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Maria Elizabeth, Prefeita

Publicado em 30 de março de 2011
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Primeiro mandato não fiz campanha com dinheiro, nada, nada. Os dois mandatos de veradora. Tanto é que depois quando eu me candidatei a vice prefeita eles iam lá no comércio “vamos lá, ser prefeita” e eu “não, prefeita é um passo muito largo.”

Maria Elizabeth nos conta sua trajetória política até se tornar prefeita, as dicriminações que sofreu e um pedaço da sua vida

Meu sonho é ver o povo mais unido!

Publicado em 23 de março de 2011
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Maria Elizabeth Negrão Silva
Nasceu em Taguarituba em 16 de outubro de 1950, migrou para Iguape em março de 1967. Prefeita.

O meu pai trabalhava na antiga Empresa Sorocabana e era conferente de café. Como ele gostava de mudar de cidade, ele sempre pedia transferência de um lugar para o outro. A cidade onde mais ficamos foi Iguape.

Quando eu tinha 8 anos, minha mãe morreu na gravidez do nono filho. Eu e os meus irmãos tivemos que assumir a responsabilidade de cuidarmos uns dos outros e da casa. Dois anos depois da morte da minha mãe, meu pai se casou com uma prima e nós tivemos uma madrasta muito má. Quando o meu pai percebeu o que ela fazia conosco, se separou. Foi aí que nós viemos para a Região do Vale do Ribeira. Cheguei a Iguape com 16 anos. Nessa época, moramos em uma casa na beira do vale, com um senhor que nos recebeu muito bem.

O meu primeiro emprego foi de professora após me formar no Normal. Dei aula por alguns meses, depois fui trabalhar no comércio do meu atual marido, naquela época ainda não era meu namorado. Eu trabalhava sem compromisso dirigindo o carro e fazendo as entregas. Depois de alguns anos, nos casamos.

Depois de 30 anos no comércio, trabalhando com o meu marido, eu comecei a minha vida de política. Eu era conhecida pelas pessoas por causa do comércio, eu ia às comunidades fazer as entregas. Fui candidata à vereadora e tive dois mandatos, fui presidente da Câmara, depois vice-prefeita e, agora, prefeita.

Eu nunca participei de associações e organizações, eu me aproximei da política através do convite do meu cunhado, marido da minha irmã. Por volta dos 45 anos, fui vereadora pela primeira vez.

Eu fui a primeira prefeita mulher do município e, antes, fui a primeira mulher presidente de Câmara Municipal. O pior foi no palanque político: teve um candidato que mandou eu ir para casa varrer, ir atrás do fogão e do meu comércio. A população, inclusive os homens, me apoiaram diante disso.

Meu sonho é que existisse mais amor e ver o povo mais unido.

Sandra Kennedy Vianna

Publicado em 21 de março de 2011
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Meu pai trabalhava com café no sul de minas, e era mesmo natural que quisesse um filho homem para ajudar na lavoura. Aí veio eu, Sandra. Depois veio Simone, Cibele, depois Soraya, depois Cintia. 5 mulheres!

Sandra, a prefeita de Registro, nos conta um pouco da sua infância e um pouco da sua trajetória política

Lauriano dos Santos

Publicado em 14 de março de 2011
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Aos 8 anos eu brigava no caminho da escola pelo meu candidato a prefeito. Eu entrei na política para combater a corrupção. Fui eleito vereador, fui reeleito, fui nomeado Diretor Regional da Secretaria do Interior no Governo Montoro…

A minha casa era uma casa de festa

Publicado em 22 de fevereiro de 2011
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Nilton José Hirota da Silva
Nasceu em 17 de Março de 1958 em Pariquera Açu. Professor e supervisor de ensino.

Eu tenho duas origens, sou mestiço. O meu avó por parte do pai é português da Ilha da Madeira, e da mãe, japonês. Eu tive influência das duas famílias. Minha família japonesa era menos numerosa que a portuguesa. Não sei porque eles vieram para o Brasil, vieram para morar em Iguape e fixaram residência ali mesmo. Ele foi dos primeiros açougueiros na região.

Meu avô veio para São Paulo, e acabou sendo encaminhado para cá. Ele teve a missão de separar as terras e a área territorial de Registro, trabalhava na colonização, no KKKK. Ele não se adaptou a São Paulo e quando apareceu essa oportunidade, ele aceitou. Ele também fazia tradução, regularizava os registros de imigração. E ainda, ele foi o primeiro japonês a casar-se com uma brasileira aqui em Registro.

Meu tio foi um grande playboy, faleceu muito cedo, infelizmente, num acidente. Mas ele tinha um jeep, era galã conquistador.

Quando as pessoas se interessavam em vir para o Brasil, recebiam uma cota de terras. Então quem administrava essa distribuição era meu avô. Ele analisava os contratos e fazia a divisão. Já chegamos a ter 80% da população formada por japoneses aqui.

Meu avô morava perto da Praça dos Expedicionários, depois moramos onde hoje é o banco na avenida principal, e depois começamos a nos afastar.

