Tag: imigração

Masakazu Nishidate, Produtor Rural

Publicado em 29 de março de 2011
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Eu casei com 27 anos, em 1948. Naquela tempo era o sistema japonês, mulher era dificil de conhecer. Tinha gente que fazia o meio. Sem conhecer, sem fazer nada, tem que casar. Não dá para acreditar agora, mas não sentia nada no começo.

Masakazu nos conta como se casou com sua mulher e como foi a vida a dois.

Yoneco Seimaru

Publicado em 21 de março de 2011
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Eu não queria casar, eu queria estudar, mas meu pai falou que menina não podia estudar, tinha que casar, fazer família, ia falar o que? Mesmo depois que tive filhos pensei em estudar. Fui para as associações, aprendi a cerimonia do chá, cerimonia ikebana, dança japonesa.

Yoneco nos conta um pouco da sua vida e da trajetória dos japoneses no vale

Kazuo Ono

Publicado em 18 de março de 2011
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Eu lembro de quando tinha 13, 14 anos que por causa da guerra quiseram mandar os japoneses embora, tirar daqui de Registro. Aí foram 5 políticos até o Rio de Janeiro falar com Getúlio Vargas que se expulsassem os japoneses de Registro, se tirassem a colônia daqui a cidade acabava.

Kazuo conta sobre as experiências da colônia japonesa durante a Segunda Guerra e um pouco da sua própria vida.

Luiz Aparício

Publicado em 14 de março de 2011
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Primeiro ele desceu no Peru em 1910 mais ou menos. De lá eles desceram pela Cordilheira para o Brasil, mas antes de chegar a Manaus os dois organizadores da expedição morreram, então o pessoal acabou desistindo de seguir viagem e preferiram ir para Buenos Aires… Eu sei que meu pai dizia que levou 9 anos para chegar a São Paulo.

Abre a porta Sagrada que nós vamos entrar

Publicado em 26 de fevereiro de 2011
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Maria das Neves Rocha Silva
Nasceu em Iguape em 16 de outubro de 1940. Dona de casa.

O meu pai era, por incrível que pareça, africano. Minha avó por parte de mãe, era descendente de italiano. Meus bisavôs apanharam muito, foram chicoteados. Os pais da minha mãe, que eram italianos, vieram para cá de navio se esconder da guerra.

Eu nasci aqui, mas me criei no bairro do Retiro, na zona rural, trabalhava na lavoura. A cidade para mim era novidade. Não via a hora de chegar as festas. A gente demorava seis horas de canoa para chegar aqui.

Fandango eu comecei alugado num tio meu. Depois resolvi fazer em casa, coloquei os móveis pro lado de fora, fazia batida caiçara que é amendoim com leite condensado. O meu fandango sempre aumenta, cada vez mais ia aparecendo mais gente. A turma fala que é porque eu sou muito comunicativa.

Nós dançamos quadrilha caiçara, são 45 minutos de dança. Faz com noiva, cavalo, padrinho. Tem um moço que ensaia a gente.

Tem o baile, a fogueira e nesse meio tem a Folia de Reis. Faz 26 anos que eu estou fazendo a Folia de Reis. É tudo parte do Fandango. Eles dançam das onze às quatro horas da madrugada. Quero começar a ensaiar os menores para deixar no lugar da gente.

Sai muito casamento. Durante três anos fizemos 18 casamentos. O homem chega lá viúvo já conhece uma pessoa e começa a namorar. Tem um banco de cada lado do salão. Mulher de um lado e homem do outro. O cavaleiro tem que tirar a dama.

Fandango começou pela zona rural. O pessoal fazia o baile e ganhava a comida. Com 8 anos já aprendia o fandango. Os violeiros moraram do outro lado do rio seu Beneditinho, na rabeca. São seis instrumentos.

