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Neuza Gamba, Professora Aposentada

Publicado em 28 de março de 2011
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Minha mãe era professora leiga, porque não tinha faculdade nem ginásio aqui né. E ela dava aula em casa e a gente aprendia de ouvir ela ensinar. Quando abriram o ginásio minha irmã estudou, mas eu não pude porque minha mãe era doente, não podia as duas estudar.

Neuza conta sobre a sua vida acadêmica e um pouco sobre a sua biografia.

Meu sonho é ver o povo mais unido!

Publicado em 23 de março de 2011
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Maria Elizabeth Negrão Silva
Nasceu em Taguarituba em 16 de outubro de 1950, migrou para Iguape em março de 1967. Prefeita.

O meu pai trabalhava na antiga Empresa Sorocabana e era conferente de café. Como ele gostava de mudar de cidade, ele sempre pedia transferência de um lugar para o outro. A cidade onde mais ficamos foi Iguape.

Quando eu tinha 8 anos, minha mãe morreu na gravidez do nono filho. Eu e os meus irmãos tivemos que assumir a responsabilidade de cuidarmos uns dos outros e da casa. Dois anos depois da morte da minha mãe, meu pai se casou com uma prima e nós tivemos uma madrasta muito má. Quando o meu pai percebeu o que ela fazia conosco, se separou. Foi aí que nós viemos para a Região do Vale do Ribeira. Cheguei a Iguape com 16 anos. Nessa época, moramos em uma casa na beira do vale, com um senhor que nos recebeu muito bem.

O meu primeiro emprego foi de professora após me formar no Normal. Dei aula por alguns meses, depois fui trabalhar no comércio do meu atual marido, naquela época ainda não era meu namorado. Eu trabalhava sem compromisso dirigindo o carro e fazendo as entregas. Depois de alguns anos, nos casamos.

Depois de 30 anos no comércio, trabalhando com o meu marido, eu comecei a minha vida de política. Eu era conhecida pelas pessoas por causa do comércio, eu ia às comunidades fazer as entregas. Fui candidata à vereadora e tive dois mandatos, fui presidente da Câmara, depois vice-prefeita e, agora, prefeita.

Eu nunca participei de associações e organizações, eu me aproximei da política através do convite do meu cunhado, marido da minha irmã. Por volta dos 45 anos, fui vereadora pela primeira vez.

Eu fui a primeira prefeita mulher do município e, antes, fui a primeira mulher presidente de Câmara Municipal. O pior foi no palanque político: teve um candidato que mandou eu ir para casa varrer, ir atrás do fogão e do meu comércio. A população, inclusive os homens, me apoiaram diante disso.

Meu sonho é que existisse mais amor e ver o povo mais unido.

Desenhava o que não devia e ficava de castigo

Publicado em 22 de março de 2011
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João Ferreira de Moraes Junior
Iguape, 12/07/1931, artista plástico.

Na escola eu tinha uma professora que punha apelido nos alunos, eu era o João Minhoca porque eu cochilava e tinha preguiça de ir a lousa, desenhava o que não devia e ficava de castigo atrás da porta.

Fui da congregação Mariana e também fiz parte de coro. Nós tínhamos uma fichinha que marcava quando íamos à missa. Quem ia na missa, no fim do ano, ganhava presente do padre, brinquedos. E quem não fosse à missa não podia ir à matine de cinema.

Conheci a minha mulher no Carnaval porque eu fazia o carro alegórico. O carro alegórico era um harem. Arrumei quatro morenas de cabelo comprido, mas precisava de mais uma. A Tereza tinha acabado de chegar de Santos. Ficamos brincando de carnaval e até hoje estamos juntos. Naquele tempo tinha o lança perfume e a cerveja vinha num saco de linhagem, a gente enchia aquele saco. O depósito do bar ficava no sótão e na geladeira colocavam serragem para não derreter o gelo.

Odete dos Santos

Publicado em 4 de março de 2011
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Eu era servente, mas eu falei: estou estudando porque não queria me aposentar com a vassoura na mão. Nunca é tarde para a gente conseguir o que a gente quer.

Odete dos Santos nos conta como passou de Servente à Professora e sobre seu sonho ter se tornado realidade.

Comecei a estudar mais a história da região

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Selma de Araujo Torres Omuro
Nasceu em Registro (SP) em 11 de Fevereiro de 1965. É supervisora de Ensino.

Meu pai se formou médico no Rio de Janeiro em 1958 e teve que começar a trabalhar logo. O único lugar que tinha vaga para médico era em Pariquera Açu.

Começaram a vida num lugar onde a vida estava recomecando. A cidade era bem diferente, sou de uma geração que viu a cidade se transformar. A cidade tinha só a avenida principal e a rua era de lajotas. Fui estudar em Santos e fiz faculdade em São Paulo. Depois voltei para cá.

