Tag: pesca

Rafael Ribeiro, Pescador

Publicado em 30 de março de 2011
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Meu pai sempre trabalhou na pesca, mas eu era muito novo, e não lembro não. Me lembro em 89 que eu tive que pescar, motivo de eu descuidar mais dos estudos. E na pesca tem altos e baixos, uma safra é boa, uma safra não é. Aí fui como profissional mesmo, para ganhar dinheiro mesmo.

Rafael nos conta um pouco como foi sua trajetória como pescador e também um pouco da sua vida.

André Mori, Funcionário Público e Produtor de Vídeo

Publicado em 25 de março de 2011
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Ele era mecânico e dono de oficina, então às vezes ele largava a oficina porque estava numa lua boa e dando muito peixe. Ele pescava por lazer, mas a quantidade e o tipo de pesca que ele gostava de fazer, que era com rede, acabava que o companheiro dele vendia. Ele acabou vindo e ficou um tempo, mas foi embora. Eu digo que eu consegui hoje realizar o sonho do meu avô.

André nos conta um pouco das histórias de pesca dele e da sua relação com o avô.

Dauro Prado, Pescador e Monitor Ambiental

Publicado em 25 de março de 2011
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O movimento ambientalista cresceu, as pessoas começaram a chegar lá, tirar foto da gente “olha os caiçaras, estamos aqui para preservar vocês, vai ser um santuário ecológico, vamos tirar todos os veranistas, todos os latifundiários e a terra vai ficar para vocês“. De repente chegaram para gente e falaram: Você não pode mais roçar, não pode mais tirar a taquara, não pode mais tirar o palmito, não pode mais caçar, não pode mais pescar. Acabou tudo.

Dauro conta um pouco do movimento ambientalista da Juréia e um pouco da sua vida de caiçara

Meu sonho é ser prefeito de Iguape

Publicado em 22 de março de 2011
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Elias Teixeira de Aguiar
Nasceu em Iguape de 08/06/1963. É vereador.

Meus pais e meus avôs nasceram em Iguape. A descendência da minha família é portuguesa, da parte do meu pai. Ele trabalhou com comércio de secos e molhados por trinta anos. Depois tinha um trabalho paralelo, comprava banana na região e vendia no Ceasa.

A gente morava no sítio e andava de lancha para chegar aqui em Iguape. Era uma semana para chegar em São Paulo. Era uma dificuldade. Televisão quando fui ver já tinha quatorze anos.

Meu avô tinha roça, lavoura, plantava de tudo. Na época eram umas quarenta pessoas no sítio.

Minha casa era de tábua e a cozinha de chão batido.

Eu me divertia com futebol, bolinha de gude, nadava bastante. Eu comecei a trabalhar com oito anos de idade, ajudava meu avô na roça. Minha infância, minha vida mesmo, foi mais trabalho.

A professora Zue me marcou muito. Ela era muito bacana, mora até hoje em Iguape.

A gente nunca passou fome, mas a nossa veste era bastante precária.

Traíra, acará, mandiá, saiguiru, a gente pescava muito naquela época. Pescava com linha. Ia na canoa do meu avô. Hoje não tem mais tanto peixe.

Em vim para Iguape com 15, 16 anos. Meu primeiro emprego foi trabalhar de frentista num posto de gasolina, lavador de autos. Depois passei para pintura de auto.

Houve uma enchente grande aqui na região, a maior que teve , que deixou a cidade toda parada. Aí fui para São Paulo, fiquei trabalhando lá. Fui trabalhar de assistente de pedreiro. Depois fui para uma confecção, depois uma metalúrgica. Aí voltei para Iguape. Minha noiva era daqui de Iguape.

Resolvi casar. Fui plantar legumes. Trabalhei três anos de motorista de ônibus. Fui candidato a vereador, na época o candidato a prefeito que me convidou. Eu não tinha conhecimento de política nenhum. Nem gostava de política, em 88 não fui eleito, fui segundo suplente. Fui bem votado porque eu trabalhava no ônibus conhecia bastante gente, tinha amizade no bairro. Aí o Ariovaldo, prefeito, me chamou para ser seu assessor. Aí fui candidato a vereador novamente. Em 92 eu fui o candidato mais votado de Iguape. Aí eu aprendi o que era política. Peguei química na política. Estou até hoje aí.

A população de Iguape é meio distante. Eles não acompanham a ação da Câmara. O executivo tem que dar um pouco mais para o município.