No fim do ano fiz um grupo de Reisada. Apaga a luz à noite, para nas casas e canta. A gente avisa antes que vai acontecer isso. Aí falamos: “Abre a porta Sagrada que nos vamos entrar”. Aí abrem a porta , a gente entra come, apresenta três musicas do Fandango e sai. Daí vai para outra casa e o pessoal vem acompanhando a gente. Neste ano acho que tinha umas 500 pessoas.

Aqui tem a festa de Bom Jesus, depois São Benedito, Espírito Santo, Corpus Christi que enfeita a rua. Depois na Zona Rural, são quatro comunidades.

A festa de São Jesus é a maior, são oito dias de festa. Foram os portugueses que jogaram São Benedito na água que veio parar lá no alto do Rio Verde. Os pescadores acharam ele lá. Lavaram ele na cachoeira, pois ele estava todo sujo na areia e aí iam levar para Cananéia, mas ficava pesado, depois escolheram outro lugar e não conseguiram porque ficava pesado. Quando disse que ia deixar em Iguape levantaram o santo e conseguiram erguer. Ele ficou junto com a Nossa Senhora das Neves que é a padroeira da cidade. Ainda hoje se comemora a data dos dois santos.

A minha casa era uma casa de festa

Publicado em 22 de fevereiro de 2011
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Nilton José Hirota da Silva
Nasceu em 17 de Março de 1958 em Pariquera Açu. Professor e supervisor de ensino.

Eu tenho duas origens, sou mestiço. O meu avó por parte do pai é português da Ilha da Madeira, e da mãe, japonês. Eu tive influência das duas famílias. Minha família japonesa era menos numerosa que a portuguesa. Não sei porque eles vieram para o Brasil, vieram para morar em Iguape e fixaram residência ali mesmo. Ele foi dos primeiros açougueiros na região.

Meu avô veio para São Paulo, e acabou sendo encaminhado para cá. Ele teve a missão de separar as terras e a área territorial de Registro, trabalhava na colonização, no KKKK. Ele não se adaptou a São Paulo e quando apareceu essa oportunidade, ele aceitou. Ele também fazia tradução, regularizava os registros de imigração. E ainda, ele foi o primeiro japonês a casar-se com uma brasileira aqui em Registro.

Meu tio foi um grande playboy, faleceu muito cedo, infelizmente, num acidente. Mas ele tinha um jeep, era galã conquistador.

Quando as pessoas se interessavam em vir para o Brasil, recebiam uma cota de terras. Então quem administrava essa distribuição era meu avô. Ele analisava os contratos e fazia a divisão. Já chegamos a ter 80% da população formada por japoneses aqui.

Meu avô morava perto da Praça dos Expedicionários, depois moramos onde hoje é o banco na avenida principal, e depois começamos a nos afastar.

Meus pais se conheceram em tempos de escola, não sei muito bem como, minha mãe era mestiça mas o preconceito já era mais tranquilo. Mas quando eu era mais novo, em 74, 75, namorei uma japonesa, a família dela não aceitava muito a relação. Tinha que ser meio escondido mesmo, pular a janela. E era emocionante por isso também. Teve até tiro pro alto, pra me assustar.

A relação com o meu avó era muito especial, meu avô era muito conhecido aqui. Chamava-se Heiro Costa e ele era um companheiro de quase todos os dias, aprendi a jogar xadrez com ele. Ganhei um tabuleiro de um tio meu, e quando acabava minha aula às 11:30, chegava na casa dele e ele estava lá me esperando. Meu avô realmente foi muito importante na minha formação. Ele que me incentivou a entrar para a política, por exemplo.

Aqui era tudo diferente, os parentes moravam todos na mesma avenida, mas hoje em dia é só comércio. Na minha memória já fugiu um pouco como era a cidade, brincávamos de pegar amora silvestre, jogar futebol na rua com colegas de escola ou de rua mesmo.

Cheguei a ser vice campeão do Estado de xadrez, aos 13 anos. Até os 16 anos joguei muito xadrez. Hoje sou professor de xadrez, ensino muito a molecada.