Fui dar aula na escola em que estudei, mas já era uma outra escola. O clube BBS continua no mesmo lugar, mas é um outro prédio. As minha lembranças da adolescência são diferentes da arquitetura de hoje.

A gente sentava na escadaria e ficava vendo a entrada das andorinhas nessa torre que é hoje o KKKK. As casas também mudaram. As casas dos japoneses tinham um bangalô. Eu tinha curiosidade em saber o​ que era aquela casinha que ficava em cima do telhado.

Quando começou a colonização japonesa a educação estava abandonada. Então a colônia japonesa investiu construindo prédios e colocando japoneses na escola. Mas com Getúlio Vargas foi proibido escola estrangeira no Brasil e só podia ensinar língua estrangeira para crianças a partir dos 10 anos, mentalidade nacionalista. Tinha uma escola japonesa só para ensinar japonês e ela funcionava onde era o estádio futebol da cidade.

Quando eu fui professora do curso do CEFAN juntou vários jovens que tiveram essa experiência de estudar fora e voltar para a cidade. Passei a ter outra visão da região, pois fui conhecer o vale mesmo, fazíamos viagens com um professor de biologia e os alunos. Daí eu comecei a estudar mais a história da região e a valorizar mais. Eu tinha aquela imagem que era um lugar pobre, depois mudei minha mentalidade.

Meu primos e amigos de outra cidade adoravam passar férias aqui, apesar da cidade não ter nada. Tinha aquela coisa de turma. Tinha esse clima de cidade do interior, das festas, churrasco no sítio do Caverna, na casa do Wellington.

Eu e meu marido fundamos um cine clube aqui em Registro. Porque o nosso cinema aqui estava abandonado. Só passava filme de luta marcial ou pornográfico. A gente alocou um horário no próprio cinema. Foi aí que eu conheci meu marido e comecei a namorar.

Embora aqui seja uma região de baixa renda, tem uma riqueza cultural e ambiental. Cananéia e Iguape são uma das cidades mais antigas do Brasil, colônia japonesa em Iguape, colonização européia em Pariquer Açu, quilombolas.

O negro do Vale do Ribeira está perdendo a identidade

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Juceli Carla Silva de Oliveira
Nasceu em Cananéia em 24/04/1978. Chegou em Registro em 1983. É professora de educação infantil.

Minha família é natural de Eldorado. Meu pai trabalhava na CESP e foi transferido para Cananéia onde eu nasci. Eu tinha cinco anos quando chegamos em Registro. A gente brincava muito em família, não era muito de freqüentar a casa dos vizinhos.

Eu me lembro de Registro com algumas enchentes ainda. Em época de enchente às vezes virava uma brincadeira, a gente acaba brincando nas beiras do rio.

Aqui as novidades das cidades grande chegavam bem depois.

Quando cheguei aqui comecei a freqüentar a escola. As carteiras ainda eram de madeira. O piso ainda era de taco. Até hoje ainda tem muita coisa da época que eu estudei lá.

Naquela época eu queria fazer direito, mas como não tinha, fiz magistério. E depois fiz pedagogia e depois fiz o curso de pós-graduação em psicopedagogia. Logo que me formei comecei a dar aula.

O Centro de Cultura Afro Brasileiro foi fundado em 5 de novembro de 2010. Sentimos a necessidade de resgatar a nossa cultura. Hoje não vemos aqui em Registro nada que trata da cultura afro brasileira. Nosso intuito foi unir grupos que faziam outras atividades: congo, maculele, samba de raiz, capoeira, etc e juntar no Centro de Cultura. Esse ano vamos fazer o primeiro Afoxé em Registro. Afoxé tem a função de abrir o carnaval para pedir a paz para os festejos. Dia 26 de fevereiro vamos batizar o nosso Afoxé, vem um grupo de Praia Grande fazer o batismo. O negro aqui no Vale do Ribeira sinceramente está perdendo a identidade. Meus avós tinham uma máquina de moer farinha, hoje ninguém sabe o que era isso. Até nos Quilombos eles não sabem a origem deles. Isso é preocupante.

Os trabalhos que meu pai e meu tio faziam foram marcantes para mim. Eles tocam músicas tradicionais e contavam histórias dos negros. Isso que me move para fazer os trabalhos que faço hoje no Centro de Cultura.

Nos temos o jornal Eparrei (o que se espalha como vento), minha filha de doze anos que edita. Ela é bem envolvida na causa.

Jacirema Firmino de Sousa, Professora

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
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Eu quis entrar para a escola porque meus irmãos diziam que a merenda era muito boa, maravilhosa. E eu que sempre fui faminta, igual a Magali, quis ir para escola só por causa disso.

