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O pessoal de Eldorado é muito acolhedor

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Valéria Guimarães Gomes França
Nasceu em São Paulo, 13/08/1981. Mudou-se para Eldorado em 1999/2000. Está atualmente desempregada.

A minha infância foi muito humilde, mas bacana. Sempre brinquei muito com o meu irmão, conversava muito com os meus pais. Fui uma criança saudável, de brincar de pipa, pega pega, essas coisas. Isso lá em São Paulo.

Dessa época eu lembro que eu ia muito mal no colégio e cheguei a mudar pra outro colégio. Mas antes de terminar o colégio, eu casei e tive a minha filha. O meu marido não deixava eu trabalhar, então eu fiquei em casa durante os 4 anos que estivesse com ele. A minha família já tinha um sítio por esses lados de Eldorado. Quando meu pai ficou desempregado, ele veio para cá e arranjou trabalho por aqui. Aí, quando eu me separei, vim pra cá e abri uma lanchonete na rodoviária. Foi mesmo o meu primeiro trabalho, que foi aqui em Eldorado.

Mas as minhas primeiras impressões aqui fora péssimas. Eu estava tão acostumada com o ritmo correndo de São Paulo, que eu ficava louca pra ir embora porque aqui tinha tudo um ritmo mais lento. Eu ia na padaria pedir o pão e demorava. Depois me acostumei e acontece que eu fico alguns anos aqui e outros em São Paulo, e mesmo quando eu estou lá, qualquer feriadinho eu venho pra cá. O pessoal daqui é muito acolhedor. Mesmo eu que não sou daqui, fui sempre muito bem recebida.

Na praça

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Lúcia Vieira dos Santos
Nasceu em Eldorado, 19/03/1978. É auxiliar de educador/ monitora.

Meu pai trabalhava de pedreiro e viajava muito. Fazia essas casas como as que existem aqui na beira do rio. E foi numa dessas viagens que ele parou aqui em Eldorado. Mas os meus pais se separaram porque meu pai era alcoólatra. Na época, a minha mãe ficou com 8 filhos pequenos numa casa de 3 cômodos, bem simples e pequena. Mas eu tive uma infância bem feliz porque a gente tinha muitas dessas brincadeiras antigas de ir pra rio, pular amarelinha, rodar peão…

Eu morava aqui na praça central e os colégios em que eu estudei eram tudo aqui perto, a gente tinha tudo por perto. E logo aos 12 anos eu comecei a trabalhar de babá. Estudava de noite, então. Eu estudava pra ajudar a minha mãe, e como éramos em 8, eu trabalhava mesmo para me vestir, comprar roupa, sapato. Na hora de descanso, eu gostava de ficar na praça, rodar pela praça até cansar. Como hoje eu estou casada, deixo mais isso pras minhas filhas fazerem. Mas é algo que eu gosto de fazer. Eu gosto da praça, da igreja. Sou católica praticante.

Hoje eu trabalho na Casa Abrigo Família, cuido das crianças, brinco, coloca-as na cama. Essa casa funciona quando tem uma denúncia de problemas familiares, em que as crianças e os adolescentes estão ou sofrendo maus tratos, ou a família não segura mais elas em casa. Aí tem o acompanhamento psicológico e o social. Elas ficam um tempo até ir para o Fórum e o juiz decidir. Então, eu ainda trabalho com crianças. Além de trabalhar e viver pelas minhas filhas, que são minhas outras crianças.

Fábrica de banana passa

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
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Vicente de Paulo Braga
Nasceu em Eldorado, 19/07/1945. É aposentado.

Eu ainda nasci em Xiririca, que virou Eldorado em 1947. Meus pais também são daqui. Meu pai perdeu os pais quando criança, foi pra Santos, ficou no meio na rua, mas conseguiu virar bombeiro e, mais tarde, quando desistiu da profissão, voltou pra Eldorado. Aliás, meus avós também eram de Xiririca. Uma parte veio na época do café e acabaram ficando por aqui.