Nos seis anos que morei em São Paulo, se eu fiquei três fins de semana lá foi muito. Vinha todo o fim de semana para cá. Fui pra São Paulo para estudar.

Tinha muita festa aqui. A minha casa era uma casa de festa. Meus pais foram muito festeiros, fazíamos baile com luz negra e cuba libre. Depois passei a ser DJ, fiz isso cinco, seis anos. Eu e meu irmão trouxemos os primeiros shows da região, trouxemos o Ira, Roupa Nova, que deu 100% de lucro. Foi muito bom enquanto durou. Depois do Roupa Nova a gente se separou e eu fiz o Paralamas só com a minha esposa.

Teve época que chegamos a fazer três bailes por dia. Três equipes de som em três lugares diferentes. Eu ficava no Vale do Chá.

Depois comecei a ser professor e gostei. Hoje sou professor de professor. O Chico Mané, que tem um cursinho para concurso aqui do lado, me convidou para ajudar. Eu comecei e foi aumentando a turma.

Eu tive também experiência de cinco anos de locutor de rádio. Depois me elegi vereador, já era conhecido na cidade. Fui vereador quatro vezes, agora sou suplente de vereador. O que me motiva é ajudar a cidade, passei toda a minha vida aqui.

Os diários do meu avô são um referência aqui na cidade. Nesse centenário da imigração japonesa de Registro, pretendemos traduzir a obra completa. É um diário muito revelador da nossa história. Ele era muito minucioso e observador. Falava até de um terremoto que teve aqui na região, da temperatura. Ele participou da divisão de terras aqui da região. Ele era uma espécie de jornalista.

Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Daniel Leandro Gomes
Nasceu 15/05/1959 em Caruaru, PE. Chegou em Registro em 1960 . É fotógrafo.

Meu pai e meus tios vieram para Registro em 1952. Toda a família chama Leandro Gomes. Eles são todos de Pernambuco. Sabendo de São Paulo, vieram para cá trabalhar em bananais. Vieram atrás de trabalho honesto. Como são todos honestos, todos tiveram trabalho aqui.

Eu cresci em Cedro, Juquiá, um município daqui de Registro. Mamãe cavava rama de mandioca, num sítio pequeno que nós tínhamos e nós trabalhávamos na roça com ela, enquanto papai trabalhava nos bananais. Depois de um ano papai saiu no trabalho de diário e passou a plantar mandioca, não precisou mais trabalhar para ninguém. Dentro da própria terra da mandioca pode plantar milho, feijão, quiabo, abóbora, melancia, couve, alfa, cará, nhame, batata doce. Chegava noite de lua meu pai pegava o enxadão ele arava as terras para ficar fofa para dar uma boa plantação.

Aquele tempo não é igual a hoje. Nós trabalhávamos e tinha aquela roupinha para ir para escola. Andava dois quilômetros para chegar lá. O diretor tinha prazer em dizer para minha mãe que nós éramos bons alunos.

Tinha muito japonês na minha escola. Os japoneses gostavam muito de trabalhar e quando encontrava alguém que gostava de trabalhar eles davam sementes, plantas e ficavam amigos da gente.

Tinha um senhor, Paulo Alves de Oliveira, que começou a aprender a arte de fazer um monoclinho para vender. Ele passou essa arte para nós. Eu fazia isso em Juquiá e Registro. Olympus Pen, é uma máquina japonesa que eu usava. Dá meio quadro de um filme. Tirava fotos na festa de Reis e em todas as cidades crescentes. Fazia fila para tirar foto.

Nesta praça dos Expedicionários eu tirava muitas fotos. O povo vinha passear aqui de dia e de noite, casais de namorados. Eu tirava fotos e depois ia entregar na casa das pessoas. Na época cada monoclinho custava R$ 0, 50 e depois passou para R$ 1,00.