Meus pais se conheceram em tempos de escola, não sei muito bem como, minha mãe era mestiça mas o preconceito já era mais tranquilo. Mas quando eu era mais novo, em 74, 75, namorei uma japonesa, a família dela não aceitava muito a relação. Tinha que ser meio escondido mesmo, pular a janela. E era emocionante por isso também. Teve até tiro pro alto, pra me assustar.

A relação com o meu avó era muito especial, meu avô era muito conhecido aqui. Chamava-se Heiro Costa e ele era um companheiro de quase todos os dias, aprendi a jogar xadrez com ele. Ganhei um tabuleiro de um tio meu, e quando acabava minha aula às 11:30, chegava na casa dele e ele estava lá me esperando. Meu avô realmente foi muito importante na minha formação. Ele que me incentivou a entrar para a política, por exemplo.

Aqui era tudo diferente, os parentes moravam todos na mesma avenida, mas hoje em dia é só comércio. Na minha memória já fugiu um pouco como era a cidade, brincávamos de pegar amora silvestre, jogar futebol na rua com colegas de escola ou de rua mesmo.

Cheguei a ser vice campeão do Estado de xadrez, aos 13 anos. Até os 16 anos joguei muito xadrez. Hoje sou professor de xadrez, ensino muito a molecada.

Nos seis anos que morei em São Paulo, se eu fiquei três fins de semana lá foi muito. Vinha todo o fim de semana para cá. Fui pra São Paulo para estudar.

Tinha muita festa aqui. A minha casa era uma casa de festa. Meus pais foram muito festeiros, fazíamos baile com luz negra e cuba libre. Depois passei a ser DJ, fiz isso cinco, seis anos. Eu e meu irmão trouxemos os primeiros shows da região, trouxemos o Ira, Roupa Nova, que deu 100% de lucro. Foi muito bom enquanto durou. Depois do Roupa Nova a gente se separou e eu fiz o Paralamas só com a minha esposa.

Teve época que chegamos a fazer três bailes por dia. Três equipes de som em três lugares diferentes. Eu ficava no Vale do Chá.

Depois comecei a ser professor e gostei. Hoje sou professor de professor. O Chico Mané, que tem um cursinho para concurso aqui do lado, me convidou para ajudar. Eu comecei e foi aumentando a turma.

Eu tive também experiência de cinco anos de locutor de rádio. Depois me elegi vereador, já era conhecido na cidade. Fui vereador quatro vezes, agora sou suplente de vereador. O que me motiva é ajudar a cidade, passei toda a minha vida aqui.

Os diários do meu avô são um referência aqui na cidade. Nesse centenário da imigração japonesa de Registro, pretendemos traduzir a obra completa. É um diário muito revelador da nossa história. Ele era muito minucioso e observador. Falava até de um terremoto que teve aqui na região, da temperatura. Ele participou da divisão de terras aqui da região. Ele era uma espécie de jornalista.

Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Lauriano dos Santos
Nasceu em Registro em 22/10/1944. É político, aposentado.

Da parte da minha mãe as pessoas nasceram em Registro. Meu pai nasceu aqui, mas é de família turca. Eu nasci numa casa de pau a pique e vivi com toda a simplicidade que a pobreza impõe.

Eu tinha 10 anos quando cheguei na cidade. A praça chamava Dr. Benedito Martins Barbosa e não praça Jóia. A cidade começava ali. Eram ruas de terra e a energia acabava 10 horas da noite. Naquela época deveria ter 5.000 habitantes. Hoje devemos ter 70.000.

Era um bairro chamado Cerrinha, tinha uma comunidade negra. Era mais ou menos um Quilombo. A gente viveu ali. As pessoas de lá marcaram muito minha memória. Lembro do Nho Vitorino, Nho Maneco Balduíno. Uma vez fiquei doente e minha mãe falava que eu ia morrer. O Nho Maneco ficava segurando no meu braço. Nunca esqueci isso.

Tinha uns três quilômetros de distância da minha casa à escola. A gente ia a pé e descalço. Uma vez estava muito frio e eu não parava de tremer e minha professora Dona Ediviges me chamou e disse: “Venha à frente”. Eu fiquei com medo de tomar uma bronca porque estava tremendo. Aí ela chamou o filho dela: “Carlinhos venha à frente, dá esse casaco pra ele”. Ao término da aula fui devolver o casaco e ela disse: “Fique com o casaco”. Senti um calor humano, já contei isso em livros.

Trabalhei com chá. Aqui tinha o chá da Índia. A cultura do chá aqui em Registro foi marcada por isso, é um fator econômico importante para a cidade. Eu colhia o chá e depois trabalhei na fábrica. É uma forte companheira da babaneicultura. Depois com o avanço tecnológico de outros países acabou enfraquecendo a plantação aqui.

Naquela época era mais segregacional, os japoneses ficavam mais na deles. Depois isso mudou.