A minha casa de infância ficava do lado da Igreja Matriz. Lá eu nasci e vivi até os 15 anos. Era uma casa de uma tia minha, onde vivia meus pais, eu e mais 7 irmãos. Tinha também um tio que morava lá. Era uma casa grande, dessas de sair correndo da porta da frente e chegar só 10 minutos na porta dos fundos. Mas essas casas antigas de Eldorado estão acabando.

Como na época não existia muito trabalho aqui em Eldorado, meu pai inventou de começar a fazer aquela banana seca, a banana passa. Já tinha uma fábrica na região, mas aqui na cidade meu pai iniciou. Eu tenho a primeira nota da venda dessas bananas. Eu colocava nas costas e saía pra vender aqui na região. Eu era molecão, e saía pelas cidades pra distribuir. Mas o meu pai, acho que por inocência, não sei, por excesso de confiança, assinou um contrato em que perdeu tudo o que tinha.

Eu ia pra escola a pé, fazendo 4 quilômetros todo dia com qualquer tempo. Mas a infância era bem divertida. Pegava lata de sardinha, enfiava num pedaço de pau e já era um tratorzinho. E depois na adolescência tinha o carnaval, os bailes, mas nada com drogas. Depois de certo horário já as mulheres tinham ido embora. As vezes as pessoas queriam encerar as casas, passava a cera e no baile as pessoas poliam, raspando o pé!

Depois da fábrica de banana com o meu pai, fui ser mecânico. Eu fui mecânico por um bom tempo aqui. Fiz isso até quando eu me aposentei. Na época a minha esposa foi fazer uma check up em Registro e não sei bem até hoje como, assim que ela entrou pra fazer o check up, entrou em coma! Ai abandonei a mecânica, hoje faço as minhas coisas, vou me virando. Com essas coisas a gente sai um pouco de órbita.

O comerciante

Publicado em 13 de fevereiro de 2011
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César Gomes da Silva
Nasceu em Sete Barras, 30/03/1929. Mudou-se com 7 anos para Eldorado. É comerciante.

Eu nasci em Sete Barras e só vim pra Eldorado com 7 anos, porque minha avó gostava muito de mim e me trouxe pra morar com ela.

Aqui eu tive um tio que me batizou e me ensinou a profissão de padeiro, e por muito tempo eu trabalhei em padaria com ele. Na época a cidade era diferente. A praça central não existia, era mata virgem. Me disseram que nessa mata virgem, em 1908, teve uma enchente tão grande que a água subiu 10 metros aqui!

Trabalhei nessa padaria com o meu tio até a época do exército, quando fui pra Santos servir. Lá ainda trabalhei em hotel e em padaria até que resolvi voltar pra Eldorado pra arranjar namorada e casar.

Na noite que cheguei, lembro bem que estava com um terno branco bem bonito. Era uma festa de São João. Ali tinha 6 moças querendo me paquerar e eu não sabia com quem ficava. Eu fiz um plano “Eu vou ficar com aquela que ficar a noite comigo”. Porque as mulheres aqui vão indo embora cedo, Aí foi saindo uma, outra, e ficou a minha esposa, Maria das Dores Gomes, com quem estou até hoje.

Casei e depois disso comecei a tocar a padaria do meu pai, mas mais tarde fui morar em Jacupiranga. Lá, peguei um bar falido, de um político que ninguém gostava. Comecei a tocar o bar e pensar no que fazer pra levantar o bar. Aí arrumei uma orquestra de violas pra chamar o povo. Mas o povo estava meio arisco.

Então mandei esticar o balcão por todo o corpo da casa. Aí vim pra Eldorado e arrumei 5 moças bonitas pra trabalhar no bar. Logo começou a chegar gente, o bar começou a funcionar. Foi lá que eu percebi que eu era um bom comerciante, que eu tinha jeito pra isso. Eu sempre fui comerciante.

Cantorias em latim

Publicado em 11 de fevereiro de 2011
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Marcelo Plácido de Oliveira Marques

Marcelo Plácido de Oliveira Marques
Nasceu em Sete Barras, em 17/10/1984. É formado em teatro e é professor de artes.

Em Sete Barras existe uma comunidade rural que canta em latim. A tradição se manteve e eles ainda cantam em latim. Cantam a ladainha, é como se fosse um terço.