Meus pais e meus avôs nasceram em Iguape. A descendência da minha família é portuguesa, da parte do meu pai. Ele trabalhou com comércio de secos e molhados por trinta anos. Depois tinha um trabalho paralelo, comprava banana na região e vendia no Ceasa.
A gente morava no sítio e andava de lancha para chegar aqui em Iguape. Era uma semana para chegar em São Paulo. Era uma dificuldade. Televisão quando fui ver já tinha quatorze anos.
Meu avô tinha roça, lavoura, plantava de tudo. Na época eram umas quarenta pessoas no sítio.
Minha casa era de tábua e a cozinha de chão batido.
Eu me divertia com futebol, bolinha de gude, nadava bastante. Eu comecei a trabalhar com oito anos de idade, ajudava meu avô na roça. Minha infância, minha vida mesmo, foi mais trabalho.
A professora Zue me marcou muito. Ela era muito bacana, mora até hoje em Iguape.
A gente nunca passou fome, mas a nossa veste era bastante precária.
Traíra, acará, mandiá, saiguiru, a gente pescava muito naquela época. Pescava com linha. Ia na canoa do meu avô. Hoje não tem mais tanto peixe.
Em vim para Iguape com 15, 16 anos. Meu primeiro emprego foi trabalhar de frentista num posto de gasolina, lavador de autos. Depois passei para pintura de auto.
Houve uma enchente grande aqui na região, a maior que teve , que deixou a cidade toda parada. Aí fui para São Paulo, fiquei trabalhando lá. Fui trabalhar de assistente de pedreiro. Depois fui para uma confecção, depois uma metalúrgica. Aí voltei para Iguape. Minha noiva era daqui de Iguape.
Resolvi casar. Fui plantar legumes. Trabalhei três anos de motorista de ônibus. Fui candidato a vereador, na época o candidato a prefeito que me convidou. Eu não tinha conhecimento de política nenhum. Nem gostava de política, em 88 não fui eleito, fui segundo suplente. Fui bem votado porque eu trabalhava no ônibus conhecia bastante gente, tinha amizade no bairro. Aí o Ariovaldo, prefeito, me chamou para ser seu assessor. Aí fui candidato a vereador novamente. Em 92 eu fui o candidato mais votado de Iguape. Aí eu aprendi o que era política. Peguei química na política. Estou até hoje aí.
A população de Iguape é meio distante. Eles não acompanham a ação da Câmara. O executivo tem que dar um pouco mais para o município.
Iguape sempre foi uma cidade muita festeira. Eu ia muito para discoteque. Ia pra baile. Na época tinha cinema. Eu não fui muito de curtir cinema. Assisti alguns filmes do Mazaroppi, que gosto de assitir até hoje.
Eu trabalho diretamente com o povo na rua. É um estilo meu.
Na cidade eu freqüento mais barzinho. Vou num churrasco, não sou tanto de ir na Praça.
As festas da cidade são muito boas. A festa de agosto, que são uma das maiores do Brasil. Iguape é uma cidade que tem festa direto. Tem a festa do robalo, da tainha… Nós temos a pesca da manjuba, que é a nossa renda maior.
Eu já fui pescador um ano. Pesquei manjuba. Hoje não pesco mais.