado.

A família do meu pai é japonesa e da minha mãe, portuguesa. Meu pai veio do Japão para o Peru. Desceram para cá pela Cordilheira dos Andes. Vieram numa equipe de cinco, eram geólogos, morreram três. Meu pai era o mais pobre da equipe. Um foi para a Argentina e meu pai gastou nove anos para chegar a São Paulo. Procurou a imigração japonesa lá e achou a família dele que estava no Vale do Ribeira. Ele veio para Sete Barras e foi trabalhar em uma empresa, depois foi para a agricultura, depois para o comércio.

Escola só no sítio. Estudei um pouquinho, deu para quebrar o galho. Na infância não tinha muita diversão. Não tinha nem rádio. Na época da guerra os soldados pegavam tudo o que japonês tinha.

Naquela época a colônia japonesa era mais unida. O pessoal se enganou com o Vale do Ribeira. O nosso povo é agricultor. Mas nos anos 50 era muito forte. Fazia muita festa. As festas eram nos sítios.

O transporte era só fluvial. Barco de motor de polpa. As estradas não ofereciam boas condições. Era difícil quem tinha carro, meu pai tinha carroça.

Trabalhei no mercado, vendi frios por 26 anos. Na época já tinha a BR 116, comprava os frios em São Paulo nos frigoríficos. Depois abri uma fabriquinha de pão. Faço até hoje. Entrego em toda a cidade. A gente copiou o pão Pullman. Eu montei a fábrica sozinho.

Meu sonho é ver os meus filhos bem e se puder aguentar mais uns cinco anos de vida com saúde tá bom.

Foi ótimo contar a minha história. A gente tem história.

Camilo Aparecido de Almeida, Blogueiro

Publicado em 16 de fevereiro de 2011
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A cultura japonesa influenciou bastante o Vale do Ribeira. A festa que tem em Registro, que é o Tooro Nagashi, começou na verdade aqui em Sete Barras, por causa de um budista que visitou a região.

Camilo Aparecido de Almeida também é blogueiro e já contou a lenda da serpente com asas.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques