Tag: Registro

Ronaldo José Ribeiro

Publicado em 5 de maio de 2011
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Quando nós morávamos em Londrina, a minha família já vinha passar as férias aqui, no Vale do Ribeira, em Ilha Comprida e eu conheci Registro e o Bom Jesus de Iguape já nessa época. Quando eu estava quase para entrar na faculdade eu e mais três amigos fizemos uma viagem, daquelas de estudante, para acampar aqui, por essa região.

Ronaldo compartilha conosco como foi sua viagem com amigos à Registro e momentos marcantes da cidade.

Eu me sinto registrense!

Publicado em 4 de maio de 2011
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Ronaldo José Ribeiro
Nasceu 24/08/1964 em Assis, São Paulo. Agrônomo e cientista social.

A minha cidade de nascimento é Assis, mas eu vivi em Maracaí até meus sete anos de idade, nós morávamos numa casa bem grande, com pés de jabuticaba, manga. Depois disso nós nos mudamos para Londrina, no Paraná. Nessa época, o meu pai trabalhava numa agência bancária e depois ele trabalhou numa empresa de adubos, que vendia produtos agrícolas, inclusive esse foi o motivo da nossa mudança. Londrina era uma cidade muito grande, muito grande. Eu me lembro do cheiro do café porque na entrada da cidade tinha uma fábrica de café solúvel e aquela fumaça e aquele cheiro de café invadia a cidade. Eu lembro também que o saquinho de leite foi uma novidade para mim porque em Maracaí conhecia aquele leite que os meus avôs e meus tios traziam, em garrafa de vidro, para a gente.

Quando nós morávamos em Londrina, a minha família já vinha passar as férias aqui, no Vale do Ribeira, em Ilha Comprida e eu conheci Registro e o Bom Jesus de Iguape já nessa época. Quando eu estava quase para entrar na faculdade eu e mais três amigos fizemos uma viagem, daquelas de estudante, para acampar aqui, por essa região, passamos em Ilha Comprida, passamos no Marujá, na Ilha do Cardoso, fomos até a Ilha do Mel, no Paraná. Foi uma viagem bacana, todo mundo de mochila nas costas e viajando. E naquela viagem, nós perdemos uma conexão de ônibus e tivemos que dormir aqui em Registro. Nessa praça onde era a antiga rodoviária de Registro, nós perguntamos e nos indicaram o Hotel Guanabara, ainda o prédio tem aqui mas não é mais hotel, era um calor infernal. Foi a primeira vez que eu dormi em Registro. Nunca imaginava que dez anos depois eu iria me mudar para a cidade e viver por aqui, como eu vivo, a mais de 20 anos!

Durante o ano a cidade de Registro tem muitas festas. As festas da colônia japonesa são muito importantes para a cidade. E a colônia tem uma influência econômica e cultural muito importante para a cidade. Em novembro, no dia de finados, eles cultivam muito a ancestralidade, então aqui tem a festa do Tooro Nagashi que são barquinhos de madeira com velas que cada família dedica a um membro da família, qualquer pessoa pode fazer isso e no dia de finados à noite, esses barquinhos, que são em torno de cinco mil, são colocados no rio e descem o Rio Ribeira e é muito comum as pessoas falarem que eles chegam até o oceano porque vão descendo a correnteza do rio e é muito bonito! É uma festa muito bonita, colorida!

Em Registro, eu tenho vários fatos marcantes. Eu e a Sandra nos casamos aqui, apesar de a nossa família ser de fora. Minha família, metade em Maracaí, metade em Londrina. A da Sandra, metade em Minas, metade em Goiás. Meus filhos nasceram aqui. Eu cheguei atrasado para o nascimento da minha filha! Eu estava numa reunião, sinal da nossa vida atribulada aqui! É a cidade que eu vivo a mais tempo, eu me sinto registrense!

Sou do tempo que Registro tinha poucas residências

Publicado em 18 de abril de 2011
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José Barduco, nasceu em Pariquera-Açú, comarca de Jacupiranga em 08/03/1919. Eletricista aposentado.

Sou de origem italiana. Meus avós paternos chegaram no vapor BEARN em 1887, em Santos com 8 filhos. Meu pai estava com 7 anos, meus avós maternos chegaram a Santos em 1889 com 4 filhos entre eles minha mãe com 8 anos. Instalaram-se em Pariquera-Açú, num bairro denominado Nova Italia.

Meus pais se casaram no Brasil e tiveram 9 filhos, além de trabalharem na lavoura, tiveram criações de porcos, que era a base da alimentação dos italianos. Lembro de uma passagem pitoresca: quando matavam boi, tocava o sino da igreja matriz de Pariquera-Açú para avisar que nos açougues tinha carne de boi para que o povo soubesse.