Eu tenho na marca da minha história de ter levantado o poste da primeira eletrificação rural do Brasil. Fui eletricista por um tempo. Depois prestei concurso e passei. Fui vereador, me reelegi e como eu queria ser um bom vereador, fui estudar. Até hoje sou considerado um dos melhores vereadores que teve na cidade, parece até falta de modéstia. Política para mim é o preço da consciência. Saí candidato a prefeito algumas vezes, mas não me elegi.

Tenho doze livros publicados. Mas não consigo guardar nada do que escrevo. Poesia para mim é aquele filho que você deixa no mundo. Tenho mil e tantos poemas escritos.

Eu amo o Rio Ribeira do Iguape e adoro o Bosque do Votupoca.

Estou com 66 anos e acho que meu sonho é viver bem. Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais.

Augusto Torres, Poeta

Publicado em 18 de fevereiro de 2011
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Carlos Lamarca esteve por aqui, durante a Ditadura, na época ele era do VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e eles vieram para cá para fazer um trabalho político, para tentar empolgar as massas e convencê-la a ir para o lado dele. Mas alguns companheiros dele foram presos na capital, torturados e acabaram entregando onde ele estava. Então ele foi cercado, e teve de fugir. Mesmo assim acabou sendo pego.

Augusto Torres nos conta um pouco da história política do Vale do Ribeira, e também conta como era a situação na década de 1970.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

José Lourenço de Souza, Secretário do Governo

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
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Política é algo que vem de gerações. Meu pai era primo do grande prefeito Joaquim Manoel de Souza. E assim nós acabamos entrando no mundo da política e fazemos aquilo que gostamos.

José Lourenço de Souza conta um pouco da saga de sua família em Sete Barras e também se orgulha da retomada de uma antiga tradição

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Higino Apolonio da Silva, Agropecuário

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
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O envolvimento com a política foi algo mais por necessidade do lugar, porque não existia nenhuma política de desenvolvimento da cidade na época. Então junto com alguns companheiros nos unimos e começamos a trabalhar juntos para isso.

Higino Apolonio da Silva ainda contou como foi o impacto da Revolução de 1930, a de 1932 e da Ditadura Militar na região, e explicou como foi o movimento de emancipação de Sete Barras.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

O prefeito

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Donizete Antônio de Oliveira
Nasceu em Eldorado, 11/11/1960. É prefeito da cidade.

Eu vim da zona rural, família humilde com 8 homens e 1 mulher. A gente gostava de pescar muito, virar canoa no meio do rio, correr em cima de latão com ele rolando…muitas brincadeiras. E como minha mãe sempre foi doente, eu aprendi um pouco de tudo, até a costurar, essas coisas. O terreno era tão pequeno que meu pai falava que se tivesse que ficar todos dentro do terreno de casa mais as vaquinhas, uma delas ia ter que ficar com o rabo de fora!

E nesse lugar eu morei até os 15 anos. Aí eu vim pra Eldorado com meu irmão, pra cidade mesmo. Vim da roça pra um serviço completamente diferente. Fui trabalhar de office boy. Foi quando eu me mudei pra Registro pra fazer contabilidade.

Foi depois de formado que fui trabalhar como tesoureiro na prefeitura. Fui trabalhando em outros serviços até que 88 eu me candidatei a prefeito. Nem pra vereador fui. Eu não queria a política no começo, porque não gosto de briga. Mas eu estava no meio político e acabei saindo pra prefeito. E na ocasião briguei com os coronéis. Perdi por 93 votos e dei um susto nos adversários.

Aí fui trabalhar com a comunidade, trabalhar na Santa Casa e fazer um programa de auxílio. A gente fazia troca de jornal por osso pra fazer sopa pra doente, por exemplo. Conseguimos várias conquistas dessa forma. A primeira cirurgia de cesariana e depois laqueadura foi nessa época, e foi a da minha esposa! Eu tinha que dar o exemplo.

E acho que devido a esse trabalho que eu acabei me envolvendo cada vez mais com a comunidade, com a população, o que me alavancou bastante na política até eu virar prefeito em 92. E hoje acho mesmo que dentro dos limites de cada prefeito a cidade foi crescendo, melhorando. Hoje até ganhamos esse novo nome: somos uma estância turística!

A prefeita de Sete Barras

Publicado em 11 de fevereiro de 2011
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Nilce Ayako Miashita

Nilce Ayako Miashita
Nasceu em Itariri, em 26 de abril de 1950. Mudou-se para Sete Barras em 1971. É a prefeita da cidade.

Sou filha de imigrantes japoneses. Meus pais sofreram muito, contavam da dificuldade da língua, não sabiam falar. Eles trabalhavam muito na roça. Eles achavam ruim quando anoitecia porque queriam trabalhar mais.

Aprendi a pilotar moto para ir para a faculdade. Fui dar aula e até ser convidada para ser coordenadora, vice-diretora e depois diretora. Depois fui para a Secretaria da Educação. Lutei muito. Uma mulher como prefeita é difícil para os homens aceitarem, mas conseguimos muita coisa com perseverança. Administrar um município é muito difícil, mas estamos conseguindo superar.