Geralmente eu batia na casa e oferecia para as pessoas. Até de casamento eu tirava foto de monoclinho. Eu não gostava de fazer isso, mas tirava foto de monoclinho até de morto. Hoje não se faz mais issso.

Casais de namorados tiravam muita foto de monoclinho. Desfile na cidade, 7 de setembro, aniversário da cidade. Todo mundo comprava com boa vontade, porque era uma lembrança gostosa. As pessoas queriam aparecer nas fotos.

Um sujeito tipo fazendeiro chegou para um amigo meu e pediu pra tirar umas fotos. Meu amigos desconfiaram, achando que o cara não iria pagar, tirou várias fotos só com flashes. Aí o cara falou: “Quanto custa?”. Ele chutou: “R$50,00“. E pagou adiantado. Ai ele sem saber o que fazer perguntou: “Colorida ou preta e branco?”, “ Colorida, eu estou tão bonito. “ Ai ele disse: “Deixa eu colocar cor na foto”. E bateu tudo de novo. Deu certo, né?

Eu estou vivendo ainda hoje disso. E olha que todo mundo tem máquina digital. Uma pessoa perguntou para mim: “Como você está vivendo? Deve estar passando fome, todo mundo tem máquina hoje. “ Eu respondi: “Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel.” Eu não vou dizer que não diminuiu, mas tenho que ter mais prudência.

Eu casei tive filhos, todos bem criados. Me separei. Eu tenho três filhas.

Meu sonho é ver uma Registro melhor. Gente sorrindo uma para outra e falando: “Vou te ajudar”.

Os japoneses se enganaram com o Vale do Ribeira

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Luiz Aparicio Aguemi
Nasceu em Sete Barras em 27 de janeiro de 1931. Dono de fábrica de pão embalado.

A família do meu pai é japonesa e da minha mãe, portuguesa. Meu pai veio do Japão para o Peru. Desceram para cá pela Cordilheira dos Andes. Vieram numa equipe de cinco, eram geólogos, morreram três. Meu pai era o mais pobre da equipe. Um foi para a Argentina e meu pai gastou nove anos para chegar a São Paulo. Procurou a imigração japonesa lá e achou a família dele que estava no Vale do Ribeira. Ele veio para Sete Barras e foi trabalhar em uma empresa, depois foi para a agricultura, depois para o comércio.

Escola só no sítio. Estudei um pouquinho, deu para quebrar o galho. Na infância não tinha muita diversão. Não tinha nem rádio. Na época da guerra os soldados pegavam tudo o que japonês tinha.

Naquela época a colônia japonesa era mais unida. O pessoal se enganou com o Vale do Ribeira. O nosso povo é agricultor. Mas nos anos 50 era muito forte. Fazia muita festa. As festas eram nos sítios.

O transporte era só fluvial. Barco de motor de polpa. As estradas não ofereciam boas condições. Era difícil quem tinha carro, meu pai tinha carroça.

Trabalhei no mercado, vendi frios por 26 anos. Na época já tinha a BR 116, comprava os frios em São Paulo nos frigoríficos. Depois abri uma fabriquinha de pão. Faço até hoje. Entrego em toda a cidade. A gente copiou o pão Pullman. Eu montei a fábrica sozinho.

Meu sonho é ver os meus filhos bem e se puder aguentar mais uns cinco anos de vida com saúde tá bom.

Foi ótimo contar a minha história. A gente tem história.

Ave bonita quando morre deixa pena, onça bonita deixa o couro, e gente? Gente deixa o nome

Publicado em 19 de fevereiro de 2011
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Yoneco Seimaru
Nasceu em Registro em 23 de outubro de 1933. Comerciante de pastéis, aposentada.