Iguape sempre foi uma cidade muita festeira. Eu ia muito para discoteque. Ia pra baile. Na época tinha cinema. Eu não fui muito de curtir cinema. Assisti alguns filmes do Mazaroppi, que gosto de assitir até hoje.

Eu trabalho diretamente com o povo na rua. É um estilo meu.

Na cidade eu freqüento mais barzinho. Vou num churrasco, não sou tanto de ir na Praça.

As festas da cidade são muito boas. A festa de agosto, que são uma das maiores do Brasil. Iguape é uma cidade que tem festa direto. Tem a festa do robalo, da tainha… Nós temos a pesca da manjuba, que é a nossa renda maior.

Eu já fui pescador um ano. Pesquei manjuba. Hoje não pesco mais.

Meu avô é quem me levava para pescar

Publicado em 22 de março de 2011
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André Gimenez Mori
São Paulo, 16/08/1976, funcionário público e produtor de vídeo.

O meu avô vinha para cá quando a lua estava boa para pescar, ele pescava como lazer, com rede. Eu ajudava a puxar rede de manjuba, ele tinha paciência de me levar para pescar com ele, às vezes ficava horas comigo na maré que não tinha lua e nem peixe. Mas o ecossistema mudou muito, a área que era de areia próxima da minha casa, hoje é mangue.

A questão ambiental mudou muito. O avanço do manguezal, a questão do fechamento ou não do Valo Grande, o impacto ambiental nas culturas tradicionais, sem levar em conta que tem gente nesses lugares… Como essas pessoas estão vivendo? É a própria comunidade que toma conta do local.

Criaram a estação ecológica e acabaram com tudo

Publicado em 2 de março de 2011
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Dauro Marcos do Padro
Nasceu em 13/07/1964 na Juréia. Pescador e monitor ambiental.

Na minha comunidade, a maioria, era parente. A gente vivia junto trabalhando na pesca, agricultura e extrativismo. Nossa casa era de tábua, éramos em 10 irmãos. Tinha uma sala grande que dormia todo mundo junto. Brincávamos na floresta, no mato, de subir e brincar de pega pega em cima da árvore.

Eu acompanhava meu pai pra catar timporoba, para fazer balaio, rede, cesto… a taquara pra fazer a peneira. Ia na floresta, fazia armadilha pra pegar caça. Pegava pau de canoa pra pescar.

Fiquei nisso até terminar o ensino primário, depois fui crescendo. Trabalhava na roça, na pesca… Comecei junto com meu pai. Não puxava rede, mas segurava o cesto. Ficava ali, olhando. Uma canoa, rede, tarrafa. Rede dava robalo, tainha, cação… uma parte minha mãe salgava e deixava em cima do fogo pra não estragar, a outra ela salgava e vendia.

Criaram a estação ecológica e acabaram com tudo. Não podia caçar, pescar. Não permitiam a presença humana. A comunidade começou passar fome. Não tinha mandioca, não tinha o peixe. Pegamos as comunidades que viviam da pesca, do fandango, passando fome. O vizinho dividia a caça, a farinha com o outro. Queríamos mudar a lei para uma comunidade de reserva e de desenvolvimento sustentável.

Tem pouca representação dos moradores das comunidades tradicionais aqui na região

Publicado em 26 de fevereiro de 2011
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Marcio Barragana
Nasceu em Alegrete em 31/08/1959. Está em Iguape desde 2009, é analista ambiental.

Minha família tem dois troncos que vieram do Uruguai. Sobrenome derivado de basco, espanhol. Tem índio e tem negro. Meus pais nasceram no Brasil.

Passei parte da minha infância em Alegrete. Mudamos muito porque meu pai era militar. Mas sempre com a âncora em Alegrete. A casa do meu avô foi a que mais marcou e a outra que eu morei em Santana do Livramento, tinha uma figueira grande.

O que me lembro bastante era a liberdade que tinha de se brincar na rua. Brincadeiras de homem, simulações de guerra, cinema, brincadeiras a cavalo – carreira – montar em cavalo bravo.

Tive vários professores que me marcaram. Eu peguei aquela reforma de ensino, que acabou com o ginásio e começou o profissionalizante. Tive professores bastante politizados, o que me deu uma base crítica. Eu fiz o curso de redator auxiliar. Estudei colonialismo africano, as guerras de separação. No Uruguai mesmo tava havendo uma revolução em 1973. Aqui no Brasil já estava muito ruim. Foi um período muito rico.