Jacirema Firmino de Sousa também nos revela como era o sistema de ensino na sua infância e como seus pais faziam para namorar na juventude.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Eu sempre tive um sonho de ser professora

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Odete dos Santos Sátiro
Nasceu em Eldorado, 30/03/1937. É professora.

Eu nasci no bairro Carvão, no município de Eldorado. Eu nasci em casa mesmo. Naquele tempo não havia nem mesmo meios para que o pessoal fosse pra cidade. Os partos eram feitos em casa com as mãezinhas, as parteiras.

Enquanto nós éramos em 6 irmãos, eu morava com eles. Depois meu pai me trouxe pra cidade quando eu tinha 5 anos de idade pra morar com um casal de idosos. Meu pai era canoeiro, e numa das entregas numa loja eles pediram se não tinha uma menina pra fazer companhia para eles. Eu pedi para meu pai me levar e acabei vindo pra cidade de Xiririca, como era chamada antigamente Eldorado. E esse casal de idosos me criou como filha. Fui muito bem criada e tive boa educação, que era uma coisa que a minha madrinha queria.

Quando eu estava com 17 anos, o meu padrinho ficou com câncer e foi se tratar em São Paulo. Ele ficou na casa dos filhos dele durante 2 anos e eu ficava só com a minha madrinha. Pouco depois disso eu me casei, tinha 20 anos e fui morar onde eu moro até hoje. Tive 4 filhos.

Na década de 70 eu já trabalhava de dia e estudava a noite porque queria me formar. Assim que me formei, passei a dar aulas, virei professora. Eu me formei em 82, e naquela época havia muito preconceito porque eu estudei de mais velha. Mas eu continuei e dei aula até me aposentar. Eu nunca me senti menor porque eu era negra, mesmo com o preconceito. Eu sempre tive um sonho de ser professora. Não deu quando eu era mais nova, então resolvi ser depois. E fui. Nunca é tarde pra pessoa conseguir o que se quer.

Festa da Nossa Senhora da Guia

Publicado em 12 de fevereiro de 2011
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Eugênia Muniz de Freitas
Nasceu em Eldorado, 31/10/1930. É professora aposentada e trabalha na pastoral da saúde.

Meu pai nasceu em Sete Barras e minha mãe nasceu aqui em Eldorado mesmo. Eu cresci e casei na mesma casa. Era uma casa geminada, numa ladeira. Morávamos em onze irmãos e brincávamos muito, na rua mesmo. A rua era calma, só havia uma pessoa que tinha carro. Pra chegar em São Paulo, demorava um dia inteirinho!

Meu pai tinha loja de secos e molhados e também fazia beneficiamento de goiaba. Ele vendia para a Cica. Eu ajudava às vezes ele na loja, ficava pra ele no balcão.

E essa foi a minha infância até ter que me mudar pra Santos pra continuar os estudos. Mas assim que me formei no magistério, voltei pra cá. Já fui dar aula pra ajudar a família porque meu pai estava com tuberculose e eu precisava ajudar. Na família já tinha uma tradição de dar aula. Meu bisavô foi o primeiro professor dessa cidade daqui de Eldorado.

Aí fiquei na cidade. Daqui gosto da festa da Nossa Senhora da Guia. Aqui na praça principal, fica tudo cheia de barraca nessa época. Vem barraca até de São Paulo. A Nossa Senhora da Guia é a nossa padroeira porque essa imagem foi trazida de Portugal pelos fundadores da cidade.

O momento mais marcante que eu passei aqui foi quando o meu marido faleceu. Ele tinha fibrose pulmonar e faleceu no meu quarto, conversando comigo. Hoje mesmo eu faço parte da Pastoral da Saúde. Eu vou visitar os doentes, falar com eles. Esse é um trabalho que faço agora que estou aposentada na minha profissão. E acho que minha vida foi muito maravilhosa. Se eu pudesse voltar, fazia tudo de novo!

A prefeita de Sete Barras

Publicado em 11 de fevereiro de 2011
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Nilce Ayako Miashita

Nilce Ayako Miashita
Nasceu em Itariri, em 26 de abril de 1950. Mudou-se para Sete Barras em 1971. É a prefeita da cidade.

Sou filha de imigrantes japoneses. Meus pais sofreram muito, contavam da dificuldade da língua, não sabiam falar. Eles trabalhavam muito na roça. Eles achavam ruim quando anoitecia porque queriam trabalhar mais.

Aprendi a pilotar moto para ir para a faculdade. Fui dar aula e até ser convidada para ser coordenadora, vice-diretora e depois diretora. Depois fui para a Secretaria da Educação. Lutei muito. Uma mulher como prefeita é difícil para os homens aceitarem, mas conseguimos muita coisa com perseverança. Administrar um município é muito difícil, mas estamos conseguindo superar.