Meu pai saiu do Japão, porque a província onde ele morava era bem pequena. Ele trabalhava com pesca. Ele queria vida melhor, foi para o Peru, Lima. Ele não sabia que lá não chovia. Ele plantava e não dava. O sonho dele era ganhar dinheiro, como não deu certo ele procurou outro país. Foi para a Bolívia, trabalhou na construção da Estrada de Ferro, mas tinha problema de droga. Aí ele procurou o Chile, lá deu certo com a pescaria, mas não tinha quem comprasse.

Aí inventaram de vir para o Brasil. Vieram a pé, tinha carabina, facão e rede para dormir. A única coisa que ele tinha medo a noite era de cobra, índio e onça. Assim conseguiu chegar em Belém do Pará. Lá tinha um engenheiro japonês e ele começou a trabalhar com picadão. Aí foi para Manaus trabalhar com pimenta do reino e depois foi trabalhar com borracha. Daí ele pegou doença e quase morreu. Aí ele desceu para São Paulo. Trabalhou na Sorocabana, depois veio para Registro na colônia japonesa. Demorou quinze anos para chegar aqui. E a minha mãe esperando no Japão. Ele não tinha mais contato com ela quase. Ele voltou lá para buscá-la. Os filhos não aceitaram e nem a minha mãe. Mas depois todos aceitaram. Aí aconteceu a Guerra Mundial e eles nunca mais voltaram para lá.

Lembro da Guerra. Os soldados entravam nas casas e nos sítios aqui em Registro para achar livros e algumas cartas do Japão. Meus pais quando escutavam barulhos de cavalo, corriam para a mata. Só deixavam eu e minha irmã. Eles perguntavam: “Cadê papai? “ A gente respondia: “Papai não está”. Eu tremia que nem louca. Procuravam coisas dentro de casa e não achavam. Aí iam embora.

Eu pedi muito para meu pai para estudar. Meu pai nunca deixou, ele achava que não precisava. Depois que acabou a guerra ficou mais calmo. Criaram-se as associações. Aí a gente começou a conhecer os jovens.

Quando chegava a época de casar, os pais falavam: “Fulana de tal é boa”. Aí arrumava um padrinho e ele que falava com o pai da noiva sobre o fulano. Era tudo combinado dos dois lados. Eu queria estudar não queria casar. Meu pai falou: “As meninas não podem estudar, tem que arrumar família”. Mesmo depois que tive filhos pensei em estudar. Depois de sessenta e oito anos fui aprender japonês. Depois fiz um monte de coisas, como: ikebana e dança japonesa.

Meu marido mandava muitos jovens para o Japão e quando terminava de fazer a papelada ele falava: “Vocês não podem esquecer três frases: “Ave bonita quando morre deixa pena, onça bonita deixa o couro e gente? Gente deixa o nome”.

Meu sonho é viajar. Já viajei o Brasil inteiro. Adoro. Eu penso em ir para a Itália. Eu acho que vou conseguir.

Nilce Ayako Miashita, Prefeita

Publicado em 18 de fevereiro de 2011
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Meus pais vieram para cá para trabalhar na roça, e eles trabalhavam muito. Eram daqueles que achavam ruim quando anoitecia, porque queriam trabalhar mais. Mas a educação que eles deram pros filhos, o orgulho que eles sentiam dos filhos era também muito grande.

Nilce Ayako conta sobre a chegada dos seus pais a Sete Barras e também um pouco da sua própria trajetória.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Camilo Aparecido de Almeida, Blogueiro

Publicado em 16 de fevereiro de 2011
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A cultura japonesa influenciou bastante o Vale do Ribeira. A festa que tem em Registro, que é o Tooro Nagashi, começou na verdade aqui em Sete Barras, por causa de um budista que visitou a região.

Camilo Aparecido de Almeida também é blogueiro e já contou a lenda da serpente com asas.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Era uma outra vida

Publicado em 13 de fevereiro de 2011
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Maria Aparecida Mendes Pinto
Nasceu em Eldorado, 05/10/1943. Está aposentada.

