Tag: xiririca

Lembranças de Eldorado

Publicado em 19 de abril de 2011
0

Wanda Barbosa

Até 1954, quando mudei de São Paulo para Eldorado, quase toda a população urbana e rural do município descendia das aproximadamente cem famílias fundadoras da antiga Xiririca, ou de suas famílias de escravos. A maioria das casas foram construídas ainda na época em que a cidade se mudara de sua antiga localização para o terreno atual.

O Rio Ribeira e suas águas límpidas

Publicado em 18 de abril de 2011
1

Valter Barbosa

A casa onde eu nasci ficava bem no alto do morro do Abobral, pertencente a Xiririca (atual Eldorado). Lá em cima tínhamos uma bela visão do Rio Ribeira de Iguape, com suas águas correndo bem mais límpidas e bem mais volumosa do que hoje.

Rente à nossa casa começava também a mata, plena de árvore centenárias como Tamarindeiras, Pau de Sangue (sua resina parecia sangue), Gariroba, Araçá, uma enorme Figueira. Na época, meu pai já se preocupava com o meio ambiente, não deixava cortar a mata nos lugares de nascentes de água.

Meu pai, Francisco Eugênio Barbosa, e minha mãe, Argemira França Barbosa, moravam na casa do morro desde 1927, dez anos antes de eu nascer. Ele administrava o sítio, contratado por Belisário Camargo, o então proprietário.

Reinaldo de Melo

Publicado em 10 de março de 2011
1

Por ficar muito longe de São Paulo aqueles que eram perseguidos pelo governo, por causa de uma ideologia que veio da França, eles enviavam para Xiririca. Então para cá veio autoridades: Bons médicos, juízes, promotores públicos.

Jaime Alves

Publicado em 9 de março de 2011
0

Caverna do Diabo em conheci todinha, de ponta-a-ponta. Fiz toda a travessia, todos os caminhos. eu cuidava do parque antes, aí fui me enturmando e acabei virando guia da caverna.

Jaime Alves conta como se tornou guia de turismo na Caverna do Diabo e um pouco da sua vida

Faroestes no cinema

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
0

Reinaldo de Melo
Nasceu em Eldorado, 30/08/1936. É aposentado.

Desde pequeno, eu morava aqui em Eldorado – antiga Xiririca – com meus pais e meus avós. Meu pai era comerciante. Como na época não havia bancos, o comerciante oferecia mercadorias para que o lavrador pudesse plantar e em troca ele estocava arroz. As tropas de burro com cestos nas costas iam buscar as mercadorias. A única estrada que tinha era de barro, daqui até a Jacupiranga, e que quando chovia ficava intransitável. Então o transporte então era feito pelo rio Ribeira pelas canoas ou pelos animais.

A minha casa ficava na barranca do rio e atrás tinha o armazém onde guardava as mercadorias. Dentro de casa havia 3 quartos. Em um deles morava as meninas e no outros os meninos; eram 13 irmãos. Nós brincávamos de coisas como peteca, rio e bola. A bola era feita com a bexiga do boi, mas não durava muito. E em casa a gente ajudava pai e mãe, os meninos na horta e as meninas aprendendo a costurar.

Eu, com 13 anos, saí de Eldorado pra fazer ginásio em Tietê. Por lá eu fiquei 7 anos, voltando pouco pra casa. Pra ir pra Tietê, a mãe fazia o enxoval – roupa de cama, cueca, camisa, sapato, sabonete, tudo isso – pra 4 meses. A gente saía de manhazinha, papai levava de carro até Sete Barras. Lá pegava a balsa e depois subia a Serra da Macaca e pousava em Tapetininga. Ia então pra Tatuí e de lá pra Tietê. Dormia na pensão e no outro dia já ia pra escola.

Mas a primeira vez que eu fui ao cinema foi aqui, quando eu tinha 11 anos. Chegou aqui a máquina e eu ficava vendo os faroestes, que eu gostava muito. A luz aqui era racionada porque vinha 220w de uma usina e era perigoso ficar ligado de noite, então o cinema costumava abrir só de sábado mesmo. Aqui era tudo diferente: não tinha rede de esgoto.

Aqui mesmo era um lugar de espécie de exílio. Quando havia uma dissidência política em São Paulo, os perseguidos vinham pra cá, longe das famílias. Mas como eram pessoas de cultura, influenciaram muito a política local. Havia muita cultura, além de ter trazido esgoto, usina e outras melhorias pra Eldorado. A cidade chegou até a ser invejada pelas cidades da região.

Fábrica de banana passa

Publicado em 14 de fevereiro de 2011
2

Vicente de Paulo Braga
Nasceu em Eldorado, 19/07/1945. É aposentado.

Eu ainda nasci em Xiririca, que virou Eldorado em 1947. Meus pais também são daqui. Meu pai perdeu os pais quando criança, foi pra Santos, ficou no meio na rua, mas conseguiu virar bombeiro e, mais tarde, quando desistiu da profissão, voltou pra Eldorado. Aliás, meus avós também eram de Xiririca. Uma parte veio na época do café e acabaram ficando por aqui.

A minha casa de infância ficava do lado da Igreja Matriz. Lá eu nasci e vivi até os 15 anos. Era uma casa de uma tia minha, onde vivia meus pais, eu e mais 7 irmãos. Tinha também um tio que morava lá. Era uma casa grande, dessas de sair correndo da porta da frente e chegar só 10 minutos na porta dos fundos. Mas essas casas antigas de Eldorado estão acabando.

Como na época não existia muito trabalho aqui em Eldorado, meu pai inventou de começar a fazer aquela banana seca, a banana passa. Já tinha uma fábrica na região, mas aqui na cidade meu pai iniciou. Eu tenho a primeira nota da venda dessas bananas. Eu colocava nas costas e saía pra vender aqui na região. Eu era molecão, e saía pelas cidades pra distribuir. Mas o meu pai, acho que por inocência, não sei, por excesso de confiança, assinou um contrato em que perdeu tudo o que tinha.

Eu ia pra escola a pé, fazendo 4 quilômetros todo dia com qualquer tempo. Mas a infância era bem divertida. Pegava lata de sardinha, enfiava num pedaço de pau e já era um tratorzinho. E depois na adolescência tinha o carnaval, os bailes, mas nada com drogas. Depois de certo horário já as mulheres tinham ido embora. As vezes as pessoas queriam encerar as casas, passava a cera e no baile as pessoas poliam, raspando o pé!

Depois da fábrica de banana com o meu pai, fui ser mecânico. Eu fui mecânico por um bom tempo aqui. Fiz isso até quando eu me aposentei. Na época a minha esposa foi fazer uma check up em Registro e não sei bem até hoje como, assim que ela entrou pra fazer o check up, entrou em coma! Ai abandonei a mecânica, hoje faço as minhas coisas, vou me virando. Com essas coisas a gente sai um pouco de órbita.