Em Pariquera-Mirim, um bairro de Pariquera-Açú, meu pai, Giovanni Massimiliano Barduco teve um alambique. Sempre vinha passar temporada em Pariquera um maestro chamado Guido Roque de SP, que por influência dele, formaram a primeira banda e meu pai fazia parte dela. Mais tarde outra banda formou-se, da qual também fiz parte com 11 anos, tocando tarola (caixinha). Com 19 anos, tirei minha carteira de motorista e com o caminhão do Senhor Ivo Zanella, ajudei a melhorar as estradas da região, e na época quem era o Governador era Dr. Ademar de Barros.

Em Porto Cubatão, bairro de cananéia ajudei a aterrar mangue para fazer o porto atual com 300 metros para travessia de ferry-boat, o porto anterior era de 800 metros. Vim morar em Registro onde casei com Alice Cardoso, moradora do bairro Guavirúva. Iniciei como eletricista com a ajuda dela e muitas vezes ficávamos até de madrugada desmanchando gerador (dínamo) para aprender como enrolava e assim tivemos êxito. Tudo que consegui em minha vida foi trabalhando como eletricista, a minha última oficina ficava as margens da BR-116, quase em frente a ponte que atravessa o Rio Ribeira de Iguape. Meus fregueses eram principalmente caminhoneiros dos estados do Sul. Ensinei minha esposa a dirigir, sendo ela a primeira mulher a dirigir em Registro.

Tenho 5 filhos, sendo 4 mulheres e 1 homem. Com a ajuda do meu amigo Alberto Bertelli, fui de avião para consertar um motor de luz, aterrissando na praia de Ariri onde peguei um bote, atravessei para Ararapira onde o motor que não funcionava fornecia energia para o lugar. Em outra ocasião com o Bertelli descemos na praia da Juréia, chamado prelado para consertar um caminhão Ford 46, de onde voltei de canoa à motor até Iguape e depois para Registro.

Lembrando da época que fui motorista, trabalhei em Registro em um carro de aluguel do meu primo Meraldo Prévidi, levando passageiros até Juquiá para embarcar no trem para Santos. Trabalhei para o Senhor Amaya, levando chá para São Paulo com caminhão movido a gasogênio (carvão) pela falta da gasolina na época. Em Pariquera Açú, levava arroz até Subauma um bairro localizado entre Pariquera/Iguape, para embarcar no vapor Apolo 1º. Os donos dos armazéns de Subauma eram Fernando Fragoso, Jorge Faria e Miguel Faria, dos quais me lembro.

Voltando a falar de Registro, participei da banda São Francisco Xavier, em 1955, onde tocava clarineta e o maestro era Alexandre Agenor de Morais tendo como outros componentes Querino Nunes (trombone), Deco Marques (trombone), Mitsuko Nakamoto (clarineta), Paulo Aby-Azar (saxofone), José Santana (clarineta), Oscar Ventura (clarineta), Valdemar Ferreira (trompete), José Grossi (clarineta), João Colaço (sax harmonia), Acácio (prato), Simião Marques (clarineta) Idalicio (baixo), Benevides Teixeira (baixo), Vicente Firmino (bumbo), Benjamin Gonçalves (tarola). Seu Firmino recebeu o apelido de “”tique-fuque”", porque faltou em um ensaio e ao perguntarem ele disse: “”minha mulher teve um tique-fuque”". Eu compus um dobrado, música para banda, que meu neto Claudio Augusto esta fazendo a partitura para todos os instrumentos que compõem uma banda musical.

Sou do tempo que Registro tinha poucas residências, a casa Matarazzo, que era um posto que recebia casulos para secagem em forno a lenha, sendo gerente o Senhor Lourenço Frank de São Paulo. A árvore guaracui ficava onde atualmente é a loja de calçados Kallan, mais à frente tinham muitos pés de palmito. Por algum tempo fui examinador de auto-escola na época do Delegado Giusepe Grancheli. Deixando de trabalhar como eletricista, começei a trabalhar na lavoura com plantação de milho e arroz moti, usado muito na culinária japonesa; criei gado leiteiro e de corte, em um sítio de minha propriedade, a margem direita da estrada que liga Registro a Sete Barras.

Esta é a minha história de vida.

As conquistas do Sr. Yamazaki!

Publicado em 5 de abril de 2011
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RYOSAKU YAMAZAKI, nasceu em Shizuoka no Japão.

Homenagem e autoria do depoimento por Yara F. Yamazaki

Economista formado no Japão, foi agricultor e dedicou-se ativamente em prol da comunidade Registrense. Nascido em Shizuoka, chegou ao Brasil em 30/03/1935, dedicou-se a lavoura de chá e abriu um restaurante o qual funcionou por mais de 20 anos, conhecido como JARDIM YAMA, na BR-116.

ORDEM SAGRADA DE ZUIHOSHOU QUINTO GRAU

Foi presidente da Associação Cultural Japonesa do Vale do Ribeira por 10 anos, foi presidente da Comissão dos Festejos Comemorativos do Vale do Ribeira em 1963, da comissão organizadora da segunda, terceira e quarta Festa do Chá, conselheiro e representante da cooperativa agrícola de Registro. Em Guarulhos – SP presidiu a comissão de construção do Hospital Nipo-Brasileiro.
Yamazaki foi ao Japão estudar novas formas de aperfeiçoar o beneficiamento do chá e introduziu as máquinas de beneficiamento do chá brasileiro. Foi grande batalhador pela energia elétrica rural, e conseguiu que Registro fosse pioneira no Brasil na implantação da eletrificação rural.