Eu nasci em Eldorado mesmo, mas na zona rural. Meu pai deve ter uma origem portuguesa porque os portugueses desciam ali em Cananéia e meu pai veio de lá. E a família da minha mãe é daqui também. Agora a família Mendes, que era uma família grande, já está espalhada pela região.

Então eu nasci nesse sítio chamado Abobral. Quando eu nasci não existia o hospital regional. Eu nasci de parteira, a última de 8 irmãos. E o meu contato com os irmãos foi grande, porque os mais velhos tomavam conta dos mais novos. Minha irmã conta que como a gente não comprava as coisas, tudo o que precisava tinha. Era uma outra vida; às vezes parece até que eu estou em uma outra vida hoje em dia.

Quando eu vim pra cidade, ainda criança, vim pra uma casa antiga, de pau a pique. Mas a gente não brincava dentro de casa. Era na rua. Principalmente de noite, o que é o contrário de hoje em dia. O que eu mais gostava era sentar na calçada e contar histórias. E tinha também aquela de passa anel. Tinha também as brincadeiras do colégio, que eram as brincadeiras de roda e a aula de canto, mas eles só pegavam as meninas que tinham voz boa. Eu nunca fui chamada! Até hoje sou frustrada e não canto nada!

Já na época do ginásio meu pai me colocou em um colégio interno em São Paulo. Lá eu só chorava. Então me colocaram em um colégio em Registro e eu fui voltar pra São Paulo pra fazer curso técnico em Contabilidade. Aí eu gostei da cidade, fui conhecer melhor São Paulo. Mas eu fiquei em São Paulo só pra estudar, porque eu sou muito apegada aos familiares. Então, eu voltei pra cá pra trabalhar na prefeitura como contadora, onde eu trabalhei até 77. Mesmo aposentada, ainda trabalhei mais 7 anos na Câmara Municipal. Então sempre trabalhei aqui, vivi aqui. Por eu ser muito apegada aos familiares, nunca me acostumaria a outro lugar.

Durante esse tempo de trabalho, eu comecei a me interessar pela história de Eldorado. Eu vi que não tinha quase livros sobre a cidade. Então fiquei de 2004 a 2007 pesquisando sobre a história de Eldorado. Aí elaborei o livro e na comemoração do aniversário da cidade o livro foi lançado. A prefeitura depois distribuiu o livro e os alunos hoje usam na escola. O meu objetivo não era ganhar dinheiro, era que as pessoas soubessem da nossa história.

A prefeita de Sete Barras

Publicado em 11 de fevereiro de 2011
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Nilce Ayako Miashita

Nilce Ayako Miashita
Nasceu em Itariri, em 26 de abril de 1950. Mudou-se para Sete Barras em 1971. É a prefeita da cidade.

Sou filha de imigrantes japoneses. Meus pais sofreram muito, contavam da dificuldade da língua, não sabiam falar. Eles trabalhavam muito na roça. Eles achavam ruim quando anoitecia porque queriam trabalhar mais.

Aprendi a pilotar moto para ir para a faculdade. Fui dar aula e até ser convidada para ser coordenadora, vice-diretora e depois diretora. Depois fui para a Secretaria da Educação. Lutei muito. Uma mulher como prefeita é difícil para os homens aceitarem, mas conseguimos muita coisa com perseverança. Administrar um município é muito difícil, mas estamos conseguindo superar.

Namoro escondido

Publicado em 6 de fevereiro de 2011
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Jacirema Firmino de Sousa
Nasceu em Pariquera- Açu (município de Sete Barras) em 10/07/1964. É professora.

Meus avós eram muito rigorosos. Eles eram contra misturas de raças. Nunca aprovaram o casamento da minha mãe com o meu pai. Minha mãe namorava escondido. Subia na sacada do quarto dela, pegava uma banana do pé, comia e colava um bilhete para o meu pai dentro da casca e jogava para ele pegar. Meus avós deserdaram minha mãe.