Meu avô comprou terras aqui na região, por volta de 1890. Teve oito filhos. Meu pai é o terceiro filho da família. Foi ele que manteve os bens do meu avô. Terras onde se plantava cana, arroz, café. Eles fabricavam pinga também que era vendida para Santos. O sítio do meu avô ficava à margem do Rio Ribeiro. Barcos de grande calão chegavam até o Porto de Registro. Com a morte do meu avô o sítio foi dividido.
A família da minha mãe é de italianos. Vieram para Pariquera Açu, onde já havia um colônia de italianos. Vieram para Registro em 1935. Aí meus pais se conheceram e casaram.
Tive uma infância maravilhosa. Fomos criadas com muita fartura, muitas frutas, queijos. Era muito divertido, brincar entre os animais, bezerro, cavalo. Com nove anos nós mudamos para o centro da cidade. Nessa época já existia a igreja matriz São Francisco Xavier. Quando minha mãe veio para cá era uma Capelinha de São João, por conta das famílias de maçons. São João Batista é padroeiro da maçonaria. Depois mudou para Catedral, quando os japoneses chegaram aqui.
Nós tínhamos rede de telefone, inclusive no sitio do meu avô. Eu lembro da minha avô falando naquele telefone de bocal. Barcos movidos a roda…as pessoas iam para Iguape de navio. Coisas que não existem mais só na memória da gente. Os sabores disso ficaram na alma!
Na época existia a fábrica Peixe, eles industrializavam palmito e depois goiaba. Eu me lembro muito do cheiro. O produto era levado para São Paulo numa estrada muito precária. Existia também, a família Jafé, que se instalou nas imediações da ponte, ali era a fábrica Jafé, fiação de seda. Criavam amoreira e cultivavam casulos. Isso foi muito importante para a economia da região.
Estudei num colégio de freiras, São José. Eram freiras muito dedicadas, da Congregação do Verbo Divino. Ali a gente aprendeu além do conteúdo natural, aprendemos, corte costura, violino, piano, datilografia. Subsídios maravilhosos. Era uma escola democrática, tinha gente de dinheiro e também as crianças que estudavam com bolsa.
Eu tenho muito orgulho em ter entre meus melhores amigos, japoneses. A gente aprendeu muita coisa com eles. Por exemplo na alimentação, não se comia tomate, pepino era com muito medo. É uma raça feita para o trabalho. Eles não aceitavam muito visita durante o dia, pois estavam trabalhando e de noite dormiam. As famílias aqui não tinham o costume de se visitar.
A primeira festa do Chá me marcou muito. Depois da banana veio o chá. O seu Kamoto trouxe uma semente de chá dentro de um pão, fez as mudas e aí nasceu a cultura do chá. Eles resolveram fazer uma festa para comemorar. Eu acredito que em 1952, por aí. As moças eram convidadas a participar como Rainhas. Em casa éramos três moças e estávamos sempre envolvidas. Era rainha, princesa do chá. Existem essas fotos.
Eu gosto muito de caminhar pela rua e conversar com as pessoas. Eu saio as 8 da manhã e se não me policiar chego oito da noite!