COMENDA PEDRO ÁLVARES CABRAL

Foi membro de recepção e inauguração da BR-2 (hoje BR-116), em 1961, com a presença do então Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, também foi diretor do departamento agrícola da Expovale em 1971 e Sócio Benemérito do RBBC.
Recebeu do Governo do Japao a ORDEM SAGRADA DE ZUIHOSHOU QUINTO GRAU, pelo relevante serviço prestado em prol das relações Brasil-Japão. Foi homenageado com a COMENDA PEDRO ÁLVARES CABRAL, da SOCIEDADE GEOGRÁFICA BRASILEIRA DO GOVERNO DE SP, e recebeu a COMENDA DA ORDEM DOS CAVALEIROS DA CONCÓRDIA.

COMENDA DA ORDEM DOS CAVALEIROS DA CONCÓRDIA

Foi Presidente da Associação dos Anciões de Registro, cujo nome SHUNJUKAI foi dado por ele. Adorava os trabalhos voluntários que fazia.
Faleceu em 12/11/1983, e a Câmara o homenageou dando seu nome a uma rua, por sua dedicação à cidade de Registro.

Nilton Hirota

Publicado em 18 de março de 2011
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Quando eu tinha 11 anos eu ganhei um jogo de xadrez do meu tio, e meu vô conhecia o jogo. Então era sagrado: eu saia as 11h da escola e ia direto para a casa do meu avô. Ele estava lá, sentado numa mesa, as peças prontas, um copo de cerveja ou saque do lado. E nesses jogos a gente conversa muito, nessas conversas eu aprendi muita coisa.

Nilton nos conta um pouco da sua história e também a história da sua família

Maria Cecília Cordeiro Dellatorre

Publicado em 18 de março de 2011
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Eu vim para cá sem ter muita noção para que lado era esse Vale do Ribeira. Eu vim como residente de Medicina Preventiva. Peguei um ônibus e fui me apaixonando pela viagem, era dezembro: época do jacatirão, uma flor que nasce branca, depois fica rosa, depis fica roxa. Era um mergulho num paraíso.

Maria Cecília nos conta como foi quando chegou a Registro e uma pouco da sua trajetória.

Benedito Paulo Oliveira

Publicado em 18 de março de 2011
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Ainda me lembro do primeiro carro que eu vi foi um chevrolet verde, que trouxe nossa mudança aqui para registro. Não sabia antes o que que era um carro. É do japones Tamada, diz que está até hoje no sítio dele. O neto dele que me contou.

Benedito nos contou algumas curiosidades e fatos estranhos da sua vida.

Giuliano Lima

Publicado em 15 de março de 2011
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Nunca pensei em ser médico, até pelos problemas que minha irmã teve. Mas agora estou pensando nisso. Ou biologia forense. Sou siderado pelos seriados CSI, essas coisas. Mas é interessante. Acho que seria legal ser médico legista.

Giuliano Lima nos conta um pouco sobre o que vai fazer no futuro e sobre sua vida

Zenilda Souza

Publicado em 14 de março de 2011
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Começou num curso que a gente faz, chegamos em casa e falamos “Fizemos o curso para que? Para guardar as apostilas na gaveta?” Começamos a fazer salgados em casa e saía e vendia. Saía as duas da tarde com a bolsa térmica e lá pelas cinco tinha vendido tudo. O sorriso ia de orelha a orelha.

Nair da Silva

Publicado em 14 de março de 2011
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Quando cheguei aqui achei estranho, não conhecia nada, mas fui bem acolhida pelas colegas da minha madrasta e do meu pai. Eu não trouxe nada, cheguei aqui sem nada, mas de repente meus filhos estavam todos vestidinhos.

Nair da Silva nos conta como foi sua chegada a Registro e alguns pedaços da sua vida.

Jaime Alves

Publicado em 9 de março de 2011
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Caverna do Diabo em conheci todinha, de ponta-a-ponta. Fiz toda a travessia, todos os caminhos. eu cuidava do parque antes, aí fui me enturmando e acabei virando guia da caverna.

Jaime Alves conta como se tornou guia de turismo na Caverna do Diabo e um pouco da sua vida

A minha casa era uma casa de festa

Publicado em 22 de fevereiro de 2011
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Nilton José Hirota da Silva
Nasceu em 17 de Março de 1958 em Pariquera Açu. Professor e supervisor de ensino.

Eu tenho duas origens, sou mestiço. O meu avó por parte do pai é português da Ilha da Madeira, e da mãe, japonês. Eu tive influência das duas famílias. Minha família japonesa era menos numerosa que a portuguesa. Não sei porque eles vieram para o Brasil, vieram para morar em Iguape e fixaram residência ali mesmo. Ele foi dos primeiros açougueiros na região.

