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Maria Benedita

Publicado em 9 de março de 2011
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Uma mulher precisava de alguém para trabalhar na casa e minha mãe me mandou. Cheguei fui trabalhar direto na cozinha. Tinha 12 anos.

Maria Benedita nos conta um pedaço da sua trajetória e da trajetória da cidade também

O negro do Vale do Ribeira está perdendo a identidade

Publicado em 20 de fevereiro de 2011
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Juceli Carla Silva de Oliveira
Nasceu em Cananéia em 24/04/1978. Chegou em Registro em 1983. É professora de educação infantil.

Minha família é natural de Eldorado. Meu pai trabalhava na CESP e foi transferido para Cananéia onde eu nasci. Eu tinha cinco anos quando chegamos em Registro. A gente brincava muito em família, não era muito de freqüentar a casa dos vizinhos.

Eu me lembro de Registro com algumas enchentes ainda. Em época de enchente às vezes virava uma brincadeira, a gente acaba brincando nas beiras do rio.

Aqui as novidades das cidades grande chegavam bem depois.

Quando cheguei aqui comecei a freqüentar a escola. As carteiras ainda eram de madeira. O piso ainda era de taco. Até hoje ainda tem muita coisa da época que eu estudei lá.

Naquela época eu queria fazer direito, mas como não tinha, fiz magistério. E depois fiz pedagogia e depois fiz o curso de pós-graduação em psicopedagogia. Logo que me formei comecei a dar aula.

O Centro de Cultura Afro Brasileiro foi fundado em 5 de novembro de 2010. Sentimos a necessidade de resgatar a nossa cultura. Hoje não vemos aqui em Registro nada que trata da cultura afro brasileira. Nosso intuito foi unir grupos que faziam outras atividades: congo, maculele, samba de raiz, capoeira, etc e juntar no Centro de Cultura. Esse ano vamos fazer o primeiro Afoxé em Registro. Afoxé tem a função de abrir o carnaval para pedir a paz para os festejos. Dia 26 de fevereiro vamos batizar o nosso Afoxé, vem um grupo de Praia Grande fazer o batismo. O negro aqui no Vale do Ribeira sinceramente está perdendo a identidade. Meus avós tinham uma máquina de moer farinha, hoje ninguém sabe o que era isso. Até nos Quilombos eles não sabem a origem deles. Isso é preocupante.

Os trabalhos que meu pai e meu tio faziam foram marcantes para mim. Eles tocam músicas tradicionais e contavam histórias dos negros. Isso que me move para fazer os trabalhos que faço hoje no Centro de Cultura.

Nos temos o jornal Eparrei (o que se espalha como vento), minha filha de doze anos que edita. Ela é bem envolvida na causa.

Benedita Aparecida de Azevedo, Professora e Vice-Diretora

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
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Eles iam nas casas cantando, encantando e anunciando a chegada do menino Jesus. Na frente ia o timoneiro, que preparava o espaço e o pouso. E na hora de ir embora as pessoas ficavam emocionadas, não queriam devolver as bandeiras, não queriam deixar eles irem. Acredito que isso ficou na memória de todos nós.

Benedita Aparecida de Azevedo conta como é a Folia de Reis e um pouco da história de seu pai, o ultimo folião.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Maria Vaneide Anjos Blanco, Médica

Publicado em 17 de fevereiro de 2011
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Eu sinto que o Brasil recomeça aqui. É necessário fazer justiça e dar a devida importância a essa região.

Maria Vaneide Anjos Blanco fala também sobre o movimento negro na região, sobre a ONG que está formando e a acolhida que teve na cidade.

Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Antonio Jesus de Oliveira, Sapateiro

Publicado em 16 de fevereiro de 2011
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Era uma semana inteira de festa, tanto de São João quanto de Espírito Santo. E era só rezar o terço e quermesse.

Antonio Jesus de Oliveira fala também sobre o surgimento das estradas na região e o crescimento da cidade.

Antonio Jesus de Oliveira

Festa da Nossa Senhora da Guia

Publicado em 12 de fevereiro de 2011
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Eugênia Muniz de Freitas
Nasceu em Eldorado, 31/10/1930. É professora aposentada e trabalha na pastoral da saúde.

Meu pai nasceu em Sete Barras e minha mãe nasceu aqui em Eldorado mesmo. Eu cresci e casei na mesma casa. Era uma casa geminada, numa ladeira. Morávamos em onze irmãos e brincávamos muito, na rua mesmo. A rua era calma, só havia uma pessoa que tinha carro. Pra chegar em São Paulo, demorava um dia inteirinho!

Meu pai tinha loja de secos e molhados e também fazia beneficiamento de goiaba. Ele vendia para a Cica. Eu ajudava às vezes ele na loja, ficava pra ele no balcão.

E essa foi a minha infância até ter que me mudar pra Santos pra continuar os estudos. Mas assim que me formei no magistério, voltei pra cá. Já fui dar aula pra ajudar a família porque meu pai estava com tuberculose e eu precisava ajudar. Na família já tinha uma tradição de dar aula. Meu bisavô foi o primeiro professor dessa cidade daqui de Eldorado.

Aí fiquei na cidade. Daqui gosto da festa da Nossa Senhora da Guia. Aqui na praça principal, fica tudo cheia de barraca nessa época. Vem barraca até de São Paulo. A Nossa Senhora da Guia é a nossa padroeira porque essa imagem foi trazida de Portugal pelos fundadores da cidade.

O momento mais marcante que eu passei aqui foi quando o meu marido faleceu. Ele tinha fibrose pulmonar e faleceu no meu quarto, conversando comigo. Hoje mesmo eu faço parte da Pastoral da Saúde. Eu vou visitar os doentes, falar com eles. Esse é um trabalho que faço agora que estou aposentada na minha profissão. E acho que minha vida foi muito maravilhosa. Se eu pudesse voltar, fazia tudo de novo!

Cantorias em latim

Publicado em 11 de fevereiro de 2011
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Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Marcelo Plácido de Oliveira Marques
Nasceu em Sete Barras, em 17/10/1984. É formado em teatro e é professor de artes.

Em Sete Barras existe uma comunidade rural que canta em latim. A tradição se manteve e eles ainda cantam em latim. Cantam a ladainha, é como se fosse um terço.

As famílias eram, os Costa, Oliveira, Almeida, Dias…

Publicado em 5 de fevereiro de 2011
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João Martins da Costa
Nasceu em Sete Barras no bairro de Itopamirim, em 14 de julho de 1926. É aposentado.

Antigamente, todos os casamentos eram entre primos e parentes. As famílias eram, os Costa, Oliveira, Almeida, Dias… Tudo se comunicava pelo Ribeira, o rio era o meio de transporte de todos.