Meu primeiro trabalho foi o que faço até hoje. Eu sou gestor de unidade de conservação de áreas protegidas. Meus pais me encucaram essa questão ambiental. Isso me direcionou para fazer a faculdade que fiz. Tive a felicidade e a honra de trabalhar no que gosto. Comecei na Reserva Biológica do Guaporé, Amazonas. Era uma região muito exuberante. Eu tinha 23 anos na época.

Cheguei em Iguape em 2009. O que me levou a vir para cá foi uma necessidade de aprendizado. A primeira impressão foi muito positiva. Meu trabalho vai desde o Parque da Serra do Mar até a Divisa do Paraná, são 253 mil hectares. Parque da Ilha do Cardoso está na nossa área. Meu trabalho é tentar equilibrar a ocupação dessa área com proteção ambiental.

Tem as faces mais feias dessa área: questão política de ocupação destas áreas sem critério técnico, nunca houve uma política que se priorizasse a questão ambiental no país, salvo na ECO 92.

A maior reserva de Mata Atlântica do Brasil está nesta região. Por isso existe um medo por parte da população, pois já existe uma certa conscientização da população.

Tem um movimento de pesca aqui de pesca amadora que é feita pelas comunidades tradicionais. As comunidades agrícolas diminuíram muito a atividade de agricultura rotativa, que vem mais pelo impedimento policial. Tem a monucultura da banana que é pesada. É uma indústria.

Tem pouca representação dos moradores das comunidades tradicionais no escopo geral de conselhos e instituições que cuidam da preservação.

Eu adoro a cidade, minha mulher adora a cidade meu filho adora a cidade. Vai ao cinema. A coisa mais gostosa é passear na Praça ao entardecer. Gosto demais do aglomerado histórico da cidade. Hoje já está bastante vendido para o pessoal de fora.

Aqui o carnaval é muito legal. É proibido entrar Axé.

Quando eu vim pra em 2009. Sofremos um acidente de carro. Iguape serviu para lamber as feridas. Chegamos aqui em frangalhos. Mais aos poucos o lugar ajudou a se recuperar do baque.

Restaurante

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Nair de Almeida Bonilho
Nasceu em Eldorado, 28/10/1952. É cozinheira.

Todos os meus avôs já eram daqui de Eldorado. Eles moravam na zona rural, mexiam com banana, milho, pesca…Eu também vivi na zona rural até os 8 anos de idade. Os meus pais trabalhavam na roça e eu os ajudava, cuidando dos meus irmãos. Mas era muito duro, muito, que eu até apaguei da minha memória.

Depois mais tarde eu mudei para a cidade de Eldorado. Com 14 anos eu fui morar em São Paulo, onde morei por muito tempo. Eu fui trabalhar lá em São Paulo pra ajudar a família e lá no bairro da Vila Mariana eu fiquei por 19 anos. Eu lembro que quando eu cheguei lá eu chorava muito de vontade de vir embora. Mas a vida aqui era muita miséria, então acabei me acostumando.

E foi lá que eu conheci o meu marido. Ele trabalhava numa casa de massas e morava perto de mim. Foi numa praça que eu o conheci. Mas foi uma amiga que me apresentou a ele, e ela também tinha interesse nele! Eu tinha 22 anos quando me casei e fomos morar com os pais dele por uns 3 anos. Logo depois conseguimos uma casinha nossa e fomos trabalhando e melhorando um pouco de vida. Tivemos 5 filhos, 2 deles adotados.

E uma das coisas que me fez vir embora era pagar o aluguel todo mês. E também a casa de massa onde trabalhava meu marido era sempre assaltada, muita violência. Mas teve também a saudade. Eu tinha muita saudade da minha terra. Eu queria criar meus filhos livres, porque em São Paulo era tudo preso. Então voltei pra cá.

Eu já passei necessidade aqui. Já pedi esmola. E quando eu trabalhava em São Paulo, o prato de comida que a patroa dava era muito pequeno e eu passava fome. Então fui aprender a cozinhar para comer melhor. E aí fui aprendendo, lendo revistas e aprendi.

Aí eu trabalhei quase 8 anos na cozinha do dono do mercado. Na época eu comecei a ficar doente por conta do calor do forno, de outras coisa do trabalho, e fiz um acordo e peguei um dinheiro. Aí com esse dinheiro eu investi no restaurante. Agora todos os meus filhos me ajudam, também o meu marido, que é o melhor homem do mundo, e já estou com o restaurante Shalom há mais de 7 anos. Dizem que depois de 5 é porque deu certo, e eu já estou com 7!