Meu avô veio para São Paulo, e acabou sendo encaminhado para cá. Ele teve a missão de separar as terras e a área territorial de Registro, trabalhava na colonização, no KKKK. Ele não se adaptou a São Paulo e quando apareceu essa oportunidade, ele aceitou. Ele também fazia tradução, regularizava os registros de imigração. E ainda, ele foi o primeiro japonês a casar-se com uma brasileira aqui em Registro.

Meu tio foi um grande playboy, faleceu muito cedo, infelizmente, num acidente. Mas ele tinha um jeep, era galã conquistador.

Quando as pessoas se interessavam em vir para o Brasil, recebiam uma cota de terras. Então quem administrava essa distribuição era meu avô. Ele analisava os contratos e fazia a divisão. Já chegamos a ter 80% da população formada por japoneses aqui.

Meu avô morava perto da Praça dos Expedicionários, depois moramos onde hoje é o banco na avenida principal, e depois começamos a nos afastar.

Meus pais se conheceram em tempos de escola, não sei muito bem como, minha mãe era mestiça mas o preconceito já era mais tranquilo. Mas quando eu era mais novo, em 74, 75, namorei uma japonesa, a família dela não aceitava muito a relação. Tinha que ser meio escondido mesmo, pular a janela. E era emocionante por isso também. Teve até tiro pro alto, pra me assustar.

A relação com o meu avó era muito especial, meu avô era muito conhecido aqui. Chamava-se Heiro Costa e ele era um companheiro de quase todos os dias, aprendi a jogar xadrez com ele. Ganhei um tabuleiro de um tio meu, e quando acabava minha aula às 11:30, chegava na casa dele e ele estava lá me esperando. Meu avô realmente foi muito importante na minha formação. Ele que me incentivou a entrar para a política, por exemplo.

Aqui era tudo diferente, os parentes moravam todos na mesma avenida, mas hoje em dia é só comércio. Na minha memória já fugiu um pouco como era a cidade, brincávamos de pegar amora silvestre, jogar futebol na rua com colegas de escola ou de rua mesmo.

Cheguei a ser vice campeão do Estado de xadrez, aos 13 anos. Até os 16 anos joguei muito xadrez. Hoje sou professor de xadrez, ensino muito a molecada.

Nos seis anos que morei em São Paulo, se eu fiquei três fins de semana lá foi muito. Vinha todo o fim de semana para cá. Fui pra São Paulo para estudar.

Tinha muita festa aqui. A minha casa era uma casa de festa. Meus pais foram muito festeiros, fazíamos baile com luz negra e cuba libre. Depois passei a ser DJ, fiz isso cinco, seis anos. Eu e meu irmão trouxemos os primeiros shows da região, trouxemos o Ira, Roupa Nova, que deu 100% de lucro. Foi muito bom enquanto durou. Depois do Roupa Nova a gente se separou e eu fiz o Paralamas só com a minha esposa.

Teve época que chegamos a fazer três bailes por dia. Três equipes de som em três lugares diferentes. Eu ficava no Vale do Chá.

Depois comecei a ser professor e gostei. Hoje sou professor de professor. O Chico Mané, que tem um cursinho para concurso aqui do lado, me convidou para ajudar. Eu comecei e foi aumentando a turma.

Eu tive também experiência de cinco anos de locutor de rádio. Depois me elegi vereador, já era conhecido na cidade. Fui vereador quatro vezes, agora sou suplente de vereador. O que me motiva é ajudar a cidade, passei toda a minha vida aqui.

Os diários do meu avô são um referência aqui na cidade. Nesse centenário da imigração japonesa de Registro, pretendemos traduzir a obra completa. É um diário muito revelador da nossa história. Ele era muito minucioso e observador. Falava até de um terremoto que teve aqui na região, da temperatura. Ele participou da divisão de terras aqui da região. Ele era uma espécie de jornalista.

Comecei a estudar mais a história da região

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Selma de Araujo Torres Omuro
Nasceu em Registro (SP) em 11 de Fevereiro de 1965. É supervisora de Ensino.

Meu pai se formou médico no Rio de Janeiro em 1958 e teve que começar a trabalhar logo. O único lugar que tinha vaga para médico era em Pariquera Açu.

Começaram a vida num lugar onde a vida estava recomecando. A cidade era bem diferente, sou de uma geração que viu a cidade se transformar. A cidade tinha só a avenida principal e a rua era de lajotas. Fui estudar em Santos e fiz faculdade em São Paulo. Depois voltei para cá.

Fui dar aula na escola em que estudei, mas já era uma outra escola. O clube BBS continua no mesmo lugar, mas é um outro prédio. As minha lembranças da adolescência são diferentes da arquitetura de hoje.

A gente sentava na escadaria e ficava vendo a entrada das andorinhas nessa torre que é hoje o KKKK. As casas também mudaram. As casas dos japoneses tinham um bangalô. Eu tinha curiosidade em saber o​ que era aquela casinha que ficava em cima do telhado.

Quando começou a colonização japonesa a educação estava abandonada. Então a colônia japonesa investiu construindo prédios e colocando japoneses na escola. Mas com Getúlio Vargas foi proibido escola estrangeira no Brasil e só podia ensinar língua estrangeira para crianças a partir dos 10 anos, mentalidade nacionalista. Tinha uma escola japonesa só para ensinar japonês e ela funcionava onde era o estádio futebol da cidade.

Quando eu fui professora do curso do CEFAN juntou vários jovens que tiveram essa experiência de estudar fora e voltar para a cidade. Passei a ter outra visão da região, pois fui conhecer o vale mesmo, fazíamos viagens com um professor de biologia e os alunos. Daí eu comecei a estudar mais a história da região e a valorizar mais. Eu tinha aquela imagem que era um lugar pobre, depois mudei minha mentalidade.

Meu primos e amigos de outra cidade adoravam passar férias aqui, apesar da cidade não ter nada. Tinha aquela coisa de turma. Tinha esse clima de cidade do interior, das festas, churrasco no sítio do Caverna, na casa do Wellington.

Eu e meu marido fundamos um cine clube aqui em Registro. Porque o nosso cinema aqui estava abandonado. Só passava filme de luta marcial ou pornográfico. A gente alocou um horário no próprio cinema. Foi aí que eu conheci meu marido e comecei a namorar.

Embora aqui seja uma região de baixa renda, tem uma riqueza cultural e ambiental. Cananéia e Iguape são uma das cidades mais antigas do Brasil, colônia japonesa em Iguape, colonização européia em Pariquer Açu, quilombolas.

O Rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Antonio Rodrigues de Souza
Nasceu em Iguape em 07/09/1940. Chegou em Registro em 1979. Funcionário público, aposentado.

Minha família é de origem portuguesa e espanhola. Tive três irmãos que faleceram, vivo só resta eu e minha irmã. Eu morava no sítio, não era uma terra muito boa. Criava galinha, porco e plantava. Comecei a trabalhar com meu pai com a idade de 7 anos.

Um tempo freqüentei a Escola Municipal, depois ela fechou. Eu lembro de uma professora, a Dona Maria Aranha, a filha dela também estudava lá. Ela era brava e mansa. Naquela época a professora era uma segunda mãe da gente. Quando chegava a hora do recreio você oferecia voluntariamente para encher as vasilhas da professora. Para a professora tomar banho e fazer comida. A professora morava num puxadinho do lado da escola. A escola ficava uns 8 Kms de casa, eu ia à pé, demorava uma hora e meia para chegar. Quando eu chegava em casa eu ia comer alguma coisa e o pai já chamava a gente para trabalhar na roça.

Matraca tem duas argolas e é feita de madeira. A gente usava para plantar arroz, feijão e milho. Esta região do Vale do Ribeira foi o maior produtor de arroz. Foi até representante em Milão. Ali onde é o KKK ficava a máquina de beneficiar o arroz. O vapor Bento Martins fazia o transporte do arroz.

Eu saí do Município de Iguape e fui morar no sítio da família da minha esposa, mas era muito pequeno lá e morava muita gente. Fui desgostando daquilo e eu disse para minha mulher: Vou embora para a cidade. Daí viemos para Registro.

Conheci minha mulher no vapor. Minha esposa já tinha me visto com outra moça numa festa em Itapetininga. Aí eu vim para Registro e minha esposa perguntou: “Você já casou?”. Eu disse: “Não, aquele namorinho é bobagem”. E ela: “Olha me fale a verdade”. Daí começamos a namorar.

Fiz concurso para prefeitura e passei. Era encarregado de pessoal. Depois tinha lá a parte que era do Ministério do Trabalho e me chamaram para trabalhar no lugar de uma moça do que ficou doente. Mas eu não sabia nada daquilo, mas o chefe gostou de mim e não me deixaram mais sair. Fui substituir por oito meses fiquei dezoito anos. Aprendi tudo.

Registro agora é a capital do Vale do Ribeira, antes era a capital do Chá.

Eu gostava de ir na beira rio. Uma enchente é bonita, o problema é que faz estrago. O rio Ribeira hoje não tem nem a metade de água que tinha. Quando o vapor grande portava, punha uma prancha grande para a gente descer. Diminuiu muito o volume de água.

Aqui teve ouro. Tiravam daqui e deixavam registrado aqui o valor que ia para Portugal.

Quem trouxe o progresso aqui foi a BR 116.

Eu tenho o sonho de viver mais um pouco, ter saúde. E que meus netos tenham uma situação melhor. Eu já passei cada situação difícil.

Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Lauriano dos Santos
Nasceu em Registro em 22/10/1944. É político, aposentado.

Da parte da minha mãe as pessoas nasceram em Registro. Meu pai nasceu aqui, mas é de família turca. Eu nasci numa casa de pau a pique e vivi com toda a simplicidade que a pobreza impõe.

Eu tinha 10 anos quando cheguei na cidade. A praça chamava Dr. Benedito Martins Barbosa e não praça Jóia. A cidade começava ali. Eram ruas de terra e a energia acabava 10 horas da noite. Naquela época deveria ter 5.000 habitantes. Hoje devemos ter 70.000.

Era um bairro chamado Cerrinha, tinha uma comunidade negra. Era mais ou menos um Quilombo. A gente viveu ali. As pessoas de lá marcaram muito minha memória. Lembro do Nho Vitorino, Nho Maneco Balduíno. Uma vez fiquei doente e minha mãe falava que eu ia morrer. O Nho Maneco ficava segurando no meu braço. Nunca esqueci isso.

Tinha uns três quilômetros de distância da minha casa à escola. A gente ia a pé e descalço. Uma vez estava muito frio e eu não parava de tremer e minha professora Dona Ediviges me chamou e disse: “Venha à frente”. Eu fiquei com medo de tomar uma bronca porque estava tremendo. Aí ela chamou o filho dela: “Carlinhos venha à frente, dá esse casaco pra ele”. Ao término da aula fui devolver o casaco e ela disse: “Fique com o casaco”. Senti um calor humano, já contei isso em livros.

Trabalhei com chá. Aqui tinha o chá da Índia. A cultura do chá aqui em Registro foi marcada por isso, é um fator econômico importante para a cidade. Eu colhia o chá e depois trabalhei na fábrica. É uma forte companheira da babaneicultura. Depois com o avanço tecnológico de outros países acabou enfraquecendo a plantação aqui.

Naquela época era mais segregacional, os japoneses ficavam mais na deles. Depois isso mudou.

Eu tenho na marca da minha história de ter levantado o poste da primeira eletrificação rural do Brasil. Fui eletricista por um tempo. Depois prestei concurso e passei. Fui vereador, me reelegi e como eu queria ser um bom vereador, fui estudar. Até hoje sou considerado um dos melhores vereadores que teve na cidade, parece até falta de modéstia. Política para mim é o preço da consciência. Saí candidato a prefeito algumas vezes, mas não me elegi.

Tenho doze livros publicados. Mas não consigo guardar nada do que escrevo. Poesia para mim é aquele filho que você deixa no mundo. Tenho mil e tantos poemas escritos.

Eu amo o Rio Ribeira do Iguape e adoro o Bosque do Votupoca.

Estou com 66 anos e acho que meu sonho é viver bem. Quando eu morrer o único inventário que quero é dos meus restos mortais.

Quero ser médico legista. Sou siderado pelos seriados CSI

Publicado em 21 de fevereiro de 2011
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Giulliano Salvatore de Vita Lima

Nasceu em 1994 em Campinas, veio para Registro em 1996. É de origem italiana e estudante.

Nasci em Campinas. Fiquei até 1996, quando vim para Registro. Depois fui para Campinas, em 2000, quando minha irmã nasceu e fiquei lá por 3 anos. Depois voltei para Registro.

Fomos para Itália passear e visitar a família da minha mãe. E foi muito bom.

Em 1996 fomos para Pariquera. Não me lembro bem o motivo porque eu era bem pequeno. Viemos para cá pois uma parte da família da minha mãe era daqui. Minha irmã nasceu com problemas. Quando ela nasceu, ela perdeu a mobilidade. Ela não sente nada da cintura para baixo. Esse é o único problema de minha irmã. Mas nos damos muito bem.

O que me lembro de minha infância são algumas brincadeiras. Brincava de pega pega, polícia e ladrão, essas coisas. Entrei na escola já aqui em Registro. Agora estou no terceiro ano do ensino médio, no Paula Souza. O que me lembro é do meu primeiro dia de aula, inesquecível. Aquela choradeira, os pais vão embora… mas depois a gente se acostuma.

Alguns professores me marcaram. Uma professora me marcou ainda lá em Campinas Ela tinha uma descedência francesa.

Eu queria ser várias coisas quando criança… Mas agora estou pensando se vou mesmo fazer faculdade de medicina ou biologia.

Aqui em Registro gosto de passear, ir ao cinema, dar uma volta. Por aqui não tem muito o que fazer. Pariquera tem uma praça, Jacupiranga tem uma pista de skate, são as cidades que vou.

Na escola fiz curso técnico de administração. É bom ter uma visão mais ampla. Fiz administração por que estava faltando. por isso optei por administração. Eu queria uma boa capacitação profissional.

Nunca pensei em ser médico, até pelos problemas que minha irmã teve. Mas agora estou pensando nisso. Ou biologia forense. Sou siderado pelos seriados CSI, essas coisas. Mas é interessante. Acho que seria legal ser médico legista.

Tenho também um sonho de montar uma banda, com alguns amigos em Suzano. Uma banda de Rock. Essa ideia começou com meu pai. Ele era baixista e ele deu o instrumento para mim. Isso me deu vontade de tocar. Estou buscando isso.

O dia a dia aqui varia bastante. Quando eu fazia o técnico era super corrido. Mas agora consigo sair mais com os amigos. Tem alguns lugares legais de ir, mesmo sendo uma cidade pequena.

O que marca aqui em Registro, acho, é o KKKK. Essa história é legal. Tem um mito que se você entrar no Ribeira você pode acabar encontrando ouro dos navios que passaram por aqui.

É legal contar minha história, é bom relembrar. A gente pensa que não, mas o tempo voa. A gente nem vê.

Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Daniel Leandro Gomes
Nasceu 15/05/1959 em Caruaru, PE. Chegou em Registro em 1960 . É fotógrafo.

Meu pai e meus tios vieram para Registro em 1952. Toda a família chama Leandro Gomes. Eles são todos de Pernambuco. Sabendo de São Paulo, vieram para cá trabalhar em bananais. Vieram atrás de trabalho honesto. Como são todos honestos, todos tiveram trabalho aqui.

Eu cresci em Cedro, Juquiá, um município daqui de Registro. Mamãe cavava rama de mandioca, num sítio pequeno que nós tínhamos e nós trabalhávamos na roça com ela, enquanto papai trabalhava nos bananais. Depois de um ano papai saiu no trabalho de diário e passou a plantar mandioca, não precisou mais trabalhar para ninguém. Dentro da própria terra da mandioca pode plantar milho, feijão, quiabo, abóbora, melancia, couve, alfa, cará, nhame, batata doce. Chegava noite de lua meu pai pegava o enxadão ele arava as terras para ficar fofa para dar uma boa plantação.

Aquele tempo não é igual a hoje. Nós trabalhávamos e tinha aquela roupinha para ir para escola. Andava dois quilômetros para chegar lá. O diretor tinha prazer em dizer para minha mãe que nós éramos bons alunos.

Tinha muito japonês na minha escola. Os japoneses gostavam muito de trabalhar e quando encontrava alguém que gostava de trabalhar eles davam sementes, plantas e ficavam amigos da gente.

Tinha um senhor, Paulo Alves de Oliveira, que começou a aprender a arte de fazer um monoclinho para vender. Ele passou essa arte para nós. Eu fazia isso em Juquiá e Registro. Olympus Pen, é uma máquina japonesa que eu usava. Dá meio quadro de um filme. Tirava fotos na festa de Reis e em todas as cidades crescentes. Fazia fila para tirar foto.

Nesta praça dos Expedicionários eu tirava muitas fotos. O povo vinha passear aqui de dia e de noite, casais de namorados. Eu tirava fotos e depois ia entregar na casa das pessoas. Na época cada monoclinho custava R$ 0, 50 e depois passou para R$ 1,00.

Geralmente eu batia na casa e oferecia para as pessoas. Até de casamento eu tirava foto de monoclinho. Eu não gostava de fazer isso, mas tirava foto de monoclinho até de morto. Hoje não se faz mais issso.

Casais de namorados tiravam muita foto de monoclinho. Desfile na cidade, 7 de setembro, aniversário da cidade. Todo mundo comprava com boa vontade, porque era uma lembrança gostosa. As pessoas queriam aparecer nas fotos.

Um sujeito tipo fazendeiro chegou para um amigo meu e pediu pra tirar umas fotos. Meu amigos desconfiaram, achando que o cara não iria pagar, tirou várias fotos só com flashes. Aí o cara falou: “Quanto custa?”. Ele chutou: “R$50,00“. E pagou adiantado. Ai ele sem saber o que fazer perguntou: “Colorida ou preta e branco?”, “ Colorida, eu estou tão bonito. “ Ai ele disse: “Deixa eu colocar cor na foto”. E bateu tudo de novo. Deu certo, né?

Eu estou vivendo ainda hoje disso. E olha que todo mundo tem máquina digital. Uma pessoa perguntou para mim: “Como você está vivendo? Deve estar passando fome, todo mundo tem máquina hoje. “ Eu respondi: “Você conhece o Daniel e não o Deus do Daniel.” Eu não vou dizer que não diminuiu, mas tenho que ter mais prudência.

Eu casei tive filhos, todos bem criados. Me separei. Eu tenho três filhas.

Meu sonho é ver uma Registro melhor. Gente sorrindo uma para outra e falando: “Vou te ajudar”.

O negro do Vale do Ribeira está perdendo a identidade

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Juceli Carla Silva de Oliveira
Nasceu em Cananéia em 24/04/1978. Chegou em Registro em 1983. É professora de educação infantil.

Minha família é natural de Eldorado. Meu pai trabalhava na CESP e foi transferido para Cananéia onde eu nasci. Eu tinha cinco anos quando chegamos em Registro. A gente brincava muito em família, não era muito de freqüentar a casa dos vizinhos.

Eu me lembro de Registro com algumas enchentes ainda. Em época de enchente às vezes virava uma brincadeira, a gente acaba brincando nas beiras do rio.

Aqui as novidades das cidades grande chegavam bem depois.

Quando cheguei aqui comecei a freqüentar a escola. As carteiras ainda eram de madeira. O piso ainda era de taco. Até hoje ainda tem muita coisa da época que eu estudei lá.

Naquela época eu queria fazer direito, mas como não tinha, fiz magistério. E depois fiz pedagogia e depois fiz o curso de pós-graduação em psicopedagogia. Logo que me formei comecei a dar aula.

O Centro de Cultura Afro Brasileiro foi fundado em 5 de novembro de 2010. Sentimos a necessidade de resgatar a nossa cultura. Hoje não vemos aqui em Registro nada que trata da cultura afro brasileira. Nosso intuito foi unir grupos que faziam outras atividades: congo, maculele, samba de raiz, capoeira, etc e juntar no Centro de Cultura. Esse ano vamos fazer o primeiro Afoxé em Registro. Afoxé tem a função de abrir o carnaval para pedir a paz para os festejos. Dia 26 de fevereiro vamos batizar o nosso Afoxé, vem um grupo de Praia Grande fazer o batismo. O negro aqui no Vale do Ribeira sinceramente está perdendo a identidade. Meus avós tinham uma máquina de moer farinha, hoje ninguém sabe o que era isso. Até nos Quilombos eles não sabem a origem deles. Isso é preocupante.

Os trabalhos que meu pai e meu tio faziam foram marcantes para mim. Eles tocam músicas tradicionais e contavam histórias dos negros. Isso que me move para fazer os trabalhos que faço hoje no Centro de Cultura.

Nos temos o jornal Eparrei (o que se espalha como vento), minha filha de doze anos que edita. Ela é bem envolvida na causa.

Éramos unidos

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Janice Valquiria de Azevedo
Nasceu em Registro em 14/03/1977. É comerciante e dona de casa.

Minha família é toda de Registro. Meus pais se conheceram aqui e foram morar no Morro São João. Foi lá que eu nasci. Somos em nove irmãos. Eu sempre brincava em turma. Éramos unidos. Brincava de bolinha de gude, pipa, pegava lata de óleo vazia as outras amigas vinham e faziam de conta que estavam comprando, pedras eram sacos de arroz.

Minha casa tinha sete cômodos e um barzinho na frente. Meu pai tinha uma banca de peixe no mercado. Minha mãe era lavadeira do hospital São João. Enquanto ela estava trabalhando meu irmão olhava o bar. A tarde meu pai que tomava conta.

A juventude eu não curti muito. Quando fiz quinze anos minha mãe faleceu de derrame. Ai eu casei com essa idade, e tive três filhos. Hoje eu sou pai e mãe dos meus filhos. Ser mãe deu mais responsabilidade para mim.

Eu comecei vender lingerie e comecei a guardar tudo o que vendi e abri um mini comércio na minha casa. Meu negócio é ser vendedora. Daí precisei vender a loja, fechei e voltei para Registro. Fui morar em casa de aluguel na casa em São Francisco. Logo que eu cheguei minha casa pegou fogo. Perdi tudo, mas eu consegui salvar meus filhos.

A dificuldade que temos aqui são as enchentes. Quando você acha que conseguiu alguma coisa você perde tudo, pois vem a chuva e leva tudo. Comigo não aconteceu, mas já aconteceu com vários amigos meus. Geralmente acontece isso todo ano. Esse ano já avisaram a gente para desocupar a área.

Meu segundo filho chama John Lenonn Kaiek de Azevedo, porque eu sou muito fã dos Beatles. Os outros chamam: se Jhil Everton Patrick de Azevedo e o outro Jheniffer Estefkini de Azevedo.

Teve um concurso gospel aqui na cidade que eu participei e desde esse dia me convidaram para sair cantando nas igrejas. Hoje eu vou três vezes por semana.

Meu sonho hoje é ter a casa própria e dos meus filhos também.

Naquela época professor era muito rigoroso

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Kazuo Ono
Nasceu em Iguape , em 06 de julho de 1928. Agricultor aposentado.

Minha família chegou em 1924 do Japão para cá. Desde moço meu pai era apaixonado pelo Brasil. Eu não sei muita coisa como foi a viagem dele para cá. Ele veio para Registro atrás de um loteamento. Ele ficou trabalhando quatro anos como colono.

Quando eu estava com cinco anos minha mãe faleceu. Lembro muito bem da sepultura da minha mãe. Sentei em cima do caixão na carroça e a vizinha me chamou a atenção. O cemitério era bem longe, região de brejo. Papai sozinho criou nós.

Em 1929 meu pai conseguiu comprar um terreno e plantou café, arroz e criou galinha. Com sete anos fui na escola primária e já ia no cafezal ajudar a colher café. Eu estudei na Escola Luis Guimarães de Almeida, tinha muito japonês estudando lá. Professor naquela época era muito rigoroso, ganhei muita reguada. Menino não podia conversar com menina.

Com treze anos eu lembro muito bem que na época da Guerra queriam expulsar a colônia de japoneses de Registro. Durante esse período faltava querosene, sal, açúcar. Havia distribuição desses produtos uma vez por mês. A gente tinha que entrar na fila para receber.

Papai criou galinha até morrer quando eu tinha 25 anos. Casei nesse ano e depois comecei a plantar chá. Em 1960 começou todo mundo plantar chá. Ai montei uma fábrica de esteira e chinelinho.

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